Desde quando eu me lembro, meu e-mail sempre esteve cheio de porcarias que chegavam sem que eu pedisse. Porcarias muito variadas e muito criativas inclusive. Hoje a arte do Spam (sim, virou arte) se tornou muito sofisticada, usando marcas, formatos e até o nome de órgãos de governo para fazer de idiota uma pessoa comum que não fez nada a não ser abrir a sua caixa de e-mail.

Para a vossa curiosidade, o termo Spam nasceu por causa de um quadro do grupo britânico de humor Monty Python. A palavra “spam” é uma abreviação de “SPiced hAM” (presunto temperado) e no quadro em questão o tal presunto está praticamente em todos os itens do cardápio do restaurante, sendo repetido várias vezes.

Pra nós brasileiros pode não ter muita graça, mas esse presunto foi uma das carnes que durante a Segunda Guerra Mundial e os anos de reconstrução do país após a guerra, que não foi racionada pelo governo. Então durante muitos anos o spam foi a única opção de carne que eles tinham o que leva a criação da piada no tal quadro. Pelo Spam ficar surgindo em todas as comidas e não ser desejado, quando os e-mails indesejados começaram a surgir aos montes fizeram a analogia e nasceu assim o termo. Lindo, não? Se quiser ver o quadro [clica aqui ó]

Acho que podemos dividir o Spam em dois tipos, um é aquele que atira para qualquer lado e manda por exemplo para um e-mail de uma mulher algo como “enlarge your pennis”. Outro é aquele que se baseia em informações recolhidas do usuário, por exemplo, alguém que participa de um fórum sobre anime vai ter lá seu e-mail coletado por alguém que queira divulgar um evento de anime.

O segundo tipo de spam costuma ser mais efetivo e menos agressivo. Ninguém gosta de ficar recebendo um monte de propagandas sem pedir, mas quando essas coisas pelo menos são do nosso interesse as coisas ficam menos piores. Repetindo o exemplo de alguém que goste de anime, pode até ser que a pessoa acabe indo no tal evento.

O primeiro tipo é que é muito mais complicado, porque além de ter um monte de propaganda completamente absurda (“conquiste com feromônios”, “abra uma conta no Alabama bank”) nesse grupo estão aqueles e-mails como o que recebi ontem: “Último Aviso: Seu IRPF 2007 possui dados divergentes blá blá blá, o apocalipse em sua vida se blá blá blá você não clicar aqui”. Ao colocar o mouse em cima do link e olhar no lado inferior esquerdo do navegador dá pra ver que era pra baixar um arquivo .exe, um programa pra Windows. Fechei o e-mail, apaguei, joguei fogo, alho, acendi uma vela e contemplei o momento.

É engraçado a cara de pau das pessoas que fazem isso, imitando o layout de e-mails de banco, operadoras de celular e até falsificando um e-mail de um amigo do tipo “blá blá blá festa, fotos comprometedoras blá blá blá, sou seu amigo, blá blá, clique aqui pra ver as fotos (fotos.exe)”, tudo para enganar. O mais curioso é perceber que se essa prática continua é porque provavelmente ela funciona, ou seja, existem pessoas que caem nessa, não só instalando coisas como também, pagando boletos bancários supostamente atrasados, dando informações de cartão de crédito, celular e etc.

Não é muito legal ver pessoas inteligentes usando a inteligência delas pra enganar os outros. No final, acaba valendo a lei da selva de hoje em dia, não se dá melhor o aquele é mais forte, mas o que é mais inteligente, ou pelo menos mais desconfiado.


– hum…

Pra quem nunca ouviu falar desse jogo, trata-se de um monte de minigames, os mais insanos possíveis envolvendo aquele personagem famoso da francesa Ubisoft, o Rayman, e os tais coelhos do título.

Os minigames do jogo como eu já disse são meio diferentes, como coisas do tipo arremesso de vaca a distância, fechar a porta do banheiro em que o coelho está antes que ele comece a gritar, arremessar o coelho super homem o mais longe possível e muitos, muitos outros.

Os minigames estão divididos em vários tipos, entre eles dois que se repetem mudando ou o cenário a música. No de música você deve apertar os botões ou mexer o controle como se fosse baquetas de bateria no caso do Wii, fazendo os coelhos dançarem. A seleção de músicas não é enorme, mas ver os coelhos dançando la bamba é engraçado. O outro jogo que se repete simula um daqueles jogos onde o personagem anda sozinho e o jogador só precisa dar tiros e segue um clima meio velho oeste.

Falando sobre os tais coelhos, eles são a alma do jogo. O carisma deles é incrível, depois de jogar certamente você vai sair repetindo os gritos deles do tipo “uahhhhh!”, ou vai ficar se lembrando do coelho tentando te atacar com uma salsicha achando que é um revolver, ou do coelho vestido de prostituta de cabaré, ou quem sabe o já citado coelho superhomem, ou tantos outros.

Pra quem é fã dos outros jogos do Rayman pode ser uma decpção saber que esse não tem nada em comum com eles, exceto talvez o talento dos seus realizadores.

O jogo tem versões para PC, PS2, PS3, Xbox360, Nintendo DS e Wii. Esse jogo possupi já uma segunda edição, que ainda não joguei, apenas pra Wii e DS e dizem por aí, que ainda é bom, mas por perder a cara de novidade acaba não sendo tão legal. Mas vai saber, se um dia eu jogar eu comento, críticos são cheios dessa de “o jogo é ruim porque é igual ao anterior que era bom”. Pense comigo, ser o anterior era bom e esse é igual, porque ele é ruim? Enfim… são coisas misteriosas.

Me despeço deixando o link para uns vídeos promocionais do jogo e o link para pegar papéis de paredes de diferentes tamanhos, para se ajustar ao seu monitor.

copilação de vários (NÃO TODOS) comerciais do primeiro jogo:
http://br.youtube.com/watch?v=rlKU0N8rcJ4

o link dos papéis de parede, tem um do super homem coelho!
http://raymanzone.uk.ubi.com/wallpapers.php

Antes de ir, uma curiosidade: Você sabia que o Rayman ficou sem braços e pernas, só com as mãos e os pés, porque durante o processo de animação eles foram ocultados para facilitar o trabalho e ao ver o personagem sem os braços e as pernas o criador do personagem Michel Ancel disse “perfeito! vai ficar assim mesmo!”? Pois é, mais uma daquelas coisas misteriosas do acaso.

Pra que serve uma propaganda? Pra que servem aqueles comerciais entre os programas que passam na televisão? Será que é só pra você poder ir correndo no banheiro ou pegar alguma coisa pra comer? Ou será que eles tem um objetivo bastante específico do tipo te convencer que você precisa de alguma coisa que até então nem sabia que precisava?

Uma propaganda serve para anunciar alguma outra coisa para que a empresa responsável por essa alguma coisa ganhe algum dinheiro. O nosso dinheiro. De certa forma a propaganda é um convite a sua exploração voluntária e necessária. Sim, necessária. Afinal, nós precisamos de todas aquelas coisas das quais não precisamos (e isso não é ironia!).

Imagine uma vida sem contas para pagar, ou sem anseios de objetos. Consegue imaginar como séria se você simplesmente não quisesse nada e estivesse absolutamente satisfeito com o que você tem? Você não precisa de um celular novo, nem de um carro novo, nem de uma televisão nova, nem fazer uma viagem para Acapulco. Mas que mal lhe faz ter esse celular novo, essa televisão nova, esse carro novo e passar uns dias em Acapulco. Que mal isso lhe causa? Na verdade isso faz bem pras pessoas. Nós gostamos de brinquedos novos.

Na sociedade atual as pessoas vivem vidas vazias, elas não têm que caçar, não tem que fugir de leões e a imensa maioria delas não tem força de vontade ou perseverança pra realizar qualquer coisa, então elas ficam contentes quando elas gastam dinheiro com elas mesmas, pois é a experiência mais próxima de uma conquista ou de uma realização que um cidadão mediano consegue ter. Ele não vai realizar o sonho dele de ser cantor de xaxado no Maranhão, mas comprar um celular é algo dentro das suas limitações. Sendo assim, todo mundo gosta de um briquedo bonito e novo. Sim, brinquedo, no fundo tudo é um brinquedo, só varia o tamanho e o preço conforme a idade da pessoa.

As propagandas nos contam histórias, nos mostram imagens, tentam nos emocionar e nos levar da mesma forma que uma história infantil leva uma criança a querer realizar o que ela vê na historia. Uma menina decide que quer um princípe, um menino resolve que vai matar dragões por ai, e os dois sabem que principes encantados e dragões não existem, mas isso importa pouco, já que a história é bonita, a cena, a música, o tudo, aquilo tem que ser real!

Um comercial brinca conosco, tenta nos supreender trazendo aquilo que estamos inconsientemente já esperando. A emoção, a conquista e a ilusão de que o brinquedo bonito vai nos trazer aquilo tudo que ele tem na propaganda. Nos vendem um sonho que aceitamos acreditar que ele possa pelo menos em parte ser real. O mais interessante é que ao segurarmos o brinquedo tão desejado, ao possuirmos o que tanto queríamos a ilusão se faz presente, mesmo que às vezes dure só um instante. Um instante suficiente para que aceitemos entrar nele de novo quando um brinquedo mais bonito for lançado.

Pra ninguém ficar pensando demais, segue abaixo um vídeo de uma propaganda que encontrei esses dias no youtube. É engraçado e é uma propaganda.