[●REC]

Quando a bruxa de blair apareceu faturando tudo o que faturou, custanto a pequena quantia que custou, o mundo todo ficou sabendo que algo novo tinha sido descoberto. Usar uma câmera que simula um cenegrafista amador para contar uma história se mostrou uma idéia muito eficiente, mas apesar disso tirando o recente Cloverfield, que conta a história de um ataque de um mostro do tipo Godzilla a Nova York e esse excelente filme espanhol de nome REC, essa idéia boa e barata não tinha sido usada de maneira relevante. Pelo menos não que eu tenha tido a honra de saber.

Essse é um filme de terror, um tipo de filme que geralmente é mais voltado para uma coisa trash do que verdadeiramente aterrorizante. Nesses tempos onde filme de terror diferente são só aqueles que imitam aquele tom de terror místico japonês, REC não deixa de ser trash, afinal temos zumbis e cenas clássicas desse tipo de filmes, mas essa roupagem de filmar do ponto de vista de um dos personagens, de colocar o telespectador dentro da cena do filme e dentro do personagem, faz diferença.

A história é simples, trata-se de um programa de televisão que vai cobrir as atividades de um corpo de bombeiros. Sendo assim, os primeiros quinze minutos do filme parecem mesmo um programa de televisão até que os bombeiros recebem uma chamada e aí começa nossa aventura através dos olhos do cenagrafista do programa que tenta registrar todos os estranhos fatos que estão acontecendo num prédio de onde a chamada dos bombeiros foi feita.


– O não! O que é aquilo lá no alto?!
– Oh, eu não sei… mas parece o… o… o teto!

Apesar de se tratar de um filme espanhol a pegada é bastante hollywoodiana, a única diferença está mesmo no roteiro. É uma história de zumbi, então de certa forma agente sempre sabe o que vai acontecer, mas a maneira que as coisas acontecem aqui são bem legais.

Uma pequena curiosidade é que o filme tem apenas cerca de uma hora e dez minutos. Isso acaba não fazendo diferença, já que o filme é bem montado o bastante para que a história acabe no tempo certo, sem ser curto demais ou longo demais. Uma versão estadunidense do filme tem previsão de estrear por aqui em 5 de dezembro com o nome de “Quarantine“. Por outro lado, se você acabar ficando satisfeito com a versão espanhola prepare-se pois uma continuação deve estrear nos cinemas espanhóis e na internet no ano que vem.


– Parem de usar boas idéias de maneiras idiotas, seus
filhos da mãe do entretenimento!


Se você gosta de filmes de terror, você vai gostar bastante desse filme. Já se não gosta vai se surpreender, já que o clima e a imersão proporcionados pela câmera em primeira pessoa o tempo todo e o clima rápido e interessante com que a história se conduz fazem desse um filme bom, e não só um filme de terror. Realmente não há nada como usar a idéia certa para a idéia certa do jeito certo.

O Procurado (Wanted)

Nos últimos tempos os senhores da terra mágica de Hollywood descobriram que os quadrinhos são uma fonte de idéias para filmes lucrativos. Desde então, foram feitas várias adaptações que mais ou menos contavam a mesma história que os quadrinhos contavam. O Procurado (Wanted) também é uma adaptação, mas é uma adaptação diferente. Aqui, o filme empresta dos quadrinhos apenas algumas idéias básicas e tenta criar uma coisa inteiramente nova com uma personalidade própria. O resultado é um filme de ação moderno, divertido e com estilo.

A história fala sobre um cara comum, que tem um emprego normal e que se sente sufocado com a rotina dos dias e da vida moderna, como se não estivesse no lugar certo, vivendo uma vida que não é a dele. Um belo dia ele descobre que seu pai, que tinha abandonado ele e a mãe quando ele ainda era uma pequena criança bebe, era o melhor assassino de uma fraternidade de assassinos. Além disso ele fica sabendo que o papi desaparecido foi assassinado na noite anterior e que agora é hora dele seguir seus passos (uia!). O filme segue contando mais sobre a fraternidade de assassinos e da busca do nosso amigo por vingança contra o cara que matou seu pai. Daí até os creditos finais temos reviravoltas, explosões, perseguições de carros e outras coisas.

A história é mesmo baseada em quadrinhos, então temos que perdoar certos equívocos e estlizações. Algumas coisas ficam legais, mas outras, quem for mais chato, vai ficar reclamando que o filme é cheio de erros ou que as pessoas ficam fazendo coisas impossíveis. Por exemplo, a fraternidade de assassinos existe há não sei quantos milhões de anos e o destino diz a eles quem eles devem matar através do tecido que é feito numa certa máquina, o tal tecido tem umas falhas que são interpretados como zeros e um, gerando um código binário que é convertido em letras. A questão é que o código que converte números binários em letras (o código ASCII) só foi inventado recentemente. É claro que o filme poderia se defender dizendo que como tudo é mentira, eles é que na verdade inventaram o código ASCII há milhões de anos atrás. A questão no entanto é que isso simplesmente não improta. De jeito nenhum. É uma viagem, é um filme, é uma mensagem e no final é isso que vale. O filme cumpre o objetivo de divertir e de dizer algo enquanto diverte.


– Sunsê vai murré… sunsê mexeu na minha bicicreta… seu cabra

Uma outra coisa que é legal comentar é que o diretor do filme não é um estadunidense, o que pode de certo modo mostrar de onde vêm as câmeras e a utilização de flashbacks diferentes que fogem a escola hollywoodiana de cinema. Seu nome é Timur Bekmambetov, que tem em suas mãos um elenco talentoso, que garante ao filme carisma e credibilidade.


– Me chama de bicuda de novo, seu cabra que eu lhe tiro um
filete de coro… na bala!


O Procurado é mais um filme que adapta uma revista em quadrinhos, mas se preocupando mais em criar algo original, com uma cara própria. Com um diretor criativo e um elenco de qualidade, o filme cumpre o que se espera de um filme de ação desse tipo, além de de quebra arriscar com coisas novas. Não é o melhor filme de todos os tempos, mas é um dos melhores da temporada.

É engraçado como acontece com frequência de algo que as pessoas julgavam mal, ou não davam qualquer crédito acabar se tornando algo gradioso, o centro das atenções, a salvação de uma era. Até mais ou menos a metade dos anos 80, os quadrinhos eram vistos como algo infantil, voltado para um público especifico, um mercado limitado de onde não seria possível extrair mais. Essa imagem começou a mudar quando algumas publicações nessa época passaram a tratar das histórias e dos persongens com mais profundidade, tentando ir além do super-herói bonitão que consegue fazer tudo, das coisas sempre dando certo e dos mundos onde tudo é perfeitamente belo e seguro. Uma das publicações responsáveis por trazer essa nova visão tinha o nome de “The Dark Knight Returns” e contava os últimos dias da vida do Batman. O nome original de “Batman – O cavaleiro das trevas” é “The Dark Knight” e de certa forma esse filme tenta fazer pelos filmes de quadrinhos o que seu “primo de nome” ajudou a fazer pelos quadrinhos e se formos analisar pela bilheteria, parece que ele conseguiu.

Primeiramente, vamos falar dos aspectos técnicos e eles são bons. Christopher Nolan é um diretor talentoso, só precisa ver mais filmes de ação e tomar mais cuidado com a montagem das cenas desse tipo, já que não é legal um personagem atirar para um lado e a câmera no take seguinte mostrar o tiro indo pro outro. Em comparação com “Batman Begins” existe uma evolução visível, tanto na composição da cidade que dessa vez é uma cidade mesmo e não um beco sujo com iluminação de bar noturno, quanto na desenvoltura dos personagens. “O Cavaleiro das Trevas” é nitidamente um filme melhor, inclusive no roteiro, escrito dessa vez pelo diretor e por seu irmão Jonatan Nolan. Dito isso, podemos ir em frente.


– Senhor, porque estamos olhando pro lado com cara de “você peidou, né seu putinho?”
– Eu não sei, eu sou o batman, sou um cara complicado…

Geralmente quando falam demais de uma coisa, ou fazem muita propaganda é importante manter certo ceticismo. Esse filme foi muito comentado, falaram isso, aquilo, atores pra ganhar oscar, cenas de ação isso, história aquilo e tudo mais, mas e agora? No final o filme faz jus aos elogios que recebeu, mas não é perfeito e de alguma forma tem algo estranho com ele.

Existe sim uma postura diferente na maneira de se contar uma história de super herói, existe uma cidade de verdade, existe uma tentativa de crítica por trás do roteiro, existe uma imagem de vilão e de super herói que vai além de uma máscara ou uma roupa colorida, existe uma história em quadrinhos que pode ser apreciada por qualquer pessoa que goste de um filme de ação e aventura. Sò que ao mesmo tempo, ao lado de tudo isso, o filme aceita se vender, aceita fazer o chamado “fan-service”.


Aaron Eckhart, como o promotor Harvey Dent, o Duas Caras
– Ai, cadê a morcega que não aparece, to com uma saudade dela!

É claro que isso não é tão ruim já que um filme deve ser divertido, deve entreter, deve dar o que o público espera. O problema é que ao fazer isso parte da alma do filme se perde, ele passa a ser uma realização comercial e não uma realização artística. Como eu disse existe arte, existe aquele tratamento dado as coisas, mas tudo é devidamente escondido e tímido para que uma pessoa comum assista ao filme, veja tudo explodindo e não perceba nada, não se sinta verdadeiramente questionado, não pegue mensagem nenhuma, termine o filme com a impressão de que é só mais um filme de revista em quadrinhos. Esses problemas de tornar tudo comercial acaba provocando algumas contradições e momentos onde somos lembrados que esse é um filme de super herói e não apenas um filme que conta uma história sobre um cara que quer salvar a sua cidade com as próprias mãos. É um filme bom, realmente acima da média e de qualquer adaptação de super herói já feita para o cinema, mas com grande tendência a ser só isso.

Sobre o tão comentado Coringa de Heath Ledger, se no filme de 1989 tínhamos um Coringa inteligente que era louco, aqui temos algo mais próximo de um maníaco parente do Jack Sparrow. São tipos diferentes, são opções diferentes e se pensarmos dentro do que é esse filme, algo mais aparentemente profundo do que algo profundo de fato, é a escolha certa. Com relação a atuação do ator australiano, é sim uma boa atuação, mas que perde em naturalidade em alguns momentos, falta tom e talvez porque as frases mais fortes dele já terem sido colocadas nos trailers quando elas aparecem no filme seu impacto é menor e pode até parecer deslocado, mas é bem provável que isso tenha sido muito mais uma opção do diretor do que do ator.


Heath Ledger, como Coringa e Gary Oldman como Jim Gordon

A proposta de fazer um filme baseado em quadrinhos mostrar que ele pode dizer mais e ir mais além é cumprida. Esse é um filme bom, que aponta para uma direção nova, que deixa o “Homem de Ferro” e o novo “Hulk” com vergonha, mas que não se importa se tiver que se contradizer ou desfarçar as coisas se a crítica de seu roteiro se tornar pesada demais. Um filme bom para os dias hoje, mas que está mais preocupado em ser um sucesso comercial do que uma realização artística que quer mesmo dizer o que aparenta dizer.

Mais uma vez começamos com trocadilhos sem graça (já vão começar a achar que nas horas vagas escrevo roteiros da Praça é Nossa), mas mais uma vez o trocadilho é justificável. Superbad é uma comédia realmente boa e por um motivo muito simples, ela não faz o que todas as comédias que retratam adolescentes costumam fazer, como mostrar personagens colocando suas partes intímas em tortas ou coisas do tipo. Aqui são mostrados personagens que passam por uma história irreal, mas que bem que podia acontecer com qualquer um que já foi adolescente um dia.

O filme fala sobre Evan e Seth, dois amigos que estão em seu último ano na escola, faltam apenas poucos meses para eles se formarem e eles ainda não são populares, não tem as garotas, e por um motivo que eles mesmos não entendem, eles querem tudo isso. Eis então que surge uma festa e como todos da escola são menores de idade não poderão comprar bebidas alcóolicas, a menos que alguém tenha um documento falso mentindo a idade e aí que surge o terceiro amigo deles, Fogell, vulgo Mclovin. O filme conta toda a aventura dos três para conseguir comprar as bebidas, chegar na festa, ser adorado pela mutidão e ganhar suas garotas, passando por policiais malucos, atropelamentos, outras festa e mais. É uma premissa bem simples, mas não tem necessidade de nada mais complicado pro tipo de história que se quer contar.

O filme tem um humor inteligente baseado nas falas dos personagens e não em peidos, tombos e coisas desse tipo. Uma das primeiras cenas do filme que mostra Evan conversando com a menina por quem seu coração palpita ilustra bem esse tipo de humor do filme. Nessa cena (não tenha medo de ler, não vai estragar nada) ele descreve como são os fins de semana dele com os outros amigos dele, mas falando como se fosse incrível, cheio de aventuras e emoções, porém ao mesmo tempo em que ele fala vão aparecendo cenas dessas tais aventuras deles que mostram que as coisas não eram bem assim o que ele estava dizendo, apesar de o que ele estar dizendo ser verdade.


Seth (Michael Cera, o cara que engravidou a Juno), Fogell/Mclovin (Christopher Mintz-Plasse) e Evan (Jonah Hill)

O mérito do filme se divide em duas partes, na seleção de elenco e no roteiro. Como eu já disse, a história não tenta fugir do real e não trata o telespectador como se ele fosse um idiota. São situações, personagens e díalogos que fizeram de Seth Rogen o roteirista de humor da vez em hollywood. Seus filmes anteriores também tiveram boas recepção de crítica e público, mas pra muita gente, incluindo esse mamífero que vos fala, esse é o melhor trabalho dele. Ele inclusive está no filme como um dos policiais malucos.


Oficial Slater (Bill Hader) e Oficial Michaels (o sr roteirista Seth Rogen)
analisando o documento falso

A seleção de elenco não poderia ser melhor, cada um dos personagens principais consegue estar lá com sua personalidade própria, com seu carisma e tudo mais. Fogell, ou Mclovin para os intímos, incluisve faz um personagem daqueles que vai virar citação em um monte de lugares e vai ter sempre alguém pra lebrar dele e da sua carteira de motorista falsa. Essa tal carteira falsa fez tanto sucesso que vinha junto com algumas edições do DVD do filme, infelizmente essa versão com o documento falso foi recolhida por não atender aos bons costumes americanos.

Algo interessante no roteiro do filme é a maneira que a amizade entre Seth e Evan é retratada. Aqui vale mais uma vez aquela história de que não estamos vendo dois personagens que por conveniência de história são amigos, a construção mostra uma amizade de verdade o que ajuda a passar credibilidade as coisas pelas quais os personagens passam e os sentimentos que eles tem dentro deles. De certa forma essa é uma daquelas comédias que se não fosse comica seria trágica.


Superbad não é uma comédia que uma criança vai entender, também não é a comédia que vai ser a favorita daquelas pessoas que na sua adolescência foram capitãs do time de futebol, o que não quer dizer que eles não vão gostar. Mas essa é uma comédia feita especialmente para aquelas pessoas que saíram daquela insegurança adolescente e conseguem olhar pra um filme como esse sabendo que tudo vai dar certo no final, que Seth e Evan tem tudo isso agora na cabeça deles, mas que depois tudo isso vai passar. Vai ficar tudo bem e no final eles vão olhar pra trás e ver que as coisas não eram assim tão “Superbad”.

| Site oficial | trailer no Youtube | já nas locadoras e à venda em DVD

Estamos um pouco atrasados, provavelmente você não vai conseguir encontrar o filme ainda em cartaz nos cinemas, mas em breve o DVD vai estar nas locadoras e como estivemos fora e perdemos essa estréia e esse é um filme que faço questão de comentar, aqui estamos.

Primeiramente se você deixou de ver o filme no cinema perdeu a chance de ter uma experiência única em termos de filme de ação, nesse caso em especial de um filme corridas. Você pode imaginar o que esperar se viu a trilogia Matrix e se lembra de como se sentiu ao ver as cenas de ação dos três filmes. Mesmo hoje em dia, quase dez anos depois, aquelas cenas de ação estão muito além do que geralmente se faz quando resolvem colocar uns personagens pra brincar de lutinha.

Essa expecctativa estava em boa parte das pessoas que sabia que essa adaptação do anime da década de 60 vinha das mãos dos criadores da trilogia, os irmãos Wachowski. Muita gente esperava um “novo Matrix” e acabaram se decepcionando ao ver que os irmãos não estavam interessados em repetir um estilo, em repetir um conceito, eles queriam algo diferente, mas que tivesse o toque de talento que eles possuem. O filme é colorido, é estilizado, é algumas vezes frenético e para aqueles que conseguirem passar pelo preconceito desses apectos e entrarem no clima do universo criado, é mais um desses filmes que daqui 10 anos ainda vai estar à frente do seu tempo.

O filme não tem o mesmo tom sério e sombrio de Matrix. A intenção é fazer um filme família, cômico, que consiga além disso extrair do desenho a sua alma. Muitos cineastas e alguns atores tentaram levar uma adaptação de Speed Racer para o cinema, já que a história tinha mesmo um grande potencial, tinha até um projeto que envolvia o Tom Cruise (?!). Ao ver essa adaptação, esse filme como foi feito, é difícil não dizer que eles de fato conseguiram captar a alma do desenho, trazendo tudo para uma época mais atual e criando um mundo que nem sempre parece de verdade mas que ainda assim se pode acreditar.

Você pode me perguntar “Ah… mas se o filme é tão bom assim, porque não foi um sucesso tão grande quando… ahn… o Homem de Ferro?”. É, a resposta é que por ser uma coisa tão diferente, tão à frente do que normalmente se faz, por de certa forma exigir um pouco mais de percepção artística da pessoa que assiste, o filme não fez o mesmo sucesso que o filme de explosão, frases fáceis e decerebradas de Homem de Ferro, que não é ruim, mas é quase um fan service.

Sobre a história, o filme conta a vida da família Racer. Speed desde de pequeno só pensava em corrida ainda mais porque seu irmão era um corredor. Diante de circunstâncias misteriosas o irmão dele morre depois de um acidente numa corrida. Speed cresce, segue os passos do irmão e acaba virando um piloto tão famoso quanto ele, aí surge a porta para um mundo de grandes corridas, onde grandes empresários tentam manipular o resultado das competições para lucrarem. Cabe então ao nosso herói trazer esses senhores malvados diante da justiça com a ajuda de algumas pessoas que ele vai conhecer durante a história e da própria família Racer.


Com relação aos atores a seleção foi muito boa e é legal ver atores como Matthew Fox (o Jack do Lost) que faz o corredor X, ou Emile Hirsch que faz o Speed, ou o ator/músico coreano Rain que faz o corredor Taejo, tendo uma chance de aparecer e fazer parte de um filme como esse. Ainda sobre os atores, Paulie Litt, que faz o irmão mais novo do Speed, e o macaco da família, toda vez que aparecem roubam a cena.


Se você gosta do desenho antigo, ou se gosta de filmes de ação que tentam propor novas idéias e não se importa em entrar em mundos criados apenas para um filme você vai gostar muito de Speed Racer. Agora se você viu Homem de Ferro e acha que é a melhor coisa do mundo, você também vai gostar de Speed Racer, talvez não seja o melhor coisa do mundo pra você, mas com certeza se você parar pra ver vai gostar.

site oficial || um dos trailers no You Tube


Pleasantville

Pleasantville foi lançado em 1998, foi a estréia na direção de Gary Ross, que também foi o responsável pelo roteiro. Pra quem nunca ouviu falar, esse cara é o roteirista de “Quero ser grande”, aquele filme com o Tom Hanks onde ele faz um pedido pra uma máquina pra ser um adulto e ele acaba conseguindo, e acaba tendo um monte de problemas porque apesar de ter um corpo de adulto ele ainda é uma criança que não estava pronto para o mundo dos adultos, aí um monte de coisas acontecem e blá blá blá. Você deve ter visto pelo menos uma vez na sessão da tarde. Em Pleasantville, o sr Gary mais uma vez distorce um pouco o conceito de realidade pra contar uma história que fala de coisas reais. E mais uma vez o resultado consegue ser bastante original e divertido.

Sem dar muitos detalhes, o filme conta a história de dois irmãos gêmeos que estão no último ano da escola, um menino sem confiança em si mesmo e uma menina que não se importa em abrir as pernas para ganhar popularidade. Os dois vão parar dentro do “universo” da série de tv fictícia Pleasantville, que no filme tinha ido ao ar nos anos 50 e estava em reprise. Eles vão parar lá dentro através de um controle remoto misterioso que é entregue por um senhor também misterioso que surge de forma, ahn… misteriosa, quando eles ao discutirem destroem o controle remoto original da televisão.

Ao chegarem nesse novo universo a primeira coisa que percebem é que todas as coisas não tem cores, tudo é em preto e branco, exatamente como era a série quando vista na TV. Nem mesmo os dois tem cores e ao entrarem nesse universo eles assumem o papel de dois personagens da série, que assim como eles, eram irmãos.


Os irmãos (Tobey Maguire e Reese Whiterspoon ilustres desconhecidos na época)
– Mare Jane, aquele terceiro filme foi uma afronta aos outros dois da série
– Hum…. quem é Marie Jane?

Por se tratar do universo da uma série dos anos 50, encontramos todos aqueles estilos e tipos dessa época que representam o “american way of life” como era vinculado na televisão. Isso significa esposas perfeitas que sempre fazem o jantar, conversas sempre sorridentes, jogadores de basquete que nunca erram as cestas e algumas outras coisas que eram passadas. O sr Gary, no entanto, leva essa idéia um pouco além, explorando o conceito de que o que não era mostrado nessas séries, ou seja na realidade que eles mostravam, simplesmente não existia.

Essas séries dos anos 50 jamais falariam, por exemplo, de pessoas indo no banheiro e o que elas faziam no banheiro, o que quer dizer que no universo de Pleasantville, não existe banheiro. Essas séries também sempre se focavam e mostrar a realidade local, como se nada existisse no mundo, como outras cidades ou outras culturas ou qualquer coisa assim, então no filme a estrada da saída da cidade leva à entrada da cidade, como se fizesse um circulo. Na biblioteca todos os livros estão em branco, porque nessas séries não se discutia literatura. E o conceito é levado ainda mais a sério, mostrando que essas séries não falavam de sexo de modo que as pessoas em Pleasantville não sabem o que é sexo, ou mesmo o que é amor de verdade.

Com esse pano de fundo temos então nossos dois irmãos que não conseguem ser “perfeitinhos” como todos da cidade. E a presença deles faz as pessoas mudarem, questionando porque elas seguem sempre a mesma rotina, afinal de contas o que é normal para um personagem numa série, especialmente as dos anos 50, não é normal para uma pessoa e a medida que os personagens vão se descobrindo eles vão se modificando, deixando de ser “personagens” e virando “pessoas de verdade”. Aí entra a sacada visual do filme, essa mudança é representada pelo surgimento da cor, as pessoas que mudam, começam a ficar em cores.


o filme tem muitos bons atores, acima Joan Alen e Jeff Daniels
– Debi, é você? Onde está o Lóide? E a loja de minhocas de vocês, que fim levou?

Depois temos um monte de coisas acontecendo, pessoas em preto e branco tentando por um fim as cores e todo um questionamento que basicamente nos mostra que ser uma pessoa em cores é ser uma pessoa verdadeira consigo mesma, justa consigo mesma, que aprendeu, que se superou e etc.


Se você gosta de filmes com histórias diferentes e não se importa com histórias que fogem um pouco da realidade pra passarem a sua mensagem, ou se simplesmentevocê quer um filme legal pra ver no feriado e que não contenha carros explodindo e alguém gritando “Seus maníacos!”, Pleasantville é muito, muito recomendado.


Charlie Bartlett

Filmes de escola sobre pessoas tentando achar seu lugar no mundo existem aos montes, especialmente nos 80. Esse é um gênero bastante visitado porque qualquer mamífero pensante que vive em sociedade já passou por isso. Vendo pelo lado dos cineastas, que certamente não devem ter sido populares na escola, (Steven Spielberg, por exemplo, não deve ter sido o capitão do time de Basquete, dá só uma olhada na foto dele quando tinha 7 anos ), deve ter um gosto a mais tratar do tema “pessoa legal que não é popular, que ninguém dá a mínima, que acha que está sozinha no mundo e que acredita estar enfrentando os últimos e piores dias da sua existência”. De certa forma esses filmes são importantes por mostrarem a essas pessoas que elas não são as únicas a se sentirem assim e que no final vai dar tudo certo.

No final de fevereiro desse ano, chegou aos cinemas estadunidenses Charlie Bartlett, dos estreantes Jon Poll (pela primeira vez na direção) e Gustin Nash (roteiro). Esse é mais um filme desses de escola e trata de um tema que é bastante comum nesse universo escolar de pessoas em formação: ajuda psicológica. O personagem que dá nome ao filme, o Charlie, é um garoto rico que mora só com a mãe e tem problemas disciplinares que o fazem ser expulso de um monte de escolas particulares, o que faz com que ele acabe indo parar em uma escola pública. Lá, ele alcança a tão sonhada popularidade depois que se torna o “psicólogo” da escola, ouvindo os problemas dos outros alunos e ajudando, ou tentando ajudar, como pode.

O enfoque não está nos problemas dos outros nem no que o sr Charlie diz para ajudá-los, mas sim na pessoa que ele é e porque ele consegue ajudar os outros, o que ele viveu e pensa e como ele pode ser o “conselheiro” de alguém. O roteiro, somado com a atuação de Anton Yelchin, passam uma veracidade ao personagem que se encaixa com a proposta do filme. Ele não soa como um gravador que fica tocando frases feitas, mas também não tem a profundidade de um Hamlet, o que dentro do contexto do filme, nem precisa ter.

Outra idéia explorada é a de que todos precisam de ajuda psicológica, já que todos temos problemas e saber lidar com eles não é algo sempre tão fácil. Ninguém, ao contrário do que a novela das oito diz, tem uma vida perfeita, sem problemas, depressões, decepções e etc. O personagem de Robert Downey Jr (vamos ouvir falar bastante dele, já que ele é o Homem de Ferro, que estréia por aqui em 30 de abril) mostra exatamente isso. Ele faz o papel de um diretor recém nomeado que se divorciou há pouco tempo depois de descobrir que a sua mulher tinha outro homem. Ele também tem uma filha adolescente (que é a menina por quem Charlie vai acabar se apaixonando) e devido a decepção amorosa, acaba virando alcoolatra.

Olhando assim pode parecer que o filme é pesado e sério, mas não é nada disso. Todos os temas são tratados de uma forma leve, muitas vezes cômica, mas não irresponsável, mais ou menos como os filmes de escola dos anos 80 costumavam fazer.


– O senhor conhece o Mario?
– Mario? Mas que Mario?

Certas coisas aqui e ali poderiam ter sido feitas de outra forma ou exploradas melhor, já que o tema escolhido é bastante rico. O problema é que se isso fosse feito, teríamos um filme mais sério e mais pesado, mudando totalmente seu público alvo e estilo, o que provavelmente não era a intenção dos seus criadores.

Então, se você gosta de filmes de escola, gosta de roteiros que não reutilizam fórmulas e se preocupam em passar alguma credibilidade aos seus personagens tratando temas sérios, mas de forma leve, despreocupada e responsável, ou se simplesmente gostava daqueles filmes de escola dos anos 80, você vai gostar de Charlie Bartlett.

Você pode clicar aqui pra ver o trailer.

Jumper

Doug Liman, o diretor de “Jumper”, é um cara estranho. Ao mesmo tempo em que nos tráz coisas como a trilogia Bourne, também é um dos nomes por trás da série “The OC“. De certo modo, esse seu mais recente trabalho, é um pouco das duas coisas, o que quer dizer que às vezes é bom e às vezes é uma pena.

Apresentando resumidamente a idéia da coisa toda, o filme fala sobre um menino que descobre que é um “jumper”, isso é que tem o poder de se teletransportar. Ele tem problemas em casa, foge de casa, cresce e se torna um garotão à margem da sociedade, se transportando pra todos os lugares do mundo, roubando bancos, surfando e fazendo pic nics na cabeça de monumentos históricos. O conflito surge quando um grupo de malucos que perseguem essas pessoas que conseguem se transportar o encontra e ele é obrigado a voltar a cidade onde nasceu pra se esconder. Lá reencontra seu amor de infância, leva ela pra passear e conhece outro jumper. Temos então cenas de ação, revelações bombásticas, mulheres indefesas que precisam ser salvas, vilões malvados e etc.

No lado do filme que lembra mais os filmes da série Bourne (Identidade, Supremacia e Ultimato, sendo que Liman só dirigiu o primeiro, nos outros só foi produtor), as cenas de ação conseguem ser criativas e de certo modo empolgantes. Com toda a qualidade de produção disponível, isso é, efeitos, iluminação, som e etc, o filme não faz feio nesse quesito, mas também não revoluciona, como poderia fazer tendo em vista todo o potencial do universo apresentado. Devo dizer que fiquei pensando como tudo isso poderia ter sido melhor se os responsáveis fossem, por exemplo, os nossos queridos irmãos Wachowski da série Matrix. De qualquer forma, esse é o lado bom do filme.

O lado ruim é o lado que lembra a série “The OC”. Em primeiro lugar, quero dizer que “The OC” não é a pior coisa do gênero que pertence, mas, como sabemos, ser o menos feio não faz de você bonito. O filme possui problemas de construção de roteiro e de profundidade de personagens, especialmente no relacionamento do nosso garotão saltador e do seu amor de infância. A tal garota veio por coincidência do seriado OC e inclusive parece repetir o mesmo papel que fez na série, tirando, é claro, que no filme ela não é uma pobre garota rica cheia de problemas “mó barra”, mas sim uma criatura sorridente que reencontra seu amigo que achava até então estava morto há 8 anos, como se tivesse visto ele no dia anterior. E digo só isso pra evitar não contar demais. Um pouco mais de atenção no roteiro e de preocupação em direção de atores, poderia tornar o filme algo mais completo.

Apesar de tudo, “Jumper” é um filme que consegue divertir e que merece mérito pela originalidade do que propõe, sendo baseada no livro de Steven Gould de mesmo nome. Uma continuação já está confirmada e como continuações que surgem porque aquele filme que o estúdio considerava “mais ou menos” fez bonito nas bilheterias e mereceu uma continuação, costumam ser melhores, já que é sempre fácil fazer algo ser melhor do que algo “mais ou menos”, talvez esse segundo filme leve o universo apresentado até onde ele pode ir.

Um diversão boa, passável, que vai ficar na sua cabeça por uns dias e depois vai ser esquecida. Uma pena que poderia ter sido bem melhor. Aguardamos pela continuação, com pé atrás, devido a equipe ser a mesma, mas com esperança. Quem sabe eles não ligam pros Wachowski, nem que seja pra pedir uns conselhos?

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Clique aqui pra ver uma entrevista com o elenco, feita pelo Omelete

A direção de arte é um daqueles elementos importantes que na maioria das vezes vai passar despercebido pelo consciente da pessoa, já o inconsciente dela, observa todos esses detalhes e os soma aos pontos de quanto aquilo entretem e diverte. Para dar alguma definição, a direção de arte é algo como a responsável por centralizar todas as peças artísticas de uma obra qualquer para que tudo faça parte de forma convincente de um mesmo universo. Parece complexo, mas é bem simples.

Um exemplo bem fácil é pegar um filme de faroeste. As roupas não podem ser de ingleses da era vitoriana com perucas brancas e felpudas. Os cenários não podem ter notebooks, geladeiras, televisores e coisas que não existiam nessa época. Seria necessário saber escolher os elementos que vão existir em cada cenário para que ele pareça de verdade um cenário do faroeste, incluindo as sujeiras no chão e as cores das coisas.

A direção de arte ainda vai além desses elementos físicos das cenas, poderíamos encontrá-la no estilo das letras dos créditos que vão aparecendo quando o filme começa e quando ele termina, repare depois como as letras e mesmo a forma que elas aparecem em qualquer filme atual retrata o clima do filme. A própria fonte do título do filme no cartaz e todo o material de divulgação, costumam seguir um mesmo estilo.

Outro aspecto é a trilha sonora, por exemplo, todo mundo conhece aquela velha musiquinha de velho oeste “tu turuuuuu, ua ua ua…. tu tu ruuu… ua, ua ua ua …”. Ok, escrevendo assim fica um pouco difícil, então não fique nervoso e clique aqui pra ouvir. Bem melhor, não? Ouvindo essa música dá até pra ver as bolas de palha passando, a areia sendo levantada pelo vendo e um pássaro gritando ao fundo. É mesmo uma música de faroste.

Todos esses conceitos também são encontrados em jogos. Veja como o menu, as cores a trilha sonoras de um jogo de esporte tem clima de esporte enquanto que o os de um jogo de RPG tem clima de fantasia também sempre coerente com a história do jogo.

Falamos aqui de um exemplo um tanto quanto duro do que pode ser direção de arte, mas o conceito pode ser bem maior conforme o tipo do projeto que estamos fazendo. Podemos pensar num filme como Matrix.

Repare nas roupas, na cor esverdeada que o filme tem, nos cenários e na trilha sonora. Ali não se está tentando recriar uma atmosfera que já existe num consciente coletivo, que tem referências históricas e tudo mais, em Matrix se está criando um novo ambiente, apresentando um novo universo, que é coerente com a história do filme e fazer ele ser convincente, imersivo e divertido é mérito da direção de arte. Imagine sem em Matrix tocasse forró

Podemos citar outros exemplos como as cores escuras e os ambientes sujos de Batman Begins, ou o estilo gráfico de Zelda Twillght Princess, ou ainda o estilo moderno de Halo 3, ou o ainda inédito filme do Speed Racer e tantos, tantos outros.

A próxima vez que estiver vendo um filme, ou jogando alguma coisa, tente perceber esses detalhes. A direção de arte é muito menos invisível do que parece.

Juno

Lembra aquela história do alfaiate que precisava fazer uma roupa para o rei e aí quando aparece para mostrar a roupa não leva nada dizendo que a roupa é feita com um tecido especial, um tecido que só as pessoas inteligentes podem ver? Na história, como ninguém quer ser burro, todo mundo diz que está vendo a roupa, que ela é linda e tudo mais, quando na verdade não tem nada ali, era só um truque, uma jogada com a suposta inteligência dos outros. Juno é um filme assim.

Por precaução, eu costumo duvidar de tudo que é unânime até que se prove o contrário. Eu ouvi muita coisa sobre esse filme, até que era o novo “Little Miss Sunshine“, inclusive, se você tiver a chance veja esse, esse não é feito com tecido que “só-os-inteligentes-podem-ver”, vai valer a pena.

Sentei, comecei a ver. Comecei a perceber que tinha algo errado. Institivamente comecei a sentir vontade de ir embora logo nos primeiros minutos. Me forcei, fiquei um pouco mais, gosto de dar uma chance as coisas. Não aguentei. Vi o suficiente. Saí e senti alívio ao sair. Tinha um rei pelado lá dentro e aparentemente ninguém percebia.

Os problemas do filme vão desde um roteiro pseudo inteligente, que tenta parecer ser alguma coisa, sem de fato ser, se baseando em frases de efeito sem profundidade. Já os personagens não tem evolução coerente, não parecem ser eles mesmos que dizem as próprias falas, se levarmos em conta suas próprias ações durante o filme. Além disso a edição extremamente repetitiva, com esses “incríveis” díalogos sendo disparados em velocidade, como se tivessem vergonha de si mesmo e quisessem passar rápido, são a cada 5 minutos interrompidas por uma canção indie genérica, dessas compostas por 3 notas de violão e uma voz de quem acabou de acordar, falando sobre como tudo é “mó barra”, e ao fundo temos uma tomada em movimento.

Acabei vendo o final depois, já que pra poder escrever aqui era bom saber se no final o rei mostrava que estava pelado, mas não mostra. A história enverada por mais elementos “mó barra”, ainda mais incoerentes, tornando a coisa um dramalhão desnecessário. E o que mais me decpciona é esse filme ter sido indicado para Oscar de melhor filme, melhor direção e melhor atriz e ainda ter vencido o de melhor roteiro original. Cada vez mais parece que hoje em dia é muito melhor você parecer ser do que realmente ser.