Em junho de 2013 um aumento da passagem de ônibus em São Paulo acabou gerando um efeito dominó que causou uma série de protestos e discuções políticas a respeito de quem o Brasil era, de como seu povo se sentia e como queria ser e sentir.

O documentário abaixo registra, na medida do possível, o que aconteceu durante aqueles dias. Lembrei desse documentário por causa da greve dos caminhoneiros.

Acho curioso ver como as coisas não se resolveram, como os políticios continuam despreparados e desrespeitosos e como as pessoas continuam carregando uma insatisfação grande com tudo que não consegue ter unidade o suficiente pra virar de verdade uma idelogia.

The Fall é um desses jogos indies feitos com talento, que consegue equilibrar a falta de recurso com estilo pra criar um tipo de jogo que não é tão comum de ser feito hoje em dia, ao mesmo tempo em que atualiza conceitos e faz algo próprio no processo.

Desenvolvido pelo estúdio Over The Moon, esse é um jogo de ação e exploração 2D, com gráficos em 3D que mistura conceitos de metroidvania, com puzzle, um pitada daqueles adventure point-click, embalado num sci-fi suspense, escuro quase terror, que lembra alien.

Não é um jogo um jogo longo e grande parte da diversão dele está na narrativa. A maneira que a história começa e vai se desenrolando e como os personagens que surgem vão interagindo com você. Os personagens são dublados e os diálogos bem escritos, com ritmo legal, conseguindo conduzir a história sem ser enfadonho ou ficar com explicações e direcionamentos duros.

A direção de arte também é bem legal, brincando naquele estilo dos filmes da série Alien, com tecnologias ultra futurísticas que ao mesmo tempo tem interfaces com terminais de texto.

Esse jogo é a primeira parte de uma trilogia. A segunda parte já está disponível e a última deve sair no começo do ano que vem.

Até onde eu vi a segunda parte não fez “os críticos” muito felizes, mas sei lá também, as pessoas constumam ser muito chatas com tudo, ainda mais hoje em dia que tem um jogo bom sendo lançado no steam a cada 30 segundos. Pretendo jogar a parte 2, assim que tiver uma boa promoção XD.

The Fall está disponível para Windows, Mac OS X, Linux, Wii U, Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One.

O podcast indicado de hoje é uma série de episódios do podcast Freakonomics Radio.

É uma série onde eles entrevistam e analisam CEOs de grandes empresas, tipo Microsoft, Pepsi, Facebook e outros. Vale a pena tanto as entrevistas em si quanto os programas que tentam traçar paralelos entre as pessoas e suas histórias.

Pra ouvir é só buscar o freakonomics no seu aplicativo de podcast favorito, mas se você preferir ouvir direto no navegador, tem um link direto já pros podcasts dessa série, clicando aqui, ou na imagem abaixo.

Pessoas: 20 — Ela que colocou fogo

Ela só se deu conta do que tinha feito depois de deixar de sentir o palito de fósforo em seus dedos e passar a sentir o calor dos papéis queimando. Uma pilha de memórias acesas, sendo desfeitas numa noite fria, no pequeno quintal da casa de seus pais.

A irmã pequena olha pra ela sem entender muito bem o que acontece, mas ajuda a irmã mais velha conforme ela pede, passando os cadernos e papéis que ela joga na pequena fogueira que continua queimando. Existe algo hipnótico no fogo, existe um aconchego vindo do calor. Existe um ar de fantasia por ela ser capaz de ainda ler algumas palavras dos papéis que queimam, reconhecendo a própria letra e o trecho que aos poucos se consome no calor.

Ela está queimando seus diários. É um ritual. É um ritual que ela inventou pra ela própria. Um ritual de passagem. Ela quer deixar pra trás aqueles anos e aquelas pessoas. Mais do que os anos e as pessoas, ela quer deixar pra trás ela mesma e as reflexões e inseguranças que tinha registrado naqueles cadernos agora queimando.

Aqueles cadernos pesavam em quem ela era. Como se existisse uma ligação com aquele personagem que ia além do mero relato das coisas que aconteceram. Ter ali escrito os pensamentos e as histórias criava uma camada de vaidade, de reverência, uma solidez artificial. A forma escrita fazia com que ela desse mais importância para aquilo tudo do que aquilo tudo merecia. As conquistas eram maiores e as depressões também, simplesmente porque estavam escritas.

Não ajudava também ela ter o hábito de voltar para ler as coisas que tinha escrito de tempos em tempos. Sentia algumas vezes uma certa satisfação por se ver com problemas e coisas, por ver que a sua história ali escrita descrevia um personagem do qual as pessoas deveriam ter pena e apresso. Ora, olha só como ela sofre. Ora, olha só como ela só tinha a melhor das intenções. Ora, olha só como ela é cheia de sonhos e como o mundo é ruim pra ela. Era uma idiotice auto alimentada. Uma masturbação involuntária. Um masoquismo afirmativo, velado, feito escondido, secreto no caderno que só ela iria ler depois e depois.

Aqueles diários não eram cheios de mentiras. Quando ela escrevia, registrava o que tinha acontecido. A ideia era contar para alguém que não fosse lhe julgar tudo que passava em sua cabeça. Ela não mudava as coisas. Ela não omitia. Ainda assim todo o relato era contaminado por algo mais profundo, mais fundamental. A sua visão das coisas lhe limitava a percepção. Sua imaturidade daqueles anos lhe deixou como herança relatos de histórias que não aconteceram com a importância ou a intensidade que aquelas palavras tinham. O personagem que ela era naquelas histórias não era saudável, nem era real.

Agora, no parapeito do salto para a vida adulta, olhava pra trás, pros diários da sua adolescência, entendendo o quanto eram pequenas e desimportantes aqueles medos e aquelas coisas. Ela não sabia o que deveria vir depois, ela só sabia que aquilo tudo estava errado, que as coisas não eram daquele jeito e que ela precisava ser livre de ser o personagem que ela tinha criado naqueles cadernos.

A irmã dela entrega o último caderno e ele queima como os outros queimaram. Não queima diferente por ser o último. Não brilha mais forte por ser o mais antigo de todos. Queima igual, se desfaz igual, apesar dela esperar um vento diferente que crie uma forma diferente no fogo, algo que faça daquele momento algo especial, memorável, heróico, algo como um momento de virada numa história, a história dela mesma, que ela continua a escrever mesmo que não escreva mais em nenhum caderno.

— Essas fotos que você fala, porque elas são importantes?
— Não sei se são importantes.
— Você fala de um jeito que faz parecer como se elas fossem.
— Não são as fotos em si, é o que elas registram mesmo.
— Que seria o que?
— Algo que existia e que não existe mais.
— Isso é o que todas as fotos fazem.
— Ha-Ha, que piadista. Ha. Não é isso, é como se fosse uma sequência de coisas que aconteceram e ali naquelas fotos existe um momento em que as coisas ainda não tinham desmoronado e nem que pareciam que iriam desmoronar. Como se em algum momento, ali, naquele dia, naquela hora, o futuro não tivesse escrito ainda, pelo menos não o futuro que aconteceu depois.
— Ainda assim, qualquer foto tem isso. Você pode tirar uma foto de você agora, com todas as suas certezas do momento presente e todas as expectativas e projetos pretensiosos ou não sobre o que você quer para o seu futuro. Você pode tentar construir a sequência de eventos, a medida que o futuro ficar mais longe, menos capaz você vai ser de dizer com certeza tudo que vai acontecer.
— Mais ou menos, eu posso escrever, transformar em história.
— Vai ser só uma história, não vai ser vida real. Nenhuma história consegue ser vida real.
— Mesmo assim, o ponto não é prever o futuro, não me incomodar pelo que aconteceu, é o sentimento de que existia um momento em que as encruzilhadas eram outras. Existiu um momento em que as escolhas eram outras.
— Isso é um daqueles sentimentos do tipo “os melhores anos da minha vida ficaram pra trás”?
— Não, não tem a ver com isso. Eu acho até que hoje eu vivo uma vida mais feliz, menos babaca, que eu como pessoa aprendi coisas e tudo mais.
— Então…?
— Então, sei lá. É complicado. Havia algo mais simples. Um caminho de sonhos mais simples, uma felicidade mais inocente e suficiente. Hoje as coisas endureceram, as coisas aconteceram e tudo tem um vel de caos. Eu queria ser capaz de cortar aquele sentimento, extrair ele daquela foto, daquela memória e inserir ele aqui, no presente, ter aqui e agora aqueles dias de sol, de amor, de descoberta, sem ter que ter depois o que veio depois e sem perder hoje as coisas de hoje.
— Recriar memórias não dá certo. Tentar reviver o que já foi não só fica falso como não funciona igual. As coisas, qualquer coisa, só acontece uma vez. Dá pra ser melhor. Dá pra ser pior. Dá pra ser quase igual. Igual não dá. Por exemplo, sei lá, já tentou levar a namorada atual num legal que a anterior gostava, ou mesmo num lugar que você gostava de ir sozinho ou com amigos? Quase sempre não dá certo e quando dá te dá também um gosto ruim na boca, por causa da mentira, da emulação, da tentativa de fazer as coisas serem outra coisa, como se a coisa nova não fosse o bastante.
— E se a coisa nova não for mesmo o bastante? E se tudo ficar uma merda mesmo?
— Aí você virou sem ver um desses cínicos de merda.
— Hehehe, é pode ser.
— Mil opções na vida, mil coisas pra tentar fazer, mil pessoas pra conhecer, livros pra ler, comidas pra provar, lugares pra visitar, histórias pra ouvir, jogos de video game pra jogar. As possibilidades não acabam porque você se tornou incapaz de vê-las.

Os modelos 3D abaixo são de Victor Hugo Queiroz, daqui mesmo do Brasil.

Acho muito legal a personalidade que os modelos dele conseguem ter, combinando um certo peso de realismo com um traço, cores e sombra cartoon.

Você pode ver mais trabalhos dele lá no site dele, clicando aqui.

Bishock Infinite é um desses jogos que é uma experiência. O mundo criado te faz ir pra uma outra realidade de uma forma mais forte do que a maioria dos jogos consegue fazer. Junto com isso tem a aventura e o jogo em si. Os sons dos tiros, o impacto, o peso, a festa visual das cores e poderes, as músicas e as peças de propaganda antigas, a história baseada em “e se”, usando e extrapolando temas reais, conceitos científicos reais e ideologias reais. É um jogo que sinto ser possível recomendar para qualquer um, mas que com certeza não vai ser aproveitado por qualquer um da mesma forma.

Se o nome do jogo lhe soa familiar é porque você deve ter ouvido falar do jogo Bioshock, aquele da cidade no fundo do mar e pro qual tudo que foi dito no parágrafo acima também vale. Inclusive, esse jogo é uma espécie de continuação daquele, apesar de não carregar um número, já que essa é uma continuação diferente.

Da mesma forma que o Bioshock o jogo propõe uma cidade isolada do resto do mundo e construída ao redor de um líder com uma ideologia forte, surgido numa época do passado e imaginando como seria se naquela época a cidade fosse mesmo construída. No caso do Bioshock original a cidade é no fundo do mar e o jogo se passa em 1959. No caso do Bioshock Infinite a cidade voa nos ceús e o ano é 1912.

Como comentei lá no parágrafo de introdução esse jogo acaba não sendo aproveitado por todo mundo da mesma forma porque nem todo mundo tem uma bagagem histórica pra conhecer esses períodos e reconhecer as ideologias que ambos os jogos usam e extrapolam, tanto no aspecto visual quanto no discurso dos vilões e heróis da história. Existe discussão sobre racismo, sobre eugenia, sobre meritocracia, sobre capitalismo selvagem, comunismo, fascismo, nacionalismo, xenofobia e outros.

Bioshock Infinite por ser no céu e e não no fundo do mar, tem uma base de cor bem diferente do primeiro Bioshock e legal ver como os climas de tensão e suspense consegue ser criados usando outros elementos. Não é obrigatório ter jogado um jogo pra jogar o outro, inclusive aí no meio existe um Bioshock 2, que também é um bom jogo, mas que se acaba sendo uma espécie de “expansão” do primeiro jogo.

E falando em expansão as expansões do Bioshock Infinite são em si um outro jogo com uma história própria que inclusive mistura as duas cidades de uma maneira muito legal. Nem toda expansão consegue ser mesmo relevante, mas essa, assim como a de Last of Us, só pra citar uma, é uma aventura extra que vale a pena ser jogada, especialmente se você ao jogar gostar da personagem Elisabeth.

Falar dessa personagem é bastante necessário já que ela está com você grande parte do jogo e ao contrário de alguns jogos que colocam um companheiro ao lado do jogador durante toda a aventura, sem que aquele personagem pareça mesmo um indivíduo real, ficando claro que ele é uma inteligência artificial limitada cof cof Skyrim cof cof Lydia e outros cof cof. A Elisabeth não só é esperta na maneira que te ajuda e te acompanha ao longo da aventura, como ela em si tem uma personalidade que é construída através da sua interação com ele. Expressões faciais, variações de humor, a maneira que ela interage com as coisas do ambiente, ficando empolgada com certas coisas, desgostando de outras, faz com que a companhia dela seja algo que acrescenta uma camada extra a toda a experiência do jogo.

Se você nunca jogou nenhum dos bioshocks existe um pacote que já vem todos, inclusive com gráficos atualizados e que volta e meia está em promoção. São jogos que oferecem uma experiência diferente, uma história diferente, junto com a diversão de um jogo de tiro e exploração por um mundo interessante e imersivo que vai te dar saudade depois que você terminar a aventura.

Como um extra, se tiver a curiosidade, indico um texto do site Polygon sobre os últimos anos do estúdio que criou esses jogos e como o projeto do Infinite foi complicado. Como acontece com esses jogos que tem uma pegada especial existe um nome por trás da criação do conceito e da direção do projeto e no caso dos Bioshocks esse nome é Ken Levine. Para ler o texto (que é longo, mas vale muito a pena) clique aqui.

A indicação de hoje é um episódio de um podcast que discute segurança digital. Esse episódio em especial fala sobre campanha política e as ferramentas/truques/sacanagens/1984 que já estão sendo usadas hoje aqui no Brasil para convencer você e todos que você conhece a apoiar um candidato ou ideia.

É muito interessante ver como a coisa toda é muito grande, muito elaborada e muito poderosa.

Segue abaixo o link para download do episódio, mas se você preferir ele está também no seu aplicativo de podcast favorito.

Podcast: Segurança Legal (em português)
| Episódio: 153 – Eleições, tecnologia e fake news

Pessoas: 19 — Ele que tinha certeza que merecia mais

A sala de reunião é oval e sem janelas. O teto é bem alto e inteiro de uma cor branca leitosa que ilumina a sala toda. Não dá pra ver onde estão as lâmpadas ou se há lâmpadas. As paredes são lisas, de metal fosco, e, à meia altura, há quadros exageradamente grandes, retangulares, com molduras de vidro, pintados inteiros com cores sólidas. No centro de cada quadro, mensagens de ordem estão escritas em letras pequenas, duras e em contraste com a cor sólida do fundo.

Um deles diz “Venha, faça e viva”, em vermelho, com um fundo cinza esverdeado. Outro diz “Se você não é capaz de pensar na solução, o problema é você”, com letras azuis claro em um fundo azul escuro.

No centro da sala e ocupando grande parte dela há uma mesa grande, de madeira escura, em um formato triangular. Não dá pra ver os pés da mesa e ela não é de madeira de verdade, apenas tem a aparência de madeira de verdade. Em volta da mesa há cadeiras de tecido escuro e encosto curvo de vidro. São quarenta e nove cadeiras.

Ele sabe que são quarenta e nove porque cada cadeira tem um número e todas as cadeiras são iguais, exceto a cadeira número 1, que é vermelha, maior e não tem encosto de vidro. A cadeira 1 fica numa das pontas da mesa triangular, nela senta a líder que fala dos números e balanços dos últimos meses e do que é esperado para os futuros próximos e distantes.

Ele se incomoda com aquela sala de reuniões. O teto. A mesa. O encosto curvo de vidro. As paredes. As mensagens de ordem. De onde está sentado ele pode ler um quadro de fundo verde, escrito em preto “O sonho é real para os que vivem acordados”. A frase o deprime, algumas vezes a realidade simplesmente lhe incomoda.

As cinquenta cadeiras estão ocupadas. Quarenta e nove pessoas estão em silêncio, olhando para a cadeira número 1. A reunião é enfadonha e ele tem dificuldade para se manter acordado. É assim até que a líder anuncia algo novo. Algo que o acorda. Ela anuncia a chegada de uma nova pessoa ao reino.

Ele percebe uma mudança no ar, mas não tem certeza se a mudança é real ou se é só sua percepção distorcendo tudo, como volta e meia ela costuma fazer. Não seria a primeira vez. Para ele, o silêncio de agora é diferente do silêncio de antes, é como se antes as pessoas estivessem presentes, mas pensando em outras coisas e seus pensamentos fossem capazes de gerar som. Agora não pensam em nada, apenas ouvem mais atentas que antes, por isso o silêncio é mais real.

Ele imagina que um dos quadros com mensagens de ordem poderia ter escrito “Silêncio é quando você não diz e não pensa em nada.”.

Ele se foca novamente no anúncio da nova pessoa, tentando conter expressões faciais que deixem transpassar suas preocupações e dúvidas. Ele sente gotas de suor se formarem. Ele as sente no alto das costas, na nuca e na testa.

A nova pessoa vem de outro reino, um que a sabedoria popular diz ser melhor que o dele. É o que contam as vozes. É o que ele e os outros sentem vivendo em seu próprio reino.

Porque alguém trocaria um reino melhor pelo reino dele?

A dona da cadeira número 1 para de falar. Chama a nova pessoa. A nova pessoa entra na sala e fica em pé, ao lado da cadeira número 1. Aplausos e sorrisos. Ele também aplaude e sorri. Seu sorriso é tão verdadeiro quanto a madeira da mesa triangular.

A líder explica que no outro reino a nova pessoa ocupava um cargo e prestígio, confortos e acessos, mas que agora neste novo reino terá que começar do zero e que espera contar com a ajuda de todos para que a nova pessoa possa aprender e crescer. Ele fica confuso. Ele fica irritado. Ele segue tentando esconder o que realmente pensa e sente, mas sua tentativa de esconder seu sentimento real é tão transparente e frágil quanto os encostos de vidro das quarenta e nova cadeiras.

Ele observa os olhos da líder na cadeira número 1. Ele imagina que ela está avaliando todos, lendo a todos, buscando exatamente o olhar dele, pra descobrir que ele está mentindo em sem aplauso e seu sorriso.

Ele tem certeza que, quando ela pergunta se alguém tem alguma dúvida, o faz porque sabe que ele tem dúvidas e que ele quer falar. Ele tem certeza que ela quer ouvir a opinião dele. Ele tem certeza que ela não perguntou diretamente porque não quis colocá-lo numa posição difícil. Ele tem certeza que ela acha que ele é especial.

Uma mulher duas cadeira ao lado dele. Uma mulher que ele não conhece realmente, apenas de vista, fica em pé e grita. Seus olhos abrem grandes, sua boca solta palavras de raiva e gotas de saliva voam e caem na mesa falsa de madeira. Ele ouve os gritos dela dizendo que não tem espaço pra mais nenhuma pessoa, que não se tem mais cadeiras.

Ele apenas ouve assustado enquanto a mulher continua gritando que não entende porque alguém aceitaria vir de outro reino melhor para aquele reino tão cheio de problemas. Ela não entende como alguém pode querer começar de novo o caminho, depois de ter estado lá em cima, de ter tido o que muitos durante uma vida toda não poderão ter.

Ele sente identificação, mas sente também inveja. Queria ele ser a voz dizendo aquilo. Queria ele aquele protagonismo. Queria ele ser o protagonista da história da reunião que anunciou uma nova pessoa. Mas ele não foi.

A mulher ainda gritando é levada embora e a nova pessoa se sente agora no lugar que era dela. Ele sente o ar pesado e o tempo mais lento que o normal ao se dar conta que aquele foi só mais um dia normal e ele continua especial e salvo, em seu reino que não gosta, sentado em silêncio como se deve, encostado em seu pedaço curvo de vidro.

Além de escrever opiniões idiotas, contos, mentiras, desabafos dignos de vergonha alheia por aqui e de postar desenhos e rabiscos por ali, eu também cuido do site everyday1music. Lá, eu posto uma música por dia e todo dia 10 de cada mês eu posto por lá (e também aqui) uma lista com as músicas do último mês.

Segue abaixo a lista deste mês. Pra escutar, é só clicar.

| 01.abr – ♫ Naguetta – Salve a quebrada
| 02.abr – ♫ The Growlers – City Club
| 03.abr – ♫ Peach Pit – Being So Normal
| 04.abr – ♬ Dope Lemon – Uptown Folks  3ª mais ouvida 
| 05.abr – ♫ The Jungle Giants – Creepy Cool
| 06.abr – ♬ The Strypes – Hard To Say No  4ª mais ouvida 
| 07.abr – ♫ Ruby Cube – Lobsters & Cherries
| 08.abr – ♫ MOXINE – About Us  5ª mais ouvida 
| 09.abr – ♪♪ Pillowfight – Lonely City  2ª mais ouvida 
| 11.abr – ♬ Motorama – Alps
| 12.abr – ♬ VANT – Peace and Love
| 13.abr – ♫ The Academic – Sometimes
| 14.abr – ♫ Drgn King – St. Toms
| 15.abr – ♫ Pascal Pinon – Somewhere
| 16.abr – ♫ Johnny Marr – The Tracers
| 17.abr – ♫ Woodpigeon – Now You Like Me How
| 18.abr – ♫ Garbage – Empty
| 19.abr – ♫ Jarvis Cocker – I Never Said I Was Deep
| 20.abr – ♫ Hollis Brown – Wait For Me Virginia
| 21.abr – ♬ My Chemical Romance – Desolation row
| 22.abr – ♫ The Traveling Wilburys – Not Alone Any More
| 23.abr – ♫ tUnE-yArDs – Water Fountain
| 24.abr – ♫ The Mary Onettes – Your Place
| 25.abr – ♫ OutKast – Ms. Jackson
| 26.abr – ♪ Wild Nothing – Only Heather
| 27.abr – ♫ Joe 90 – Blurred
| 28.abr – ♫ The Revivalists – Amber  A mais ouvida 
| 29.abr – ♬ Silver Sun – There Goes Summer
| 30.abr – ♫ The Spinners – Rubberband Man