Os desenhos abaixo são da pessoa (falhei em descobrir se é um homem, mulher ou árvore) Choi Keun Hoon, lá da Coréia do Sul.

Pra ver mais desenhos desta criatura clique aqui.

O podcast indicado dessa vez é uma espécie de documentário investigativo. O que ele documenta e investiga é o desaparecimento para o mundo de Richard Simmons.

Dependendo da sua idade é possível que você não tenha a menor ideia de quem é esse cara, inclusive apenas pelo nome talvez você não lembre de ninguém, mas com certeza você já deve ter visto ele por aí fazendo pequenas aparições em filmes, sempre que tinha algum contexto o personagem fazer exercícios vendo um certo programa de TV com pessoas fazendo ginástica. Seja como for, saber quem ele é não vai afetar sua experiência de ouvir o o podcast.

O podcast tem 6 episódios de mais ou menos meia hora. Cada episódio constrói a história dele e especula quais seriam os motivos para ele um dia simplesmente parar de fazer as coisas que fazia e sumir pro mundo.

Acho bem legal como esse podcast é mais um desse exemplos de como essa mídia é versátil e pode ser usada pra vários tipos de histórias e coisas, combinando entrevistas, fluxos de pensamentos, criando uma narrativa que oferece uma experiência que é diferente de ler um livro ou ver um documentário na forma de filme.

Com relação ao conteúdo, é uma história interessante ver o recorte na personalidade e os motivos e inspirações dele pra fazer o que fez. acho que vale dizer que não concordo totalmente com algumas das posições que o “host” do podcast coloca, especialmente quando ele acha que existe uma espécie de responsabilidade perene quando alguém acaba sendo um pilar de motivação na vida de alguém.

Se você gosta de documentários que exploram os detalhes e mistérios de pessoas que fazem coisas que a maior parte das pessoas não faz e que conseguem tocar muitos com seu trabalho e ainda ganhar uns bons milhões de dólares no meio do caminho, possivelmente o podcast vai te interessar.

Segue abaixo o link para a página do podcast, mas se você preferir o podcast está também em seu aplicativo favorito.

Podcast: Missing Richard Simmons (em inglês)
| Link para os seis episódios

“Pessoas” é quando eu escrevo e posto por aqui um conto sobre uma pessoa que existe, ou que não existe, ou que eu não sei.

Pessoas: 18 — Ela que foi embora mais cedo

Ela dirige de volta pra casa. Os olhos estão quentes e a respiração pesada. É madrugada na cidade grande. Os vidros do carro estão abertos o suficiente pra que entre um vento gelado trazendo uma memória, um sentimento, algo que a coloque num outro dia. Ela tem vontade de chorar, mas não chora. Apenas dirige pela cidade quase vazia, indo embora cedo de uma festa que ainda ia durar até o dia amanhecer.

Ela pensa nas palavras das pessoas, nos comentários, no que vão dizer sobre como ela foi embora cedo, como ela já não faz mais parte da família, sobre como ela isso e aquilo.

Ela não se importa ao mesmo tempo em que se importa. Não é uma questão de ser bem vinda, é um desejo de poder ser ela mesma sem que isso magoe os outros.

A festa era o casamento de uma prima. A relação das duas não encaixa na classificação simples de quando as pessoas contam as coisas, não é só dizer que são próximas ou não. O tempo modifica as relações, altera os pesos e as importâncias. É mais complexo do que o que as pessoas estão dispostas a contar quando se colocam pra falar sobre suas relações com os outros.

Ela está feliz pela prima, fica contente que ela possa celebrar as conquistas e alegrias dela. Aqueles anos de infância e começo de adolescência criaram um laço de afeto que perdura mesmo hoje quando ela não sabia nem ao certo qual era mesmo o nome do noivo da prima até ler o convite. Não há um sentimento falso ou ruim, mas durante todo o tempo em que esteve lá, ela só queria ir embora.

O vento gelado faz ela se acalmar por alguns segundos, até sua memória associar algo que ela vê nas ruas que passam com algo que estava na festa e o fluxo de pensamentos voltar e levar ela de volta pra lá.

Havia algo bom em reencontrar pessoas que há muito tempo não via. Muitas pessoas da família. Alguns amigos em comum. Existe uma certa chama de intenção, de desejo de querer saber como estão aquelas pessoas que — da mesma forma que a prima — durante um tempo foram tão presentes e tão importantes em sua vida.

Ela cumprimenta, fala e sorri. Faz o que tem que ser feito. Finge sorrisos e risadas ensaiadas. Ela acredita que ninguém perceba e a verdade é que a maioria das pessoas realmente não percebe. O reencontro depois de tanto tempo não refaz as ligações e basta trocar duas ou três frases pra entender porque as pessoas se afastam, seguindo seus próprios caminhos. A ligação tentada é genuína, mas não é possível forçar uma identificação, ou uma ligação, ou esse algo que ela sente que a alma humana pede a medida que o tempo passava e ela envelhece.

Fazia tempo que não reencontrava todas aquelas pessoas e, ali, agora, do alto dos seus trinta anos, solteira e preocupada com contas e outras idiotices, o evento lhe trazia um sentimento ruim. Ela tinha visto cada uma daquelas pessoas crescerem nos últimos trinta anos. Tinha visto desde quando as pessoas eram promessas e possibilidades até se tornarem o que hoje eram. Pensava nos espertos, nos engraçados, nos de pouca vergonha, nos tímidos e como isso serviu e não serviu pra nada na história de cada um.

Era meio pesado ver a realidade das histórias depois dos anos. Ver as rugas nos rostos, os quilos a mais, saber dos divórcios, dos namoros, dos problemas, das escolhas. Não era tudo ruim e ela não era cega pra isso. Haviam coisas boas, haviam aqueles que tinham ido e feito e realizado e sido. Mas lhe chamava muito mais a atenção as coisas ruins, os que não foram, os que ficaram pelo caminho, os que como ela ainda não tinham se achado, sendo eles mais velhos ou mais novos. Havia luz, mas era inegável que os não eram maiores que os sim. A vida é foda, as coisas são foda, o mesmo papo besta repetitivo e derrotista de sempre. O país, o azar, a economia, as heranças hereditárias e psicológicas, o marco zero de onde cada um teve que partir pra estar onde estava, carregando o que teve que carregar pra chegar onde conseguiu chegar.

No farol vermelho ela olha pro dedo, pro anel de pedra azul, que escolheu combinando com o vestido. Ela lembra da aliança, do seu dedo sem ela e lembra de como doeu ver o ritual religioso mais uma vez. Ela não tem religião, mas não julga os que tem, seu conflito é outro. A conversa do pai, da mãe, do legado, do pai que entrega a filha, do marido que busca e promete cuidar. Pensou em seus pais, em seus valores, em como talvez, mesmo que achasse um príncipe encantado, que uma cerimônia como aquela não era algo pra ela. Alívio e culpa lhe pintavam o coração. Uma camada sombria de pensamentos lhe fazia desacreditar nas promessas, nas juras de amor, na necessidade de perante tanta gente, diante de uma festa tão grande e tão cheia de símbolos e promessas, jurar que se amavam e que ficariam juntos. Na doença e da saúde, na alegria e na tristeza.

Um ar talvez de maturidade, ela argumentava consigo mesma, era o que a fazia ver pela primeira vez o valor dessas duas frases. Ter de fato alguém do lado que fosse mesmo uma companhia, uma escolha, um compromisso, alguém que iria estar na doença e na saúde, na alegria e na tristeza, essa era mesmo uma necessidade da alma humana, uma necessidade que ela mesma tinha e, justamente por ter, achava tola e incomoda qualquer outra relação e conexão forçada que tivesse como objetivo entreter e distrair os verdadeiros anseios da alma, pra ver o tempo passar logo.

Quando chegou em ser apartamento, viu em seu celular uma mensagem de seu pai, dizendo que todos estavam perguntando por ela. Ela responde em uma mensagem, que teve até ser enviada cinco versões. A primeira dizia a verdade, a segunda, dizia a verdade de forma mais simples, a terceira misturava a verdade com o que era socialmente aceitável, a quarta era socialmente aceitável com pontas de verdade ocultas e indiretas, a quinta, a enviada, dava uma desculpa aceitável, que a livrava dos julgamentos, causava compaixão e lhe permitia simplesmente ir embora, porque ir embora era o que ela precisava. Ironicamente, a frase tinha em parte uma verdade.

“Alguma coisa me deu dor de barriga :P”

Além de escrever opiniões idiotas, contos, mentiras, desabafos dignos de vergonha alheia por aqui e de postar desenhos e rabiscos por ali, eu também cuido do site everyday1music. Lá, eu posto uma música por dia e todo dia 10 de cada mês eu posto por lá (e também aqui) uma lista com as músicas do último mês.

Segue abaixo a lista deste mês. Pra escutar, é só clicar na canção da sua escolha.

\01 – ♫ The Bohicas – I Do It For Your Love
\02 – ♫ Supergrass – Grace
\03 – ♫ Toro y Moi – Still Sound
\04 – ♫ Sløtface – Magazine  2ª mais ouvida 
\05 – ♫ Oh Wonder – Dazzle
\06 – ♫ Peach Pit – Drop The Guillotine  3ª mais ouvida 
\07 – ♫ Feldberg – Dreamin’
\08 – ♫ MOXINE – Electric Kiss
\09 – ♬ Hercules & Love Affair – Blind
\11 – ♫ Peter McConnell – Mog Chothra (Broken Age OST)
\12 – ♫ Said The Whale – This City’s A Mess
\13 – ♫ The Jungle Giants – Feel The Way I Do
\14 – ♫ Weezer – Say It Ain’t So
\15 – ♫ Klaxons – It’s Not Over Yet  4ª mais ouvida 
\16 – ♬ The Night Marchers – Closed For Inventory
\17 – ♬ FIDLAR – No Waves
\18 – ♫ Drgn King – Undertow
\19 – ♫ The Beatles – Help!
\20 – ♫ The Cure – Boys Don’t Cry
\21 – ♬ blink–182 – Down
\22 – ♫ Motorama – Northern Seaside  A mais ouvida 
\23 – ♫ Red Hot Chili Peppers – Breaking The Girl
\24 – ♫ Staind – Its Been A While
\25 – ♫ Chevelle – The Red
\26 – ♫ Leon Else feat. Oliver – The City Don’t Care
\27 – ♫ Eels – The Deconstruction
\28 – ♫ Dingo Bells – Dinossauros
\29 – ♫ Blossoms – At Most A Kiss
\30 – ♬ Drenge – We Can Do What We Want  5ª mais ouvida 
\31 – ♫ VANT – Parking lot

“Mentiras explicativas” é quando venho aqui pra contar mentiras que importam, explicam e revelam os mistérios “dos universo”. Hoje, por exemplo…

Porque quanto mais velha a pessoa menos ela precisa dormir?

Motivo 1 – O curto
Porque aprendem a dormir melhor com a prática dos anos.

Motivo 2 – A história
Nascer é um processo bastante complicado e cheio de possíveis repercussões e desdobramentos que vão muito além da vida do indivíduo que nasce ou daqueles ali em volta dele, batendo palma e comendo bolo. Qualquer vida tem o potencial de canalizar ideias, de sair por aí falando coisas, convencendo os outros de absurdos e despropósitos, que podem colocar em risco o projeto planeta Terra como um todo.

Por esse motivo, criou-se o mecanismo do espalhamento da centelha de vida. Funciona assim, cada vida que nasce não nasce só como um ser humano cabeçudo. Sinto se isso lhe ofende, mas é um fato matemático que, analisadas, de forma isenta de paixão, as proporções de um bebê deixam claro que ele é cabeçudo. Prosseguindo, cada vida que nasce, nasce também espelhada pelo mundo em vários pontos, em diversas formas.

Cada vida inserida no Sistema Planeta Terra é dividida de forma igual e depositada em todos que estiverem nascendo naquele mesmo momento, com uma precisão que tende ao infinito. Assim sendo, a mesma centelha de vida habitará criaturas da floresta, peixes no fundo do mar, aves, bodes selvagens, plantas, insetos, bactérias e seres humanos.

Cada criatura é única em sua forma de ser e nas experiências que vai ter entre o dia que nasce e o dia em que morre. A morte é um fator importante porque ela é um elemento variável em cada uma das criaturas. Descontando as mortes por acidentes e os acasos, é um fato que certas criaturas vivem mais tempo do que outras e isso trás uma série de efeitos colaterais de alta importância. Ter a mesma vida espalhada por todo planeta e em diversas criaturas que vão morrendo aqui e ali afetam o processo como um todo.

Por exemplo, é por isso que crianças são dotadas de uma alegria e uma energia que se perde com os anos. Elas são de fato mais cheias de vida. São também conectadas de uma forma diferente com o mundo, muitas vezes dotadas de uma capacidade de espontaneidade, sabedoria e paz de espírito, que a maioria dos seres humanos nunca mais vai ser capaz de alcançar na vida.

Existem pontos de flutuação no sistema. Algumas vezes pode acontecer de um número muito pouco de nascimentos acontecer em um dado instante, isso faz com que uma determinada vida seja espalhada menos em cada uma das formas de vida que a recebem. Você talvez já teve a oportunidade de cruzar com pessoas que tem essa vida extra por aí, certas criaturas dotadas de uma jovialidade e uma energia pra fazer, diferente de todo o resto. Peço que coloque de lado seu egocentrismo humano e veja que isso vale para gatos, orquídeas e até aquele passarinho que canta mais alto quando amanhece o dia. Nesses casos, para evitar que uma criatura com poderes divinos nasça, o mundo foi projetado para ter uma quantidade imensa de criaturas minúsculas que vivem muito pouco. Por isso temos por aí tantas bactérias, algas unicelulares e insetos.

Quando tiver tempo, repare nesses insetos que vivem uma semana e veja como se movem depressa, como saltam e andam e voam.

Voltando ao exemplo do bebe, já que o egocentrismo é boa estratégia para prender a atenção e extender a conversa. Bebes, especialmente recém nascidos, dormem muito e precisam dormir o tanto que dormem porque dormir está relacionado a processar tudo o que as outras partes daquela vida enviam para aquela vida que dorme. Enquanto ele dorme, ele literalmente está aprendendo sobre o mundo.

Os velhos, por outro lado, são o oposto. As partes da vida dele já morreram quase todas. Algumas vezes até todas. Você já deve ter conhecido por aí algum velho completamente desconectado com o mundo. Por isso eles dormem menos, porque não precisam, porque o aprender sobre o mundo e a vida passa a estar mais focado nas próprias experiências dele, nas coisas que ele carregou e viveu até chegar onde está.

Algumas vezes, num desses casos ritmados no improviso das regras, um mesmo velho, ou velha — por favor, não se ofenda — consegue ter sua vida ainda espalhada pelo mundo em formas de vida que vivem mais que um ser humano. Encontrar uma dessas pessoas é sempre uma experiência fascinante, ver os olhos iluminados, a lucidez, a sabedoria, alguém que é, como dizem “apesar da idade”, assim “tão cheio de vida”.

Às vezes, fico pensando nas árvores de quase mil anos de idade e o que elas teriam pra dizer se pudessem falar.

A experiência de assistir Jogador Número 1 no cinema foi divertida pelo espetáculo visual. As mais de duas horas do filme fluíram bem, com a história sendo levada num ritmo divertido, leve, de aventura. Mas, saindo do cinema, eu não estava contente. Eu conhecia o livro, inclusive nem sou desses que acha que é o melhor livro do mundo, sabia dos problemas e qualidades que ele tinha. Acho que o que me incomodou foi ver como todo um mundo, uma ideia, uma historia, se tornou outra coisa, com outra mensagem, com outros valores. E o que me incomoda mais é ver que a mensagem do filme, que no final é a que vai ser mais conhecida, é bem imbecil.

Por algum motivo tenho ouvido as pessoas se referenciar ao filme como tendo a ver com a cultura do “verdadeiro fã”, do filme ser uma “orgia de referências”, de ser uma “punhetação pra esses nerd aí do videogame e das coisa”. Nem nego que algo assim exista no filme, mas mesmo dentro dele isso fica em segundo plano. O problema é que o filme não faz um bom trabalho em construir o mundo onde a história se passa, ele não mostra como o mundo está todo fodido, nem discute as implicações disso. O filme não explica direito como a própria tecnologia da realidade virtual funciona, entregando inclusive cenas ridículas das pessoas usando os óculos e correndo pelas ruas como idiotas, ou usando termos que não foram apresentados dentro do filme, ou mostrando as leis da física afetando o jogo apenas quando convém.

Tudo isso me dá uma impressão de que a coisa toda foi feita sem coração, sem entender a verdadeira história que estava ali e a verdadeira história não é sobre “ser foda pra caralho porque eu sei umas parada de jogos e filmes e a vida desse cara aqui que é meu ídolo”, a história é sobre alguém que fez algo importante pro mundo e que sabe que precisa deixar pra pessoa certa a tarefa de cuidar do que ele construiu, porque as consequências podem ser muito grandes pra própria criação e pro próprio mundo.

No livro existe uma busca por entender as coisas que o criador do tal mundo virtual OASIS gostava não no sentido de se tornar uma enciclopédia dos anos 80, mas de ter as referências, de ter os valores e carregar isso. No livro a maneira que os desafios acontecem e que os personagens se desenvolvem é diferente, a idade deles é diferente, o que eles tem em jogo é diferente, a porta de acesso pro mundo é diferente. No livro existe falha, existe briga, existe um arco de desenvolvimento e não um herói que desde o começo está destinado a vencer, com amigos que estão ali pra ele usar de escada.

Outra coisa que me incomodou em como o mundo foi construído que é diferente do livro é como a vida das pessoas é diferente, como o dia a dia é diferente, porque o mundo está mesmo fodido, porque as grandes corporações tomaram conta de tudo. A empresa do mal super vilã estúpida de filme infantil do filme no livro tem outra cara, algo muito mais pesado e distópico, com paralelos que podem se aplicar a empresas como o Google, a Microsoft, a Apple, a Amazon e que papel e aspirações essas empresas podem vir a ter no futuro.

Acho que as chances de ver uma outra adaptação desse livro é muito pequena. Ele fala de um futuro não muito distante e de um futuro que muito possivelmente pode nos ser bastante familiar, então a janela de tempo pra contar essa história, antes dos óculos de realidade virtual invadirem nossas vidas é bem pequena. Existia no livro um potencial de contar uma história que seria uma aventura, que teria a diversão e as referências todas, mas que teria também um valor, uma mensagem, um vislumbre de como as coisas podem ser, com um paralelo de porque a cultura pop é importante.

Me repetindo sem me importar, a cultura pop é importante porque se eu faço referências a certos jogos, músicas e filmes, se faço piadas com isso aquilo, se demonstro que gosto disso ou daquilo, isso fala sobre a minha personalidade. Mais do que isso, algumas experiências da cultura pop podem mesmo ajudar a criar uma personalidade, a formar uma visão de mundo e essa é uma mensagem muito mais relevante. No filme, existem mil personagens, mil coisas, não porque é pra que algum idiota pause as cenas segundo a segundo e aponte o quando ele é uma enciclopédia, mas porque aquele é um mundo virtual onde as pessoas podem ser quem quiserem e algumas pessoas gostam tanto de certos personagens e coisas do mundo pop que escolheriam ser aquele personagem, e isso é muito mais relevante do que discutir por exemplo que “o Gigante de ferro é usado de forma incoerente com o personagem Gigante de ferro”, porque afinal ele não é o gigante de ferro, é só a carcaça, é só a aparência, é só a imagem.

É foda ver que o filme tem muita gente talentosa envolvida, as cenas de ação e o CG é mesmo muito bem feito, muita gente colocou o coração pra produzir tudo aquilo. Mas um filme é um conjunto e a parte principal é a história e a história desse filme é vazia e boba, quando poderia ser muito mais.

Resumindo, se você gosta de um bom espetáculo visual, você vai se divertir com o filme. Se você gosta de uma história e tem imaginação o suficiente, vá atrás do livro, ele tem defeitos, tem problemas, mas vale muito mais a pena investir seu tempo nele do que neste filme.

E agora, vai lá em cima e repara o comprimento da perna do personagem no poster. Reparou? Pois é. Pois é. Pois pé.

|| link pra comprar o livro, clicando nas imagens:

Os desenhos abaixo são de Rebeca Puebla, lá da Espanha.

Pra ver mais desenhos dela, você pode segui-la lá no instagram.

O podcast indicado dessa semana é um episódio do Rebobinando que fala sobre Vícios, trampos e exaustão. Pra você que vive essa loucura de tentar fazer as coisas, de ter ideias, de tentar executar as ideias, de levar as coisas sempre a sério demais, é bem provável que você se identifique bastante com o episódio.

Segue abaixo o link para o episódio, mas se você preferir, o rebobinando está em todos os aplicativos por aí.

Podcast: Rebobinando (em português)
| Episódio: Vícios, trampos e exaustão | Rebobinando S02E10

“Pessoas” é quando eu escrevo e posto por aqui um conto sobre uma pessoa que existe, ou que não existe, ou que eu não sei.

Pessoas: 17 — Ele que tinha artrite

Ele acorda no meio da noite depois de um pesadelo. Se assusta ainda mais quando não reconhece seu quarto. Leva menos de um segundo pra que se lembre de onde está, mas a combinação de tudo faz parecer muito mais tempo.

Ele está na sala da casa da mãe dele. Ela está doente e em dias em que ela precisa fazer algum exame, ele dorme na casa dela no dia anterior, pra já estar lá logo cedo, para prepará-la pro que tiver que fazer. A mãe dele tem câncer e já faz alguns anos que a doença convive com eles, exigindo suas próprias rotinas.

Antes de voltar a dormir ele olha no celular para ver que horas são. Ainda é o meio da noite, ele ainda vai poder dormir mais. Ele vê uma mensagem de sua mulher, que da mesma forma que ele está na casa da mãe dela e vai também levá-la pra fazer um exame no outro dia. A doença é a mesma, mas o momento é outro. Enquanto sua mãe tem piorado, sua sogra acabou de se curar, pelo menos por algum tempo.

A mensagem da mulher diz que ela sente falta de dormir com ele. Pela hora ele vê que ela também deve ter acordado no meio da noite por algum motivo. Antes de começar a pensar e elaborar possibilidades e porques ele se lembra da hora e que tem que dormir. Ele fecha os olhos e dorme de novo.

O pesadelo que o tinha acordado era um desses sonhos que não tem a pretenção de serem sonhos. Eles recriam a rotina, recriam um dia normal e tudo transcorre como estamos acostumados, até o momento em que algo anormal acontece.

O pesadelo dele começava com ele esperando o ônibus da empresa, numa manhã de um dia qualquer. Ele está sentado e seus joelhos doem. A mesma dor do mundo real, causada por artrite. A idade pra ele também já chega e contrasta com seu olhar infantil pras coisas e pra maneira de falar e lidar.

Em seu sonho ele ficava sentado na fachada de uma loja, esticando as pernas, outras pessoas estavam por ali, também esperando os ônibus para suas empresas. Aí, andando pela calçada, ele vê se aproximar uma mulher jovem, com possivelmente a metade da idade dele. Ele não tem qualquer embaraço em não contar seu olhar ou a boca que abre levemente, lhe dando um semblante idiota, conforme acompanha a passagem da mulher. A mulher é bonita e magra e a medida que ela passa, ele acompanha, observando seu corpo de cima em baixo.

O rosto dela está fechado, ela, naturalmente, está desconfortável por ser devorada como um pedaço de carne. Usa fones de ouvidos e uma blusa folgada com bolsos. As mãos estão nos bolsos. Usa uma calça jeans e tenis. Ele a observa e respira fundo o ar em torno dela quando ela passa, pra tentar sentir se ela tem perfurme. A expressão no rosto da garota tem um breve espasmo de medo e raiva. Ela continua andando e não para, não muda a direção do olhar ou o peso dos passos. Ele acompanha, ainda com o semblante idiota, e a medida que ela se afasta volta seu olhar para a região dos quadris, está interessado em ver a bunda dela. Ela tem amarrada na cintura uma segunda blusa, uma que não está lá por causa do frio da manhã, uma que está lá apenas para cobrir a bunda do olhar de pessoas como ele.

Em seus pensamentos ele não consegue conceber a ideia de que a blusa na cintura está lá porque o olhar dele, e de outros como ele, assusta, desrespeita e incomoda. Ele pensa coisas da garota, de como ela deve ser chata, irritada e enjoada. Ele não se contém e comenta com um rapaz que também está no ponto e que não tem amizade alguma com ele que “essas meninas que colocam a blusa na cintura pra cobrir a bunda, acabam com meu dia”. O tom é exagerado para ser cômico, mas apenas ligeiramente exagerado, existe mais tom de verdade e desabafo do que de piada. Uma mulher que também espera por seu ônibus dá um sorriso amarelo nervoso, recuando a face pra dentro do rosto, contorcendo o pescoço, dando a reação que ela e tantas outras mulheres já são treinadas a dar quando uma piada como essa é feita por alguém como ele.

A cena já aconteceu tantas vezes que seu cérebro é capaz de reproduzir como sonho sem muito esforço e é na parte seguinte do sonho, quando ele vira pesadelo, que o cérebro precisa se esforçar. O sonho segue e quem passa agora é uma mulher de capuz. Ele não consegue ver o rosto dela. Ele repete seu comportamento, mas quando ela chega perto, levanta o capuz e revela ser a mãe dele, depois a mulher dele, depois uma mulher bem gorda, que vai ficando cada vez mais gorda, se aproximando dele. O rosto dela cai no chão e no lugar há um espelho e o espelho reflete o rosto dele exagerado, o nariz alongado, os olhos diminuídos, os dentes podres e amarelos. Ele reconhece a figura como sendo uma bruxa e, quando ela o agarra, ele acorda.

Na manhã seguinte ele leva a mãe ao médico. Tenta ser e é paciente com o tempo dela e com as manias delas. A mãe se irrita com ele e com como ele esquece que ela é capaz de cuidar de si mesma. Ela chega a dizer “enquanto eu puder fazer sozinha, me deixa fazer sozinha, não preciso de ajuda pra tudo!”. Ele não reage bem ao “enquanto eu puder”, prefere uma atitude de negação quanto a realidade da vida, ao peso dos anos e ao fato de que sua mãe tem quase oitenta anos e ele próprio já passa dos cinquenta e tem um filho com vinte.

O exame é rápido e simples e o médico nota como ele fica esfregando o joelho. O médico pergunta a ele se ele tem algum problema, ele explica que tem artrite, que já foi ao médico, que deveria fazer fisioterapias e isso e aquilo e aquelas coisas que tomam tempo e exigem real vontade de fazer. Ele não diz ao médico, mas pra ele o problema é pequeno, não é algo que o impede mesmo de fazer as coisas, como é comum acontecer quando as pessoas não cuidam mesmo de resolver as coisas. O problema no joelho em parte é uma muleta pra si mesmo, pra mostrar pra todos que ele tem problemas, que é um coitado, que tem anos em cima dele, que merece respeito e — porque não — privilégios.

Ele leva a mãe de volta pra casa. Ela está contente por estar se sentindo bem. Ela fala pra ele cuidar do joelho. Ele se irrita e dá respostas mal educadas que ele vai lembrar de ter dado, especialmente nos meses a seguir, já que ele não sabe ainda que sua mãe não está bem como aparenta estar e que dentro de três meses ela terá morrido.

Ele chega no trabalho na hora do almoço. Ele ocupa um cargo conquistado pelo acaso das coisas, por seus comentários que alinhavam com as visões de seus superiores e pela sorte. Ele trabalha com software. É o chefe de um grupo de jovens empolgados por terem seu primeiro emprego e um monte de sonhos e expectativas. São todos homens. Se esforçam, trabalham muito, são criativos e são gratos por terem sido escolhidos por ele para estarem lá. Ele foi aquele que deu a chance e pra muita coisa e pra muita gente só uma chance é o que falta.

De noite ele chega em casa e reencontra a mulher. Ela pergunta porque ele não respondeu as mensagens dela ao longo do dia. Ele diz que estava tudo muito corrido. Ela pergunta como foi o exame da mãe dele, ele encosta no sofá e enquanto esfrega o joelho com artrite, conta que foi normal, que ela sabe como a mãe dele é. Ele não pergunta sobre o examente da mãe dela. Ela conta mesmo assim. Ele ouve sem prestar atenção total, já preparando pra contar a seguir sobre o sonho que teve. Ele conta uma versão em que sua mulher passava na rua, via que ele estava lá, virava uma bruxa e tentava o atacar. Ele ri. A mulher dá um sorriso amarelo, está cansada, só quer tomar um banho, comer e dormir.

“Mentiras explicativas” é quando venho aqui pra contar mentiras que importam, explicam e revelam os mistérios “dos universo”. Hoje, por exemplo…

Porque os garfos tem 4 pontas?

Motivo 1 – O curto
Porque se tivessem três pontas seriam chapéus.

Motivo 2 – A história
O garfo moderno foi inventado na região que hoje é conhecida como o país Itália. Seu criador foi um certo lorde, lá pelas épocas das grandes navegações, logo depois de terem descoberto o novo mundo.

O lorde estava muito estressado com a descoberta do novo mundo. A última carta recebida contava que lá, do outro lado do mundo, depois de atravessar todo o mar, havia também pessoas. Pessoas! Quem poderia imaginar? Os animais, as plantas, os rios, e tudo o mais que que as cartas descreviam eram também impressionantes, mas o que lhe deixava aflito e lhe dava pesadelos era saber das pessoas.

Seu problema com pessoas não vinha apenas do fato do lorde ser recluso e preferir a companhia de ninguém. Seu problema era o medo que sentia ao pensar nas possibilidades.

Sentado em sua mesa de madeira escura e comprida, em frente a janela, suava frio ao imaginar que a próxima carta poderia chegar dizendo que avançando mais adentro no novo mundo haviam achado nações maiores que as que eles já conhecia. Impérios maiores que os impérios de antigamente, generais maiores que Alexandre e César. E se tivessem diferentes tecnologias? E se tivessem desvendado mistérios sobre a vida e sobre Deus que eles ainda não tinham conseguido?

Se lembrava de ter ouvido de tribos e civilizações de outros lugares. Guerreiros ao norte, caçadores de arco e flecha a leste a ao sul, cidades inteiras feitas de porcelana no oriente. Essas outras civilizações não o assustavam, porque já estavam logo ali, ligadas a sua terra por um pedaço de terra longo e perigoso, porém bastante palpável e possível de atravessar. Já tinha visto os mouros, os árabes, os pequenos homens de olhos puxados. O novo mundo era diferente. Ninguém tinha ouvido falar dele, as lendas e as escrituras não falavam dele. Que tamanho será que ele tinha? Se andassem pra dentro do continente, até chegarem ao outro lado, o que será que iriam encontrar? Haveria outro oceano? Haveria ainda outro novo mundo? Qual deveria ser de verdade seu tamanho?

Olhava em sua mesa um mapa. O mapa. Tinha orgulho daquele desenho naquele pedaço de papel. O havia conseguido com muito custo, combinando informações de diversos lugares. Agora o mapa era só uma relíquia que registrava a ignorância da sociedade de onde ele vinha, algo do qual iriam rir no futuro.

O lorde acreditava na ciência, tinha orgulho de ter investido o dinheiro da família em empreendimentos que haviam dado resultado, aumentando em muito a riqueza que já possuíam. Havia ajudado a desenvolver os trabalhos com metal, as novas prensas de livros, havia ajudado a financiar as viagens que deveriam apenas trazer especiairias das indias e que sem querer esbarravam em algo muito maior.

Sentia que aqueles eram tempos de grandes mudanças e até saber do novo mundo lhe dava certo orgulho de poder viver e fazer parte daqueles dias. Agora se sentia pequeno, sozinho e simples.

Quando dormia, carregava suas preocupações. Tinha pesadelos e neles via cidades inteiras flutuando no céu. Via pessoas que se comunicavam apenas com o pensamento. Via uma cidade na Lua cujos donos eram os povos no novo mundo. Imaginava que poderiam, lá da Lua, a hora que quisessem, destruir todo o mundo, arremessando flechas e bombas, que caíriam com imensa força depois de viajar o caminho inteiro do céu. Do céu olhava pra baixo e via que seu país e o mediterrâneo eram apenas uma gota e um ponto num mundo imensamente maior.

Naquela noite teve um novo pesadelo destes. Neste, os líderes das cidades do céu o convidavam para um passeio num barco voador imenso, feito de cristal. O chamavam porque reconheciam sua importância no incentivo a ciência, nos trabalhos com metal e na publicação de livros. Queriam saber de suas histórias, queriam saber quem era e que vida tinha vivido até ali. Tudo acontecia em frente a uma mesa de jantar circular, durante uma farta refeição.

Dos lados de seu prato haviam ferramentas de metal. Uma delas ele conhecia muito bem, um faca, como muitas que já tinha visto, se destacava por ser leve e firme, simples, mas com estilo. A outra ferramenta lhe era familiar, tinha visto algo parecido em estátuas de Netuno, o deus do mar da antiga religião romana. A diferença era que aquilo era pequeno, confortável, simples e eficiente para segurar a comida que precisava ser cortada e versátil o bastante, com dentes o bastante, para pegar comida quase como uma colher.

No outro dia, chamou seus ferreiros e explicou sobre o instrumento, mostrando os desenhos que tinha feito. Ele sabia que a largura deveria ser um pouco mais larga que seu polegar, pra poder caber na boca, mas não lembrava quantas pontas a ferramenta deveria ter. Pediu então que fizessem com duas pontas, com três, com quatro, com cinco e até com seis.

Depois, com os instrumentos a mão, pensou que seria bom testar com a comida que mais era consumida em seu país naquela época: o macarrão. Assim, por causa do macarrão, o garfo escolhido foi o de quatro pontas, porque com quatro pontas o espaço entre os dentes é o espaço certo pra que o fio de macarrão passe sem ficar apertado ou solto demais. E o nome garfo vem de “graphĭum”, que significa “gráfico”, ou “diagrama”, ou “desenho”, em latim. O nome ficou sendo este porque aquele era instrumento feito a partir do desenho que um lorde fez depois de sonhar com barcos no céu. “Que ferramenta é essa?” “ a do desenho”, que foi simplficiado pra “o graphĭum”, que depois virou “o garfo”.

Apesar de ler um monte, escrever um monte e volta e meia ainda contar por aí em círculos de conversas desavisadas um monte de mentiras, eu não sei explicar ao certo como acontece uma história. A medida que as palavras vão se combinando, não é só som vazio que se forma, não é só discurso. Se as palavras certas são alinhadas e o ritmo e a direção se mantém, em algum momento, aquelas palavras conseguem ativar alguma coisa na cabeça de quem lê ou ouve e uma história é criada, a imaginação acorda e preenche as lacunas e mesmo quando falta o ritmo, ou o talento na hora de escolher as palavras, mesmo quando os personagens são incompletos e os conflitos são infantis ou incoerentes, uma história consegue sair e no final é divertido.

Jornada: Estrada para Hopefall é uma dessas histórias. O livro não tem editora, é auto publicado pelo sistema do kindle da Amazon. O autor é Matheus Forny, que talvez você conheça pela internet como o “lojinha” do blog/baderna/casa-do-Hell/change-erra/quadrinhos/podcast MDM.

O livro conta uma aventura em um mundo de fantasia criado pelo autor, que parece ser inspirado em mundos medievais de outros livros de fantasia, animes e video games. Existe magia, existem elfos, orcs, deuses, profecias, monstros com nomes inventados e tudo que se espera de um mundo assim. Existe também uma parte de tecnologia, com conhecimento de eletricidade, combustão e outras coisas desse tipo.

Nesse mundo, a história acompanha a jornada (pisca, pisca) de 3 personagens até chegarem a cidade de Hopefall (pisca, pisca – de novo). Pelo caminho, essa galerinha do barulho vai passar por altas aventuras e aprender sobre eles mesmos.

Lendo assim por cima é bem possível que o livro lhe apeteça, afinal de contas é sempre divertido uma aventura com todos os elementos mágicos, tecnológicos e com desenvolvimento pessoal, porém existem algumas ressalvas, como foi introduzido lá em cima, lá naquele parágrafo misterioso do início (pisca, pisca – ainda mais uma vez).

O livro tem problemas de escrita, de amadurecimento na construção dos personagens, na construção do mundo e das regras do mundo e no tom que ele se propõe a ter. Pondo de forma simples, o tom da história, a raiz de onde a narrativa emana, é muito mais próxima do que se espera ver em um anime do que o que se espera ver em um livro.

Sendo assim, espere ver os personagens ficando corados e mordendo os lábios mais do que uma pessoa normal costuma fazer ao longo da vida. Espere também piadas envolvendo meninas que gritam e dão tapas. Espere também choros e dramas que lembram adolescentes apesar dos personagens não serem adolescentes, além de outras coisas que são comuns ao gênero. Se nada disso te incomodar, se você inclusive gostar dessas coisas de anime, é bem capaz que você goste muito do tom do livro ser exatamente assim. Inclusive, uma versão em quadrinhos dessa história seria muito legal.

Com relação a escrita, é interessante notar como um livro é um exercício pesado a quem se propõe de fato a ser um escritor. Dá pra ver como aqui e ali falta intimidade com as palavras, falta músculo criativo, enquanto que em outros momentos a história flui, composições interessantes acontecem e o livro brilha, seja numa cena de ação bem feita, seja na introdução de um personagem que abre possibilidades inteiramente novas pra história.

Apesar das ressalvas feitas e de ser um livro que tem um público específico, este é um livro que poderia estar na livraria mais próxima de você. Sendo bem sincero, existe sim uma necessidade de melhorar o texto, de organizar as coisas, de aparar as pontas pra que a escrita e a narrativa sejam mais, digamos assim, “profissionais”.

Ao mesmo tempo, acho uma merda avaliar as coisas dessa forma, porque mesmo com todos esses problemas que algumas vezes me incomodaram durante a leitura, mesmo eu sendo alguém que gosta de anime, como colega escritor, eu consigo reconhecer o mérito de criar uma jornada que é divertida de ler, num mundo que falta elementos, mas que é divertido de estar, num livro que no final encerra a história, deixando uma vontade de continuar a acompanhar a história dos personagens nos dois outros livros que vem depois desse. O segundo, inclusive, já saiu.

Segue abaixo os links pra comprar os livros (apenas em formato digital). Quem sabe um dia, você não vai poder dizer que leu “a versão original, dessa aventurazinha aí que todo mundo tá falando agora”. Existe talento aqui e com tempo e persistência, arrisco dizer, grandes livros virão.

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Os desenhos abaixo são de Angel Ganev, ou como ele mesmo se chama, o melhor unicórnio da cidade, lá na Inglaterra.

Para ver mais desenhos dele clique aqui.