E aí eu joguei: RiME

Nem sempre faz sentido porque alguns jogos fazem mais sucesso que outros. É justo dizer que no mundo dos games quase sempre um jogo bom consegue se destacar, achar seu público e eventualmente ser o sucesso comercial que ele precisa ser pra que aquele grupos de pessoas criativas possa continuar sendo criativas em seus próximos jogos. Mas nem sempre isso é verdade e num momento como o de hoje em que a quantidade de jogos sendo lançada é tão grande muita coisa boa se perde e mesmo quando é achada acaba sendo julgada não por si só, mas como aquele jogo faz algo que outros tantos jogos já fizeram.

RiME é um jogo que mistura puzzles com exploração, num ritmo que é quase meditativo, que tenta causar emoções no jogador através do senso de descoberta. São os momentos onde o impacto visual, a cena em movimento e a trilha sonora, juntos criar algo que causa no jogador uma emoção. É um jogo de perceber, de buscar causar no jogador algo sem ser explícito, se dizer claro, sem usar linguagem na forma de palavras mas na forma de um jogo em si.

O paralelo mais famoso que poderia ser citado, só pra dar alguma referência, seria o jogo Journey, apesar de RiME não ser exatamente isso, tendo muito mais um senso de exploração e de direção de história que o mencionado jogo do deserto.

Em RiME você controla um menino que acorda em uma ilha, sendo trazido pelo mar. Você pode andar, pular, se pendurar pelas paredes, nadar e mergulhar. Explorando a ilha você vai descobrindo que lugar é aquele, quem é o menino e o que aconteceu pra que ele tenha chegado até ali.

Falar muito mais sobre como o jogo se desenrola e de como a área ensolarada e tranquila do começo do jogo se transforma e avança pros lugares que o jogador é levado a medida que o jogo avança acredito que possa estragar a experiência de quem for jogar. Prefiro então só dizer que existe variedade aqui e que essa variedade tem um motivo que conversa com a história que é aos poucos revelada.

Eu tinha ouvido críticas tão mais ou menos sobre o jogo que não tinha me interessado em jogar. Tinha ficado até meio desapontado já que o trailer me deu a impressão de que esse seria um jogo legal. Acabei jogando porque o jogo foi dado grátis pra quem era assinante da Playstation Plus no mês de fevereiro desse ano e foi pra mim uma grata surpresa.

Acho estranho ver que o jogo não conseguiu ter o mesmo impacto que outros jogos indie conseguem ter e que tem a mesma pegada. O nível de talento envolvido na produção do jogo é bem evidente nas animações dos personagens, no design do mundo, no balanço de cores, de dificuldade, de jogabilidade e trilha sonora. Não é um desses jogos indies que fica bem claro que são pessoas começando e que você acaba perdoando uma série de simplificações porque existe uma boa ideia. O jogo é muito bem acabado tecnicamente e também do ponto de vista de gamedesign.

Falando nisso, achei muito curioso ver uma quantidade grande de críticas reclamando que o jogo não apontava direito para onde era preciso ir ou que os puzzles a serem resolvidos eram super difíceis e não faziam sentido.

Pessoalmente, não fiquei perdido nenhuma vez, apesar de poder dizer como um elogio que os mapas são sim bastante complexos, que apesar de ser um jogo que te entrega um espaço para você explorar livremente no final é um corredor, o jogo espera que você saia do ponto A, que chegue no ponto D, passando pelo ponto B e C no caminho. É um mundo divertido de explorar, com um ritmo e uma direção de arte que te leva pra dentro do jogo.

Quanto aos puzzles não tive também nenhum problema, o que não quer dizer que são puzzles óbvios ou idiotas. Além disso, nada custa lembrar que existe hoje em dia algo chamado internet e que combinado com algo chamado humildade, que já existe tem muitos anos, é possível buscar e achar como passar de qualquer puzzle em qualquer jogo já lançado, ora ora, vejam só, rapaziada, uhu XD

Nas críticas negativas que ouvi me chamou a atenção como se bateu na tecla de que o jogo não faz nada que outros jogos já não tenham feito de forma melhor e acho que isso é muito injusto. Primeiro porque não vi nenhuma crítica que de fato citou e definiu qual jogo fez melhor o que, dando a impressão de que é um desses argumentos furados que um redator mal pago tem que citar e colocar para escrever e produzir logo o mais rápido possível mais um review porque um milhão de jogos saem por dia e esse aí não fomos com a cara. Segundo porque esse é sempre um argumento injusto especialmente quando o que está sendo julgado, mesmo se não for original, é bem feito. Uma lasanha é sempre uma lasanha, mas ela não deixa de ser boa só porque você já comeu lasanha antes, certo? Sei lá, realmente não entendo porque tanta gente criticou a originalidade do jogo.

Pra não só aplaudir e dar graças, a única coisa que me incomodou um pouco foi como a história termina. O final faz sentido, é satisfatório, mas me pareceu apressado, com um encaixe um pouco brusco, como se tivesse acabado o tempo de polir a experiência e uma solução não tão de alto nível quanto todo o resto foi colocada em prática. Ainda assim é legal ver como o jogo lida com etapas de algo que ele pretende contar com sua história — e essa é uma frase que é propositalmente vaga pra não ser um spoiler.

RiME é um desses jogos que se você se permitir é capaz de te levar embora, de colocar sua cabeça em outras coisas, de te fazer esquecer desses problemas todos e estresses do mundo pra descobrir aquele outro mundo e os problemas muito mais simples dele.

Recomendo bastante, especialmente se você é uma dessas pessoas que acha que um jogo não precisa te dar algo pra matar a cada 20 segundos, que gosta de andar e explorar o mundo e que entende porque uma trilha sonora, um pôr do sol, um caminho que a luz faz, pode sim ser uma “coisa bonita”.

RiME está disponível pra todos os consoles desta geração além do PC.

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