Mentiras explicativas: 19 – Porque quanto mais velha a pessoa menos ela precisa dormir?

“Mentiras explicativas” é quando venho aqui pra contar mentiras que importam, explicam e revelam os mistérios “dos universo”. Hoje, por exemplo…

Porque quanto mais velha a pessoa menos ela precisa dormir?

Motivo 1 – O curto
Porque aprendem a dormir melhor com a prática dos anos.

Motivo 2 – A história
Nascer é um processo bastante complicado e cheio de possíveis repercussões e desdobramentos que vão muito além da vida do indivíduo que nasce ou daqueles ali em volta dele, batendo palma e comendo bolo. Qualquer vida tem o potencial de canalizar ideias, de sair por aí falando coisas, convencendo os outros de absurdos e despropósitos, que podem colocar em risco o projeto planeta Terra como um todo.

Por esse motivo, criou-se o mecanismo do espalhamento da centelha de vida. Funciona assim, cada vida que nasce não nasce só como um ser humano cabeçudo. Sinto se isso lhe ofende, mas é um fato matemático que, analisadas, de forma isenta de paixão, as proporções de um bebê deixam claro que ele é cabeçudo. Prosseguindo, cada vida que nasce, nasce também espelhada pelo mundo em vários pontos, em diversas formas.

Cada vida inserida no Sistema Planeta Terra é dividida de forma igual e depositada em todos que estiverem nascendo naquele mesmo momento, com uma precisão que tende ao infinito. Assim sendo, a mesma centelha de vida habitará criaturas da floresta, peixes no fundo do mar, aves, bodes selvagens, plantas, insetos, bactérias e seres humanos.

Cada criatura é única em sua forma de ser e nas experiências que vai ter entre o dia que nasce e o dia em que morre. A morte é um fator importante porque ela é um elemento variável em cada uma das criaturas. Descontando as mortes por acidentes e os acasos, é um fato que certas criaturas vivem mais tempo do que outras e isso trás uma série de efeitos colaterais de alta importância. Ter a mesma vida espalhada por todo planeta e em diversas criaturas que vão morrendo aqui e ali afetam o processo como um todo.

Por exemplo, é por isso que crianças são dotadas de uma alegria e uma energia que se perde com os anos. Elas são de fato mais cheias de vida. São também conectadas de uma forma diferente com o mundo, muitas vezes dotadas de uma capacidade de espontaneidade, sabedoria e paz de espírito, que a maioria dos seres humanos nunca mais vai ser capaz de alcançar na vida.

Existem pontos de flutuação no sistema. Algumas vezes pode acontecer de um número muito pouco de nascimentos acontecer em um dado instante, isso faz com que uma determinada vida seja espalhada menos em cada uma das formas de vida que a recebem. Você talvez já teve a oportunidade de cruzar com pessoas que tem essa vida extra por aí, certas criaturas dotadas de uma jovialidade e uma energia pra fazer, diferente de todo o resto. Peço que coloque de lado seu egocentrismo humano e veja que isso vale para gatos, orquídeas e até aquele passarinho que canta mais alto quando amanhece o dia. Nesses casos, para evitar que uma criatura com poderes divinos nasça, o mundo foi projetado para ter uma quantidade imensa de criaturas minúsculas que vivem muito pouco. Por isso temos por aí tantas bactérias, algas unicelulares e insetos.

Quando tiver tempo, repare nesses insetos que vivem uma semana e veja como se movem depressa, como saltam e andam e voam.

Voltando ao exemplo do bebe, já que o egocentrismo é boa estratégia para prender a atenção e extender a conversa. Bebes, especialmente recém nascidos, dormem muito e precisam dormir o tanto que dormem porque dormir está relacionado a processar tudo o que as outras partes daquela vida enviam para aquela vida que dorme. Enquanto ele dorme, ele literalmente está aprendendo sobre o mundo.

Os velhos, por outro lado, são o oposto. As partes da vida dele já morreram quase todas. Algumas vezes até todas. Você já deve ter conhecido por aí algum velho completamente desconectado com o mundo. Por isso eles dormem menos, porque não precisam, porque o aprender sobre o mundo e a vida passa a estar mais focado nas próprias experiências dele, nas coisas que ele carregou e viveu até chegar onde está.

Algumas vezes, num desses casos ritmados no improviso das regras, um mesmo velho, ou velha — por favor, não se ofenda — consegue ter sua vida ainda espalhada pelo mundo em formas de vida que vivem mais que um ser humano. Encontrar uma dessas pessoas é sempre uma experiência fascinante, ver os olhos iluminados, a lucidez, a sabedoria, alguém que é, como dizem “apesar da idade”, assim “tão cheio de vida”.

Às vezes, fico pensando nas árvores de quase mil anos de idade e o que elas teriam pra dizer se pudessem falar.

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