Mentiras explicativas: 18 – Porque os garfos tem 4 pontas?

“Mentiras explicativas” é quando venho aqui pra contar mentiras que importam, explicam e revelam os mistérios “dos universo”. Hoje, por exemplo…

Porque os garfos tem 4 pontas?

Motivo 1 – O curto
Porque se tivessem três pontas seriam chapéus.

Motivo 2 – A história
O garfo moderno foi inventado na região que hoje é conhecida como o país Itália. Seu criador foi um certo lorde, lá pelas épocas das grandes navegações, logo depois de terem descoberto o novo mundo.

O lorde estava muito estressado com a descoberta do novo mundo. A última carta recebida contava que lá, do outro lado do mundo, depois de atravessar todo o mar, havia também pessoas. Pessoas! Quem poderia imaginar? Os animais, as plantas, os rios, e tudo o mais que que as cartas descreviam eram também impressionantes, mas o que lhe deixava aflito e lhe dava pesadelos era saber das pessoas.

Seu problema com pessoas não vinha apenas do fato do lorde ser recluso e preferir a companhia de ninguém. Seu problema era o medo que sentia ao pensar nas possibilidades.

Sentado em sua mesa de madeira escura e comprida, em frente a janela, suava frio ao imaginar que a próxima carta poderia chegar dizendo que avançando mais adentro no novo mundo haviam achado nações maiores que as que eles já conhecia. Impérios maiores que os impérios de antigamente, generais maiores que Alexandre e César. E se tivessem diferentes tecnologias? E se tivessem desvendado mistérios sobre a vida e sobre Deus que eles ainda não tinham conseguido?

Se lembrava de ter ouvido de tribos e civilizações de outros lugares. Guerreiros ao norte, caçadores de arco e flecha a leste a ao sul, cidades inteiras feitas de porcelana no oriente. Essas outras civilizações não o assustavam, porque já estavam logo ali, ligadas a sua terra por um pedaço de terra longo e perigoso, porém bastante palpável e possível de atravessar. Já tinha visto os mouros, os árabes, os pequenos homens de olhos puxados. O novo mundo era diferente. Ninguém tinha ouvido falar dele, as lendas e as escrituras não falavam dele. Que tamanho será que ele tinha? Se andassem pra dentro do continente, até chegarem ao outro lado, o que será que iriam encontrar? Haveria outro oceano? Haveria ainda outro novo mundo? Qual deveria ser de verdade seu tamanho?

Olhava em sua mesa um mapa. O mapa. Tinha orgulho daquele desenho naquele pedaço de papel. O havia conseguido com muito custo, combinando informações de diversos lugares. Agora o mapa era só uma relíquia que registrava a ignorância da sociedade de onde ele vinha, algo do qual iriam rir no futuro.

O lorde acreditava na ciência, tinha orgulho de ter investido o dinheiro da família em empreendimentos que haviam dado resultado, aumentando em muito a riqueza que já possuíam. Havia ajudado a desenvolver os trabalhos com metal, as novas prensas de livros, havia ajudado a financiar as viagens que deveriam apenas trazer especiairias das indias e que sem querer esbarravam em algo muito maior.

Sentia que aqueles eram tempos de grandes mudanças e até saber do novo mundo lhe dava certo orgulho de poder viver e fazer parte daqueles dias. Agora se sentia pequeno, sozinho e simples.

Quando dormia, carregava suas preocupações. Tinha pesadelos e neles via cidades inteiras flutuando no céu. Via pessoas que se comunicavam apenas com o pensamento. Via uma cidade na Lua cujos donos eram os povos no novo mundo. Imaginava que poderiam, lá da Lua, a hora que quisessem, destruir todo o mundo, arremessando flechas e bombas, que caíriam com imensa força depois de viajar o caminho inteiro do céu. Do céu olhava pra baixo e via que seu país e o mediterrâneo eram apenas uma gota e um ponto num mundo imensamente maior.

Naquela noite teve um novo pesadelo destes. Neste, os líderes das cidades do céu o convidavam para um passeio num barco voador imenso, feito de cristal. O chamavam porque reconheciam sua importância no incentivo a ciência, nos trabalhos com metal e na publicação de livros. Queriam saber de suas histórias, queriam saber quem era e que vida tinha vivido até ali. Tudo acontecia em frente a uma mesa de jantar circular, durante uma farta refeição.

Dos lados de seu prato haviam ferramentas de metal. Uma delas ele conhecia muito bem, um faca, como muitas que já tinha visto, se destacava por ser leve e firme, simples, mas com estilo. A outra ferramenta lhe era familiar, tinha visto algo parecido em estátuas de Netuno, o deus do mar da antiga religião romana. A diferença era que aquilo era pequeno, confortável, simples e eficiente para segurar a comida que precisava ser cortada e versátil o bastante, com dentes o bastante, para pegar comida quase como uma colher.

No outro dia, chamou seus ferreiros e explicou sobre o instrumento, mostrando os desenhos que tinha feito. Ele sabia que a largura deveria ser um pouco mais larga que seu polegar, pra poder caber na boca, mas não lembrava quantas pontas a ferramenta deveria ter. Pediu então que fizessem com duas pontas, com três, com quatro, com cinco e até com seis.

Depois, com os instrumentos a mão, pensou que seria bom testar com a comida que mais era consumida em seu país naquela época: o macarrão. Assim, por causa do macarrão, o garfo escolhido foi o de quatro pontas, porque com quatro pontas o espaço entre os dentes é o espaço certo pra que o fio de macarrão passe sem ficar apertado ou solto demais. E o nome garfo vem de “graphĭum”, que significa “gráfico”, ou “diagrama”, ou “desenho”, em latim. O nome ficou sendo este porque aquele era instrumento feito a partir do desenho que um lorde fez depois de sonhar com barcos no céu. “Que ferramenta é essa?” “ a do desenho”, que foi simplficiado pra “o graphĭum”, que depois virou “o garfo”.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s

%d bloggers like this: