Mentiras explicativas: 10 – Porque as pessoas mentem?

Hoje é dia de mentiras. Mas, qual tipo de mentiras estamos falando? Ora — ora essa — mentiras que importam, mentiras que explicam e revelam os mistérios do universo. Hoje, por exemplo, vamos explicar…

Porque as pessoas mentem?

Motivo 1 – O curto
Porque é necessário.

Motivo 2 – A história
Muitos anos atrás, o Eufemismo e a Culpa, tiveram um relacionamento. Uns dizem que foi amor, outros dizem que eles eram apenas jovens e não sabiam o que estavam fazendo. Como muitas vezes acontece, é difícil saber de verdade o que aconteceu quando a única referência do que houve é a versão contada por outros, mas quando alguns fatos se repetem nas versões que cada um conta, acaba sendo possível ter, mesmo que incompleto, um retrato do que aconteceu.

Dizem que no começo era só uma amizade, que por um desses acasos do convívio eles tiveram que passar algum tempo juntos. Os que os viram nesses primeiros dias diziam que existia uma certa química entre os dois, na maneira que se olhavam, que conversavam, que riam só os dois das piadas que só os dois faziam. Quando andavam, vez ou outra se esbarravam num passo que era reto ao mesmo tempo em que não era, um passo que conduzia em frente e que também conduzia ao se esbarrar. Foi rápido até que a amizade virasse algo mais.

O Eufemismo sabia do valor de se dizer as coisas reduzindo aqui e ali os impactos negativos de tudo que acontecia. Ele entendia a importância de focar no que era importante, de ver as intenções por trás das ações, de olhar o todo, o macro.

A Culpa sentia muito por tudo que acontecia e justamente por isso gostava de falar com o Eufemismo porque ele sabia como ninguém fazer seu sentimento tão familiar diminuir. Ele dava a ela um amparo e uma visão das coisas que a reconfortava.

Foi inclusive por isso que o relacionamento dos dois não deu certo. A medida que se entendiam e davam um amparo ao sentimento que os definia, o sentimento diminuía e com ele diminuindo eles em sua essência deixavam de ser quem eram. A Culpa se sentindo menos culpada era menos culpa e sendo menos culpa era menos que era. O Eufemismo vendo que nem sempre podia diminuir ou simplificar os fatos, que as ações tinham consequências e que muitas vezes era importante e necessário apontar culpados e culpas também se via foçado a ser menos eufemista e — da mesma forma — acaba por aos poucos deixar de ser quem era.

Se fossem pessoas os dois, faria sentido esperar que eles apenas se tornassem outra coisa e continuassem a aprender sobre estar vivo com a vida e um com o outro. Como não eram pessoas, como eram a definição do ser das palavras e viviam no mundo sobre o mundo, dando significado ao que era o real para os humanos, não podiam continuar juntos porque não podiam sumir. Um mundo sem eufemismo e sem culpa seria um mundo muito diferente e muito mais complicado.

Durante o tempo em que estiveram juntos, na mistura que fazia eles deixarem de ser quem eram, “Aquela que observa do outro andar” viu que havia ali uma coisa nova. Ela que mexe os fios que tecem o tudo, puxou e deu nós e entregou para “Aquele que executa”. Da união dos dois nasceram duas filhas, gêmeas, que carregavam ambos as características misturadas de seus pais, cada uma de seu jeito. Foi assim que nasceram a Mentira e a Verdade.

As pessoas falam a verdade porque sentem culpa, porque sabem que é errado diminuir a realidade das coisas com eufemismos. As pessoas mentem porque sentem culpa e porque querem diminuir a realidade das coisas com histórias que são eufemismos, porque vez ou outra a realidade das coisas é simplesmente dura demais.

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