A irrelevância de se ter um domínio .com ou .com.br nos dias de hoje

Alguns dias atrás o domínio do meu site de música, o everyday1music, expirou. E aí, diante dos novos valores impostos pela sociedade de hoje em dia para renovar o domínio, fiquei pensando se valia a pena pagar o valor. Acabei chegando a conclusão que não valia.

O site tem quase 10 anos e a internet de lá pra cá mudou muito. Seria uma coisa discutir apenas em termos de plataformas, de meios de se fazer conteúdo e etc, mas já que falei de valores ali em cima, vamos primeiro falar disso.

Nos primeiros anos, ter um domínio .com por um ano custava algo em torno de 15 reais, usando um provedor brasileiro com certa qualidade de serviço e suporte. Ao longo dos anos o valor foi saltando, tendo nos últimos anos saltado tanto que esse ano o custo para renovar chegou a 80 reais. Eu poderia até ir pra outro provedor, tem outros com promoções do tipo no primeiro ano o valor ser bem baixo, pra ajudar o negócio a decolar, tipo o GoDaddy, que hoje em dia está aqui no Brasil, além de outros provedores com uma estrutura muito mais robusta e um valor um pouco mais baixo que as alternativas nacionais, como o caso do BlueHost.

O fato é que, pensando numa estrutura profissional, pensando que você tenha um negócio e ele seja sua fonte de renda, ou que você tenha uma empresa onde ter um site faz mesmo diferença, o valor ter saltado de 15 reais, até pra 150 reais por ano, seria plenamente justificável. É foda ver o preço saltando, mas no final das contas, dentro de todos os problemas e custos de se ter uma “atividade empreendedora”, certamente o domínio é um dos custos mais baixos.

Porque então não renovar? Bom, em parte tem a ver com a maneira como nós consumimos conteúdo hoje em dia. Podemos pegar pessoas que são ícones e referências de áreas e o local onde elas existem é dentro das plataformas. São os canais de Youtube, que existem dentro do youtube, com um domínio http://www.youtube.com/fulanoDeTal. O mesmo vale para os perfis de Twitter, para os perfis de Instagram e outros. Ter um domínio é irrelevante, especialmente porque as pessoas buscam as coisas no Google e elas salvam os sites que gostam e associam os sites nas redes sociais. A imensa maioria das pessoas inclusive tem como “internet” um emaranhado de redes sociais, ela salta de uma pra outra, ela não salta para o mundo aberto das possibilidades e se lança no Google para achar novos sites. Em outras palavras, a relevância do conteúdo e a presente em mídias sociais são muito mais importantes para se atingir algum público do que ter um domínio .com ou .com.br.

O site que era o http://www.everyday1music.com virou o http://www.everyday1music.blogspot.com, mas isso não muda nada, porque a maioria das visitas vem do twitter ou do google de pessoas que estão buscando conteúdo de suas bandas favoritas. O que vai estar escrito na barrinha de endereços não importa. Inclusive nem importa o endereço em si, já que os algoritmos do Google são inteligentes o bastante pra achar sites com as pessoas buscando apenas o nome do site.

Por um lado acho que é positivo eliminar essas necessidades burocráticas e que podem embarreirar um criador de conteúdo talentoso começar a fazer suas coisas. As redes sociais e toda essa possibilidade delas serem as plataformas para que os conteúdos sejam expostos abre portas muito interessantes pra que novas ideias possam surgir. Ao mesmo tempo, toda uma gama de criações e talentos, seja em vídeos, seja em fotos e desenhos no instagram, ou em tiradinhas e comentários inteligentes no twitter, tudo fica envelopado num pacote de conteúdo que é projetado para cada usuário individual.

Em outras palavras, ser muito bom não é exatamente o único pré-requisito para se alcançar o sucesso, não adianta fazer um bom trabalho. Se o conteúdo gerado não consegue levantar os flags dos algoritmos das redes sociais, ele não vai aparecer na time line de ninguém. Na época em que gerar conteúdo estava atrelada ao domínio, o talento era o que determinava o número de visitas, as pessoas voltavam porque gostavam do que viam, porque viam relevância no conteúdo que acharam por acaso. Hoje com as redes sociais, as pessoas consomem e consomem de novo um artista, um conteúdo, uma ideia, porque ela entra em loop na time line dela, alguém faz a escolha por ela e nesse jogo, estar lá sozinho segurando uma plaquinha escrito .com me pareceu algo do passado, algo sem valor mesmo.

Resumindo, o everyday1music.com agora é everyday1music.blogspot.com, façam uma visitinha lá depois e — olha só — sigam nosso twitter pra saber quando tem música nova sendo postada.

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