Nintendo LABO e divagações sobre este país

No último dia 17 de janeiro a Nintendo revelou uma “nova maneira” de interagir com seu Nintendo Switch (o console mais novo deles, caso você esteja mais preocupado em pagar teus boletos do que o que acontece no mundo dos games). Eis o vídeo.

Resumidamente, como os controles do Switch tem sensores de movimento, além de botões e outros, a ideia é usar os controles para “traduzir” como se comporta um objeto construído de papelão, dando uma “camada” a mais na interação.

O público-alvo principal é mais infantil, ou como eles mesmo falaram “adultos que ainda tem seu lado criança” e dá mesmo pra imaginar a aventura de construir alguma coisa com o papelão, usar o controle como interface e efetivamente usar isso num jogo. O vídeo mostra pais e filhos e coisas desse tipo de famílias perfeitas e felizes que sempre tem nesses vídeos.

Seja como for, acho uma proposta bem criativa, que tem muito potencial, mas tirando todo esse lado da “notícia novidade malandra e feliz do mundo dos games” esse tipo de anúncio acaba, pelo menos pra mim, ativando também um lado meio dark das coisas.

Não é nem essas coisas de famílias perfeitas, apesar de só isso em si já ser sempre um ponto de discussão. Essa coisa do pai que brinca com o filho e sei lá o que, quer dizer, não é que não exista ou que não aconteça, mas as famílias do mundo são muito mais complicadas e menos conectadas do que isso. Meu ponto é mais em relação a ver como certas pequenas possibilidades de se ter acesso as coisas pode definir e muito quem as pessoas podem ser.

No final é sempre uma questão de dinheiro, de quanto custam as coisas. O dinheiro é a porta de acesso e quando não existe o dinheiro, ou quando por algum motivo muito complexo e histórico a economia do seu país faz as coisas custarem sempre muito, as pessoas não tem esse acesso. É muito curioso ver como certas coisas podem ser fáceis e simples em alguns países e serem muito complicadas e terem todo um significado social em outros. É aquela continha básica que volta nós pessoas reclamonas da internet volta e meia fazemos, comparando o valor do salário mínimo do Brasil com o de outros países e vendo em porcentagem quanto as coisas custam aqui e lá.

Gosto muito do mundo dos games, das tecnologias e tudo mais, mas algumas vezes quando vejo essas coisas me sinto uma espécie de invasor, de fraude, alguém que está lá, mas que não faz mesmo parte daquela cultura e daquela coisa toda. Talvez até um idiota por aceitar pagar o preço que pagamos, por ficar mais preocupado com o próximo game, com o próximo filme, com o próximo pew pew foin foin e não com com problemas reais. Sei lá também, acho que nós brasileiros só queríamos que certos filhos da puta fossem moderadamente filhos da puta, não astronomicamente filhos da puta. Ainda bem que temos humor, memes e que sabemos não levar as coisas tão a sério. Pelo menos por hora, pelo menos por enquanto.

E agora uns memes, porque não somos obrigados e uns prints daquelas sugestões do Google que faz tempo que não faço e são sempre ótimos. Sério, dá uma olhada.

Sinking like Titanic!

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