O NaNoWriMo 2017 acabou

Vamos ser sinceros. Chegamos ao final do mês e devo dizer que não completei as 50 mil palavras. Porém, completei 14 mil. Não é nem metade, mas considerando que foi uma tentativa de encaixar na rotina já sem muito tempo algo que não cabia lá, eu diria que até que é um bom número. Devo dizer também que parte do “sucesso” desse número teve a ver com os feriados que tivemos em novembro e como eles deram o tempo extra pra escrever mais. Mas hoje eu quero falar sobre como participar do NaNoWriMo me deu uma perspectiva mais completa sobre algumas coisas que vinham rondando minha cabeça cabeçuda.

Esse exercício de escrever com frequência, de se forçar a escrever todos os dias, foi um dos motivos de eu ter voltado a fazer esse site. Em algum momento eu fiquei tão de saco cheio de me dedicar a escrever coisas, que meu interesse por fazer o site foi morrendo e os posts ficaram cada vez mais escassos, até eu ver que a única coisa que eu postava era um vídeo ou outro de Youtube. Eu ter mudado o nome do site de projeto-webcoisas pra ser histórias & coisas teve a ver com perceber que eu precisava escrever, e tinha que ser todos os dias, e tinha que ser uma coisa nova, com uma nova “linha editorial”, uma maneira que me empolgasse de novo a escrever, pesquisar e publicar (bobeiras) na internet.

É papo de velho, mas é bastante reconfortante poder olhar pra trás, pras coisas que não deram certo e entender, pelo menos o suficiente, porque elas não deram certo. Consigo ver muitos motivos que me levaram a ficar de saco cheio de escrever e acho engraçado como tem paralelos com quando fiquei de saco cheio de desenhar.

Aceitar a necessidade de escrever histórias e jogar elas para o mundo é um processo mais complicado e tortuoso do que de espera. Aceitar e entender a forma de expressão, se permitindo mesmo dizer o que der na ideia, tocando um belo “foda-se” pras coisas, tendo intimidade com você mesmo pra se deixar ser ridículo e falar das coisas que você precisa falar e efetivamente fazendo as coisas que muitas vezes ficam anos na gaveta, evitando que elas sejam esquecidas. As vozes, as imagens, os personagens, as histórias, estão na minha cabeça e elas precisam sair. É uma conversa consigo mesmo, é uma carta de símbolos pra si mesmo, sobre o que está certo, sobre o que está errado, sobre qualquer coisa.

Da mesma forma que desenhar, escrever é algo que eu preciso fazer. É algo que eu preciso fazer pra mim. E se eu fizer mil desenhos irrelevantes ou escrever mil histórias que se conectem com o mundo, essa necessidade pra mim mesmo vem primeiro. Deixar fluir, deixar sair. Dizer. Não ficar quieto, cuidar de si e não só dos outros.

O NaNoWriMo, assim como foi o Inktober, me mostram como eu negligencio coisas que eu deveria dar mais atenção. Ao contrário de muita gente que acaba não conseguindo “completar” esses eventos, meu problema não é não saber o que escrever ou desenhar, meu problema é sentar e fazer, se permitir sentar e fazer, se organizar e deixar fluir. Reconhecer a importância disso, mudar a rotina e fazer caber. Realizar, materializar no mundo real. As ideias são muitas, mas falta criar caminhos pra transformar uma ideia pra uma história em uma história de verdade. E o tempo passa e coisas vem e vão e o potencial pode se perder por simples burrice, por não saber fazer o que tem que ser feito.

Enfim.

Tenho minhas dúvidas de como isso soa para alguém que não escreve, ou desenha ou que tem essa necessidade de criar as coisas. Tenho minha dúvida se não acabo soando bem babaca ou arrogante, se não fica parecendo que eu me acho o “puta artistão foda caralho”. Mas acho que não faz diferença. Vou continuar escrevendo, desenhando e fazendo as coisas. E pra você que talvez não saiba, toda sexta e toda segunda estou publicando contos aqui no site e isso do NaNoWriMo me deu a ideia de publicar aqui uma história longa num esquema de publicar semanalmente um capítulo ou algo assim, pra me forçar a fazer isso de enfiar na rotina, de dar um jeito de fazer caber na bagunça das coisas. Aí depois, quando terminar a história, a gente volta, ajeita tudo, transforma num livro mesmo e ganha milhões. Ou não.

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