Uncharted Drake’s Fortune

Por uma questão que envolvia tempo, dinheiro e a consciência controladora de culpas e gastos, acabei conhecendo só como alguém que observa da janela alguns jogos que se tornaram icônicos para Playstation. Especialmente para o Playsation 3. Acho que comentei brevemente sobre isso quando escrevi sobre Last of Us (que não canso de recomendar para qualquer pessoa, incluindo quem nunca jogou video game na vida) e acho pertinente falar disso de novo agora quando vou falar de Uncharted: Drake’s Fortune, o primeiro jogo da série Uncharted.

Se você não jogou ou nem faz ideia do que se trata, resumindo e simplificando sua vida, vamos dizer que o jogo é bom, que dá pra entender porque ele foi o começo de uma série que se tornou tão grande e tão amada. Justamente por ser o começo, por ser a primeira vez, dá pra ver que a ideia como um todo ainda é pouco “rústica nas beiradas” e que existe um certo problema de identidade e de acabamento final. Mas o sentimento final é que é uma aventura divertida e que a jogabilidade e a história te levam e te fazem continuar jogando e indo em frente momento a momento, sorriso a sorriso, até o final.

Sorriso é uma boa palavra pra definir esse jogo. Acho que não apenas sorriso, mas sorriso e aventura. É. Esse não é um jogo com o pé no real, no sério, no grave, no pesado, no “puta que pariu, esse mundo tem uns caralho, caralho”. É muito mais voltado para algo leve, com vilões estereotipados, onde a ação é frenética e, se necessário, caricata. O jogo tem mesmo um ar daqueles filmes de aventura antigos, inclusive a própria história do jogo é justamente algo que seria um desses filmes.

Só pra dar uma ideia, você controla um caçador de tesouros que está atrás de um tesouro (?!) em especial, cuja pista lhe foi deixada por um antepassado dele que também era um caçador de tesouros famoso na história! É muito sessão da tarde, fala ae?! E aí tem um velho de charuto malandro, um vilão com sotaque britânico genérico, capangas de nacionalidades diferentes e — claro — uma mocinha, que, felizmente, consegue fazer muito mais do que gritar por ajuda.

O jogo todo é construído em cima desse espírito de aventura e a busca por esse tesouro. No caminho você visitas selvas, catacumbas, cidades abandonadas, ruínas, antigas armadilhas e faz isso com um pouco de parkour, dirige veículos, resolve quebra cabeças e dá tiros. Muitos tiros. Pow, pow, pow, tiros!

Inclusive, muita crítica é feita a parte de tiro do jogo. Acho que não é injusto dizer que considerando todo o resto, a mecânica de tiro é um pouco menos afinada que o resto, mas não foi algo que estragou minha experiência, especialmente a medida que eu fui entrando no clima do jogo e entendendo que o objetivo não é ser realista, que eu posso esperar escondido que minha energia se regenera, que eu posso escolher a arma que eu quiser e ir em frente que sempre vai ter mais balas ou outra arma pra eu escolher. O jogo está a meu favor e não contra mim. Ele não quer que você “consiga sobreviver porque nossa, que foda que vai ser, cê tá fudido”, não, é muito mais um “venha se divertir nesse mundo, relaxa aí cara, aqui é Sol e diversão”.

Algo que merece uma menção em especial é a maneira que o jogo consegue contar uma história, apesar de ter todos esses pilares de descompromisso. Os diálogos dos personagens e a maneira que a história vai se desdobrando e apontando a próxima direção conseguiu me deixar interessado em querer continuar jogando pra ver onde aquilo ia dar. O último comentário de jogo que eu fiz foi sobre o Rayman Legends, que eu até gostei, mas tive alguns problemas, justamente na motivação de você continuar avançando, fazendo sua experiência ser mais do que “a incrível habilidade de apertar este e aquele botão na hora certa que isso e aquilo acontecer”.

Pessoalmente acho muito mais legal quando não é sobre pular, mas sobre pular com um objetivo, com uma história. Nem toda história precisa ser super profunda, mas desde que ela consiga estabelecer as regras e te levar do ponto A ao ponto B sem entrar em contradição, sem despeitar o seu tempo e sendo simplesmente divertida, qualquer história pode valer a pena. Mesmo que você esqueça dela depois. Isso é algo que se fala muito dos filmes da Marvel atualmente, que um mês depois você esqueceu o que houve e tal, eu não acho que isso seja um problema, desde que você se divirta e sinta bem no tempo em que viveu aquilo. O futuro é pra depois.

Uma menção pra qualidade da dublagem e da trilha sonora e como essas duas coisas ajudam a contar a história deve ser feita e aqui está. Tcharam! Hehehe. Não, sério, a dublagem é mesmo boa e a trilha sonora casa muito bem com essa sensação de aventura, de descoberta, inclusive eu conhecia as músicas de cabeça só por ver as apresentações da E3 da Sony quando chamavam algum cara da Naughy Dog (a desenvolvedora do jogo). Ouvindo a trilha sonora na tela de início dá quase pra ouvir alguma voz tipo chamando “e agora, José Fulano, da Naughy Dog studios”, sabe?? Ou talvez seja só eu, vai saber hehehe.

Fique tranquilo que não vou dar spoilers, mas uma última coisa que acho legal comentar e que só vai fazer sentido pra quem já jogou o jogo é que lá pro final, quando acontece aquela certa coisa e de repente tudo muda, foi muito legal reconhecer o que talvez tenham sido as primeiras sementes do que veio a ser o Last Of Us. Quer dizer, talvez não tenha sido, não sei, mas, mais uma vez, o final da história e como o jogo te leva até lá, é um exemplo de como a técnica de se contar uma história consegue ser tão divertida e bem executada neste jogo, com reviravoltas, mudanças de climas, ambientes e fatos inesperados.


Uncharted: Drake’s Fortune está disponível para PS3 e PS4 — sendo que pra PS4 tem uma edição que vem o jogo 1, o 2 e o 3 (ora essa!). É recomendado pra você que está afim de ir para um mundo onde tudo é mais simples e mais divertido, pra viver uma aventura que pode te dar uma distração boa se a sua cabeça estiver precisando disso. E, se as partes de tiro, estiverem te enchendo o saco, não tem nada de errado em mudar pro modo easy, para passar aquela parte e depois seguir em frente. Se divirta, relaxe, venha se divertir, essa é a proposta desse jogo.


Como sempre, segue abaixo um link para comprar o jogo lá na amazon, veja se lhe interessa e, caso interessar, agradeço pela comi$ão 😀

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