Mentiras explicativas: 01 – Porque o céu é azul?

A cabeça cabeçuda pode gostar com a mesma intensidade de regras, disciplina, improvisação e liberdade. Sou babaca e acho muito interessante me enfiar em caixas que eu mesmo crio e a partir daí achar uma ou mais soluções pra sair dali, ou transformar aquilo ali em um mundo e não em uma prisão. Não faço questão, claro, mas reconheço que existe certa diversão em rituais. Bom, parando de divagar e indo direto ao ponto, terças-feiras estão dedicadas a um post sobre um podcast e sextas-feiras, a partir de hoje, deverão estar dedicas a mentira. Os outros dias que se cuidem.

E de que tipo de mentiras estamos falando? Ora, mentiras que importam, mentiras que explicam e revelam os mistérios da universo. Hoje, por exemplo, vamos explicar….

Porque o céu é azul

Motivo 1 – O curto
O céu é azul porque a entidade conhecida como “deus” é menino. Se fosse menina, seria rosa. Se fosse uma planta, seria verde. Óbvio.

Motivo 2 – A história
O céu se tornou azul como resultado de um acordo entre duas espécies primitivas já extintas, num dia entre o fim dos dinossauros e o nascimento da internet. Os parentes mais próximos destas espécies que estão vivos até hoje são as tartarugas e carpas.

Naquele tempo era comum que os animais tivessem poderes, falassem e gostassem de fazer apostas sobre duas vidas pessoais. Foi assim que um dia o parente distante da carpa disse ao parente distante da tartaruga. “Hey, tenho certeza que você não vai tomar jeito na vida, que essa sua nova namorada certinha, esse novo emprego e essa sua nova religião que você achou são tudo uma enganação. Logo, e bem logo, você vai voltar a boemia e a sua já conhecida vida de herege. Repito, logo e bem logo”.

A tartaruga ficou furiosa, estava tão convencida de si mesma, que se levantou, ajeitou sua bermuda e e disse assim: “Aé? Aé?! Aé?!? Pois se você tiver certa eu vou pintar o céu inteiro! Vai deixar de ser branco e vai ser verde! E o farei em um único dia!”.

Passou o tempo e, claro, o parente primitivo da carpa estava certo, já que carpa é bicho esperto. E se rimou, está correrto.

A tartaruga, de orgulho ferido foi então pintar o céu de verde. Havia um problema, porém. Naquele tempo primitivo, o verde ainda não tinha sido inventado em grandes quantidades, então era necessário fazer em etapas, misturando as cores primárias azul e amarelo, ingual na enscolinha.

A tartaruga, bicho orgulhoso e agitado, estava cheia de energia pra pagar a aposta, pra mostrar que tinha perdido, mas que tinha perdido com orgulho, pois, como dito, era bicho orgulhoso — e agitado. Aí, logo de manhã, ela chegou e subiu bem lá no mais em cima do céu e veio pintando e colorindo tudo a partir do topo, em círculos, descendo, pintando em círculos cada vez maiores, descendo, descendo e pintando, até chegar no horizonte. Naquele tempo a terra ainda não tinha engordado até ficar redonda, era ainda plana, sem graça e um pouco enjoadinha.

No fim do dia a tartaruga tinha conseguido pintar muita coisa, mas não tudo com a primeira cor e, como tinha começado pintando do topo do céu, a medida que foi chegando no horizonte, a tinta foi acabando e agora, nas últimas horas do dia, perto do por do sol, tinha ainda pedaços inteiros sem pintar. Foi aí que a carpa, bicho esperto, resolveu ajudar e sugeriu que a tartaruga começasse então a pintar com a tinta amarela, já que essa ela ainda não tinha usado nenhuma, disse que se pelo menos tudo que estava em branco fosse pintado antes que o dia acabasse, aceitaria a aposta como paga.

A tartaruga, bem cansada, aceitou a mudança no acordo e começou pintando pela linha do horizonte. Foi aí que o Sol, que estava ali em silêncio o dita todo resolveu intervir. Ela tinha gostado da mudança do céu branco para o céu azul. Mas quando viu o amarelo e quando parou pra ouvir a conversa de que a carpa e a tartaruga queriam fazer um céu verde, ele não ficou muito contente com isso.

O Sol não gostava nenhum pouco da ideia de ter que circular por um fundo verde. O Sol, assim como muita gente hoje em dia, achava que “essas coisa de verde e amarelo junto pode dar muito problema”. O Sol, era badernista. Aí, sem que a tartaruga visse, lá foi ele jogando aqui e ali um pouquinho de vermelho e laranja por cima do amarelo, enquanto ia passando. O Sol sabia que o laranja era cor complementar do azul, o Sol conhecia dessas coisas de cores, paletas, pantones e RGB antes mesmo de tudo isso ser inventado. O Sol foi o primeiro designer, mas isso é uma história pra outro dia.

Quando os parentes primitivos da carpa e da tartaruga perceberam o que estava acontecendo não ficaram nada contentes. A carpa, bicho esperto, quis argumentar com o Sol, bicho badernista, que já estava quase terminando de se por. O Sol, só não quis discutir como espirrou na carpa, que até aquele dia tinha sido branca, a tinta laranja e vermelha que ele usava para bagunçar o trabalho da tartaruga. É por isso inclusive que as carpas tem manchas vermelhas e laranjas até hoje.

A tartaruga ficou muito chateada com tudo aquilo. Estava cansada demais pra continuar e já era o fim do dia, a tinta azul tinha acabado e ainda lhe doía pensar que no final tinha ficado sem o emprego, sem a namorada e sem uma filosofia religiosa que lhe apaziguasse a alma. Decidiu que iria mudar, que precisava mudar, que iria passar a ser outra coisa. Que ia passar a viver a vida com mais calma, com menos correria, que iria ser o animal conhecido por ser lento e sábio e não orgulhoso e agitado.

A tartaruga tirou então sua bermuda e percebeu que por ter pintado com a tinta azul e depois pintado com a tinta amarela, ela agora era verde, coisa que todas as tartarugas depois dela vieram a ser. Além de lentas. Além de sábias.

O céu ficou então assim, azul na sua maior parte, mas sempre que o sol se aproxima do horizonte, que foi colorido de amarelo, laranja e vermelho, dá pra ver que ali faltou o azul e é por isso que o por do sol é como é. Muito bonito, badernista e sempre convidativo a se tirar a bermuda.

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