NaNoWriMo update

E aí? Em dia? Atrasado pra um car*lho? Escreveu tuas 24900 palavras que eram esperadas para esse dia 15 seguindo aquele plano?

Se sim, fico feliz por você. De verdade. Toca aí o/

Se não, fico também feliz por você. De verdade. Toca aí o/

Só não fico feliz e não tem “toca aí o/”, se você não começou, se deixou pra próxima vez, se ficou naquelas de “não sei se devo”.

Veja, essa não é uma indignação/mensagem/demência para todo mundo. Esse é um daqueles posts lançados ao acaso e que eventualmente vai chegar pra aquela pessoa, que por acaso veio parar aqui, que por acaso está lendo isso agora e que se encaixa nisso tudo.

Sim, eu sabia que você vinha. Toca aí o/

O NaNoWriMo, além de ser um exemplo de algo que precisa de um nome melhor, serve pra colocar para se expressar pessoas que tem algo a dizer.

Eu entendo que hoje em dia, onde qualquer um, semi analfabeto ou não, tem como jogar no mundo suas ideias, de merda ou não, sem muito esforço. Existe inclusive muito incentivo pra se faça isso, pra que se diga isso, pra que a pequena pessoa sem rumo na vida, sinta que deve dizer o que gosta, o que não gosta, o que quer, o que não quer, como se alguém que importa estivesse realmente dando real atenção. Na verdade, muito da informação das redes sociais servem pra criar padrões de analise comportamental que servem pra te vender mais coisas, sejam produtos, bens de consumo, discursos políticos e entretenimento.

Tem gente que percebe esta porra. Tem gente que não percebe. Tem gente que percebe e fica enojado e prefere se calar. Tem gente que acha que o facebook inteiro está lendo tudo o que ela posta.

Entretanto, existe um consumo da timeline, do share, do post, do “olha só, esta merda!”, feito de forma silenciosa. Os que leem e não postam. Os que tem que a dizer, mas não dizem.

As pessoas que tem algo a dizer estão aí no mundo, dentro dessas redes sociais, dentro das conversas em copas desgraçadas em empregos robóticos e de pouca satisfação pessoal. As pessoas que tem algo a dizer pegam trânsito, pegam ônibus, pegam metro, pegam gripe, pegam raiva, pegam o que tem pra dizer e engolem, se censuram, deixam quieto, guardam pra outro dia, pra outro público, pra outro palco, pra uma próxima vez.

Isto, senhores e senhoras, é o que muitos sábios e analistas de grande renome chamam de “merda”.

Quando tudo o que os outros dizem vira uma nuvem de estupidez e essa estupidez é amplificada, idolatrada, elevada a mil, carregada de lá pra cá (e de cá pra lá) alguém que não tem coisas idiotas pra dizer se sente excluído, compelido a se calar, a não dizer. A menor tentativa de dizer, tende a causar desconforto e talvez reações cheias de paixão e ódio.

As pessoas que tem o que dizer não vão discutir coisas estúpidas. Elas não precisam. Já tem gente demais fazendo isso. Elas vão discutir coisas que realmente importam, que realmente fazem as pessoas pararem com o pé no ar antes de dar o próximo passo. Numa cena, numa roda, num grupo de pessoas, quando algo de real valor é dito e é dito do jeito certo, o som após a fala é de silêncio e junto com o silêncio uma expressão facial que mostra que o que foi dito é sério e é importante. Causa desconforto e causa reação. E não é só de coisas sérias e discurso duro que isso se trata. Pode muito bem ser algo engraçado, uma observação clara sobre nossa própria maneira (muitas vezes babaca) de ser.

Escritores tem um papel importante no mundo. Não é só sobre histórias, não é só sobre jornada. Acho que a função principal é a de ser um espelho. As histórias que um povo conta mostram como as coisas estão, como as coisas eram, como as coisas podem ser pensando no hoje como ele é. Mostra como as pessoas podem ser, os tipos de pessoas, os tipos de sonhos que elas tem ou que não tem. As histórias mostram os valores, os desejos, o que as pessoas almejam e o que elas desprezam. As histórias dão amparo, dão significado, dão identificação.

Como cada pessoa tem sua própria vida, com suas próprias experiências, verdades e mentiras, se elas tiverem o que dizer, cada voz tem valor porque ninguém vai contar a história que você vai contar, do jeito que você vai contar.

Resumindo, novembro é o mês da escrita. Se esse recado faz sentido pra você, vai escrever.

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