Chegou o mês de escrever!

Imagino que pra cada um seja uma história diferente, mas pode ser que pra você também tenha sido assim. Você é uma criança e lhe é feita uma pergunta direta a respeito de um fato cotidiano, você pode responder, você apenas dizer o que houve, mas algo dentro de você toma conta e sem perceber, ao invés de dizer o que houve, você conta uma mentira. As pessoas acreditam, se divertem, você acredita, você se sente bem. Você. Um mentiroso.

Veja, existem vários tipos e níveis de mentiras. Você não precisa necessariamente criar tudo do zero, você pode só aumentar um pedaço, ou trocar essa ou aquela parte da história por uma outra parte que lhe pareça mais interessante. Não é exatamente mentira, é você tornando o que aconteceu mais interessante – mais interessante pra você mesmo, na maioria das vezes.

Junto com as mentiras involuntárias, pode ser que você tenha também vozes na cabeça. Não vozes na cabeça tipo “aparição religiosa” ou tipo “coisa de maluco”, vozes na cabeça tipo diálogos, com ideias e conflitos, discursos, motivações, personagens que falam e se manifestam nos bonequinhos, em desenhos, em sonhos.

Em algum momento entre essa infância mentirosa e seus 15 anos você vai se dar conta que pode transformar as mentiras em histórias. Você vai conhecer maneiras de contar essas histórias, seja usando música, desenhos e a ferramenta mais básica de comunicação que os seres humanos tem, o tambor! Mentira, não é o tambor, é a fala! E falando você vai escrever e escrevendo você vai tirar de você as vozes e as versões dos fatos, aí você vai ver no que escrever você mesmo e o que não queria ver de você e do mundo. Você vai precisar escrever pra se ver, pra se reconhecer, pra se esvaziar das vozes que vão te perguntar o porque das coisas serem assim e não serem desse outro jeito mais nobre, mais sério, mais interessante, mais fantástico, mais “vale a pena”. Os discursos, os gritos, as vozes todas, sendo as suas vozes, reagindo e pedindo “nos jogue no papel, queremos sair” porque a vida é muito mais simples, dura e pré-determinada, porque o mundo real, o mundo dos adultos, das contas e tudo mais é chato, feio e bobo. Precisamos de histórias e pra você que for assim assim não vai bastar só as histórias dos videogames, dos quadrinhos, dos filmes e séries dos outros, você vai precisar das suas próprias histórias, das sua próprias palavras porque você vai ver algo que ninguém mais viu, que ninguém mais disse, que ninguém mais escreveu.

Se você entende o que quero dizer com tudo isso, toca aqui, malandro(a) o/

Se não, não tem problema, menas aí nessa coisa de se auto depreciar, sim?

Prosseguindo, pra você que escreve e que quer escrever, da mesma forma que o mês de outubro tem o inktober, o mês de novembro tem o NaNoWriMo. O nome é mais feio e regionalista, mas a ideia é ser um “evento virtual” para estimular escritores que ficam assim nessa de “vou escrever um dia”, “vou terminar aquele livro um dia” a tomarem vergonha na cara, se estimularem e a fazerem a porra do negócio acontecer. Ora, desculpe o linguajar. Nessa porra. É. Caralho. Cu! Chega.

Ao contrário do inktober, que tem um tema por dia, o NanoWriMo não tem tema, ele é um mais movimento de promoção de um “clima no ar” ~ som de fadas.

Não sério, a ideia é estimular a escrita no sentido de tirar do estado de ideia um livro que pode e deve acontecer. Escritores são foda, são todos travadinhos em seus mundinhos e precisam de vez em quando de um bom empurrão e/ou pé na bunda. E a ideia é estimular justamente o impulso, é convidar o escreveiro a escrever, a pegar aquele projeto e terminar, a pegar aquela ideia e colocar em letras, é chegar ao final do mês com algo que se manifeste no plano do mundo real.

Funciona assim, o objetivo é escrever até o fim de novembro um livro do começo ao fim que tenha pelo menos 50 mil palavras, o que dá mais ou menos 1600 palavras por dia, o que dá mais ou menos 3 páginas de Word por dia.

Veja bem, o objetivo é chegar ao fim, é no final do mês ter uma história com começo meio e fim, mas não necessariamente algo que seja o livro finalizado. Depois você deverá pegar esse objeto cheio de palavras e arrumar, ajeitar, reler, corrigir problemas de ritmo, coerência, chatice e etc. O exercício é ir até o fim, deixar fluir uma história e chegar até o fim dela.

Vendo assim pode ser que pareça bobeira, mas ir até o fim de um processo é um aprendizado do caralho, afinal de contas você só sabe mesmo fazer alguma coisa quando você tiver feito a tal coisa.

O site tem um monte de outros escritores se você quiser socializar, mas tem também um monte de material sobre como escrever, sobre como planejar seu livro e coisas desse tipo, se você quiser ver essas coisas. Não é necessário nada disso, a única coisa necessária mesmo é fazer o esquema acontecer, chegar ao fim.

Não existe prêmio, você não precisa mostrar seu texto pra ninguém, você não precisa nem falar pras pessoas que está participando. É uma coisa mais pra você, pra por pra fora essa história, pra fazer parte do mês de escrever que é o mês de escrever porque as pessoas da internet se juntaram e decidiram que era, porque temos que promover coisas boas, porque o mundo já está uma merda, então vamos tentar fazer coisas legais, sim? Sim!

Clique aqui se quiser conhecer o site do NaNoWriMo, que, sem querer ser chato e/ou mal educado, não vai te ajudar realmente em nada, mas acho justo pelo menos dar o link aqui.

E vamos todos contar mentiras!

E claro, memes.

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