Demolidor: A Queda de Murdock

Eu nunca fui um leitor de quadrinhos tipo Marvel e DC, de tipo acompanhar na banca a cada semana. Sempre tive um pouco de problema com a arte, as cores me incomodavam, achava o traço muito carregado e apesar de gostar dos conceitos a história em si não conseguia se conectar comigo, como se fosse algo que se levava a sério demais e que acaba sendo mais chato do que eu gostaria. Eu não tinha esse tipo de problemas com mangas, ou com quadrinhos nacionais tipo a Turma da Mônica, ou o que era o herói que eu acompanhava na época O Pequeno Ninja.

Ainda assim, sempre estive em volta dos quadrinhos Marvel e DC, sempre tentando e acompanhando alguma coisa aqui e ali por ter amigos que gostavam muito e por achar legais as ideias. Eu gostava também dos produtos derivados, tipo video games, filmes e desenhos animados. Aquela animação do Batman da cara quadrada, do início dos anos 90 era um desenho que eu adorava, inclusive qualquer hora quero tentar ver outra vez, se for for possível encontrar por aí. Outro desenho que lembro de gostar de assistir era o X-men, feito também mais ou menos na mesma época.

Sendo assim, eu sabia identificar os heróis e sabia mais ou menos se falavam bem o mal desse ou daquele. Eu gostava inclusive de participar de conversas sobre as histórias, sendo que a maioria eu não tinha lido, só porque achava legal o mundinho mesmo. Inclusive eu ainda hoje meio que faço isso ouvindo podcasts tipo o MDM, mas essa é uma outra história.

O Demolidor era um desses heróis que sempre ouvia coisas muito boas, falavam que tinha histórias diferentes, com pegada mais focada em roteiro, com arcos que dariam filmes excelentes. Falavam sobre ninjas, sociedades secretas, investigação jornalística e coisas assim. Lembro de ter assistido o filme de 2003 e ficar muito incomodado com a roupa super brilhante. Lembro de não ter achado o filme algo assim muito especial, mas não lembro também de ter odiado o que eu vi. De qualquer forma, o filme não me fez virar fã, ou enxergar o que as pessoas falavam, ou ter vontade de ir atrás pra saber mais.


Olha como brilha essa roupa apertada! Olha como apertada! Olha como brilha!

Alguns anos depois quando a Netflix e a Marvel fizeram a adaptação em formato de seriado a coisa foi bem diferente.

Como sou desses babacas metidos a besta que se sentem no direito de desafiar o que é senso comum, como a série foi elogiada demais acabei não vendo logo na estréia. Acabei vendo algum tempo depois “só pra ver qual era” e acabei gostando muito. Nessa adaptação deu pra ver aqueles aspectos todos que tanto elogiavam dos quadrinhos. Inclusive, se você não viu a série – e acho difícil que você esteja ainda lendo e não tenha visto hehehehe – recomendo assistir, inclusive se você não gosta de coisas de super herói. É uma série que consegue ir além do gênero, com desenvolvimentos de personagens e até cenas de ação muito boas. Inclusive recomendo a segunda temporada também. A terceira temporada, já confirmada, deve estrear no primeiro semestre do ano que vem.

Pessoalmente não acho que as outras séries da da Marvel na Netflix sejam tão boas. Elas até tem seus momentos e acho legal que cada uma tem sua identidade, mas acho que o Demolidor é algo diferente, acima da média mesmo. Ainda assim, acaba sendo relevante falar das outras séries apenas pra dizer que no final da série que reuniu o Demolidor, a Jessica Jones, o Luke Cage e o Punho de Ferro (hahaha, essa cara! #OfensaGratuita), foi dada a indicação de que a próxima temporada deve contar um dos arcos mais falados do Demolidor, que é aquele lá em cima, lá no título do qual brevemente vamos falar agora.

Acho que um dos problemas desses quadrinhos de super heróis é que eles nunca tem fim, de vez em quando eles tem começo, de novo e de novo, mas você sempre tem a impressão de que pegou o “bonde andando”. Existe sempre um mundo maior, personagens que você não sabe quem são e referências a coisas e coisas.

A queda de Murdock é uma dessas histórias que vai ser muito melhor apreciada por alguém que conhece os personagens e o mundo. Esse é um arco de histórias, não é uma graphic novel, não é uma história fechada e independente, é um conjunto de revistas correntes que saiu toda semana na banca perto de você e que foi copilada numa capa dura e bonita. Então, esse é, literalmente, um recorte na história do personagem.

Ainda assim, o número de personagens é pequeno, os poderes e as regras do jogos para serem entendidas são poucas e se você tiver assistido a série, você está bem o bastante para poder ler sem ficar completamente perdido. É bem verdade que a edição da Panini tem um textinho no começo, dando um contexto “na história até aqui” para que você não fique assim tão perdido. Além disso, em geral, as revistas da Marvel costumam seguir a filosofia do Stan Lee (aquele primo do Bruce Lee) de que qualquer quadrinho pode ser o primeiro quadrinho de alguém, então a escrita deve permitir que qualquer pessoa chegando de pára-quedas possa entender o que acontece e mais ou menos isso até que acontece.

Essa história foi publicada originalmente em 1986, o roteiro é do Frank Miller. É relevante dizer que este senhor é o roteirista porque ele foi um dos responsáveis por dar a alguns quadrinhos um tom mais adulto e discutir coisas de forma mais adulta. A maneira que a história é contata é mesmo bastante cinematográfica, tem um ritmo muito legal e se a voz narrativa te lembrar Batman, saiba que é também influência desse senhor, além de outras pessoas. Mas não quero entrar nesse assunto.

Apesar do clima e do ritmo encontrei um pouco aqui o meu problema de sempre com esses estilo de quadrinhos. A arte, especialmente as cores, me incomoda, ainda acho carregado e um pouco cansativo. O roteiro tem uma proposta interessante, um desenvolvimento interessante, mas o final me incomodou, me deixou uma sensação meio de vazio, como se ficasse faltando algo pra fechar de verdade as coisas, como se a solução acabasse ficando simples e fácil, porque afinal é uma revista corrente, ela não pode mesmo encerrar coisa nenhuma, já que na semana que vem tudo tem que continuar.


A Queda de Murdock é um quadrinho que mostra porque o Demolidor é um super herói com histórias diferentes e porque o estilo do Frank Miller de contar histórias é tão venerado por alguns. Contudo, esse não é um quadrinho de super herói que pode ser indicado para qualquer um, ao contrário da série da Netflix. Por fim, considerando a adaptação desse arco para a série da Netflix, existe um potencial enorme pra fazer algo muito legal. Certas mudanças terão que ser feitas para encaixar alguns dos eventos, mas especialmente pra você que é fã da série e que está ansioso pela próxima temporada, essa é uma leitura que provavelmente vai te fazer feliz.


E deve estar em promoção na Amazon!

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