Fodidos e ok na terra Brasil

Nesta terra chamada Brasil, onde a internet é lenta, onde tudo é caro e onde tudo pode ser, deve ser, ou já é uma piada, somos desde pequenos ensinados que devemos ser uns fodidos. Digo mais, uns fodidos do caralho.

Funciona assim, desde muito cedo existe um culto ao medíocre, a estar na média, a tirar o 6 e não o 10 e a pessoa que tira o 10 está errada, é motivo de piada, é uma imbecil que ao invés de fazer só a média pra passar, se atreveu a fazer mais, a estudar mais a chegar ao 10! Ora essa, que absurdo. Venha ser um fodido como todos nós! Venha fazer menos! Venha fazer o mínimo necessário para passar! Ou não!

Considerando ainda o 10, se for o 10 da camisa de futebol temos uma outra categoria da constante campanha pra que todos sejamos um fodido. Aqui, aqui, se abaixa aqui que eu vou te contar um segredo. Sabe aquele cara lá da camisa 10, sabe? Então, ele conseguiu ser um sucesso, ganhar uns dinheiros e uns caralhos porque ele nasceu com o cu virado para a Lua! Sim! Um abençoado, um cara que logo quando nasceu os deuses todos se reuniram pra dizer “caralho, que belo trabalho, caralho!”. Ele não chegou lá por esforço, ele não chegou lá com muita dificuldade, ele não chegou lá vindo de um lugar como você, eu e nós, não, pelos deuses, não! Ele conseguiu porque nasceu predestinado a isso, porque essas coisas de esforço não levam a nada! Porque essas coisas de treinar e ficar bom, não existem! Porque nós somos, sempre seremos, uns fodidos!

É foda como se você pegar a biografia de qualquer jogador de futebol, vai ver que a coisa muito mais foda do que isso. Muito mais foda mesmo. Inclusive, nem precisa ser jogador de futebol. Pega a vida de qualquer pessoa que tenha conseguido ter sucesso na vida. Se você não fizer por onde, se você não se mexer, não se esforçar, não for atrás do 10 e não do 6, não vai dar mesmo.

E aí, em algum momento da sua vida, por ser que você tenha esse momento de epifania. Pode ser que, por acaso, um dia, você se dê conta de que aquela tal coisa que você não sabia fazer, um dia você soube, simplesmente porque fez muitas vezes, porque treinou e aprendeu, dominou o esquema. O esquema! Seja andar sem tropeçar feito um idiota, seja comer com hashis (é, os pauzinhos da comida oriental), seja escrever com uma letra que não pareça produzida num terremoto, seja falar em público, escovar os dentes e tantos outros, nesse momento você pode se dar conta que, se você treinar e se dedicar a qualquer coisa, você pode aprender aquela merda. Pode mesmo! Seja desenhar, seja sapatear, seja falar a lingua da terra do Chanceler Darth Trump!

E aí, dotado desse conhecimento, lá estará você, arremessado para a realidade da Terra Brasilis. E agora? Bom, façamos uma dedução simples e lógica. O que acontece com alguém que sabe o valor de se esforçar e aprender as coisas numa terra onde a imensa maioria das pessoas está bastante satisfeita em fazer o mínimo. Some a isso que a maioria das pessoas simplesmente não sabem que elas tem o poder de aprender o que quiserem, que acreditam mesmo que talento é sorte, que a pessoa que sabe fazer, aprendeu a fazer e não porque desceu do céu uma luzinha mágica e entrou no cu delas. Não foi assim. Aí, lá nessa terra selvagem, essas pessoas dotadas dessa atitude outra se destacam, vão além, realizam coisas, mesmo que volta e meia elas estejam sujeitas ao julgamento de pessoas que não tem essa mesma atitude, gente que chega aos lugares por sorte na família, no amor ou no tambor.

Temos então um cenário assim. Tem um céu, tem estrelas, tem cidade e coisas. Temos dois grupos de pessoas. As que conseguiram fazer as coisas, as que conseguem pagar as contas, as que viajam e compram o que gostam (dentro do limite do possível porque este país é um caralho) e etc. E temos as pessoas que não fazem, que não pagam, que estão sempre fodidas de tudo, da cabeça, das pernas, da família e do trabalho (dentro do limite possível porque este país é um caralho, como dito anteiormente). Qual grupo é a maioria? Pois é. E o que a maioria faz com a minoria? Pois é.

Aí chegamos a esse momento. Aí as pessoas que se esforçam são treinadas a falar menos sobre as coisas que fazem, que conquistam, que compraram, que viram, que fizeram, que aprenderam e etc, porque tudo isso que elas tem e fazem incomodam os outros. Incomoda porque não é alguém com a camisa 10 lá longe. É alguém ali do lado, que cresceu junto, que foi amigo de infância, que de certa forma, na cabeça de quem julga não pode ser melhor, não pode receber a benção divina, porque se ele recebeu, porque eu não recebi? E aí as pessoas se calam, e as pessoas não dizem e aí não tem briga, não tem intriga, não tem julgamento, não tem estresse, não tem abuso. Mas tem silêncio e silêncio é uma merda. Mas tem a cultura do não esforço sendo reforçada, porque as pessoas que se esforçam não podem dizer que se esforçam e nem que conseguiram coisas a partir do esforço delas. E aí? Aí que é uma merda.

É ridículo, mas apesar de no final eu escrever e falar e contar, eu ainda tenho dentro de mim um debate toda vez que preciso dizer que joguei um jogo, que vi um filme, que participei disso e daquilo. É ridículo porque eu não roubei nas regras pra poder fazer as coisas. É ridículo porque justamente é o cenário descrito acima. Eu durmo poucas horas por dia porque estou sempre fazendo mil coisas e eu estou sempre fazendo mil coisas pra aprender mil coisas, pra fazer mil coisas, pra conseguir mil coisas, pra ser mil coisas. Acho que é foda como apesar de entender toda uma linha de causas e consequências, ainda assim aqui e ali temos debates internos.

Resumindo, crianças, lagartos e seres intra-dimensionais que nos leem, eu gasto dinheiro com video game, com canetas de desenho, com chocolate e com o que eu quiser. O dinheiro é meu e não veio de graça. Nem todos os dias são dias felizes, nem todos os dias são dias fáceis e volta e meia, como vimos essa semana, eu posto um post cheio de discussões de dúvida existencialista semi depressiva, porque as coisas são foda. Mas vale a pena no fim do dia. Sendo assim, vamos todos nos esforçar pra fazer as coisas serem melhores e parar com essa merda de achar ótimo ser fodido e ter que esconder os sucessos e as conquistas, ok? Ok!

 

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