Não repara a bagunça

Não lembro da primeira vez que ouvi alguém dizer “não repara a bagunça”. Não lembro também se alguma vez na vida, de todas as vezes que reparei na bagunça de alguém, fez alguma diferença eu ter reparado.

Sei lá, acho que a “bagunça” tem a ver com quem a pessoa é.

Se você se colocar no lugar do(a) bagunceiro(a) em questão vai conseguir saber quando é uma bagunça fora do normal, causada por alguma coisa fora do controle ou uma situação temporária dessas bem filha da puta que fazem as coisas ficarem dementes, felizes e dançantes no reino da Lei de Murphy.

Por outro lado, conhecendo bem o(a) bagunceiro(a) em questão, muito provavelmente a sagrada bagunça encontrada não vai nem lhe surpreender. A bagunça encontrada vai apenas somar a lista de características e julgamentos que você provavelmente já tem daquela pessoa. “Essa merda aqui? É, realmente, é a cara do Paulinho!”.

É engraçado como a ideia de deixar a casa limpa “porque vai vir visita” só tem sentido se você mora num lixão. Se a visita não conhece o lixão do seu dia-a-dia, ela não vai nem reparar que a casa está “limpa”, ela não tem o seu referencial, percebe? Inclusive, se você mora num lixão é muito possível que a sua noção de “limpo” ainda seja algo sujo! Bem sujo!

Pessoalmente gosto das coisas serem limpas, mas mais do que isso gosto que as coisas sejam funcionais. As coisas precisam ser práticas, ora essa. Limpo o bastante pra não ser sujo, obviamente, mas não vou interditar a cozinha só porque acabei de passar pano, né? O todo tem que ser organizado o bastante pra você saber onde as coisas estão. Tem que ser um ambiente onde você poder fazer suas coisas, ser produtivo com elas, ter um ambiente que faz parte de você e das coisas que você gosta, sem se tornar um eremita fedido, claro.

Inclusive, pensando nisso, a ideia de “vamos arrumar tudo porque vai vir visita” é uma merda ainda maior. Fazer isso significa assumir que o seu dia-a-dia é sujo e que você precisa esconder pra quem quer que esteja vindo que aquela casa que ela vai encontrar na visita não é a casa de todos os dias e quem vive na casa de todos os dias é você. Você precisa esconder que você é sujo e que ser sujo não te incomoda. Se te incomodasse você arrumava, limpava, dava um jeito, todos os dias, pra você mesmo, não pra visita. Mas você não dá, porque aquilo é você. Aí, se aquilo é você, qual o ponto de receber em casa alguém que não te permite ser quem você é?

Por fim, toda essa argumentação é inválida se a visita tiver rinite, porque:
1 – Rinite é uma merda.
2 – Coitada do seu amigo(a), veio pra sua casa só para sofrer.

E uns memes. E fim.

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