Sobre mentiras, perfeccionismo e recompensas

Enquanto eu comia meu pão na chapa feito com manteiga – que é melhor do que o que é feito com margarina #gordo #minhaOpiniãoDeMerda – e tomava meu café da noite, fiquei pensando qual seria a melhor maneira de começar o texto de hoje. Minha dúvida vinha em parte porque o pão e o café juntos estavam muito bons, mas vinha também de um certo receio de me meter a falar de coisas que talvez sejam idiotas e irrelevantes.

Lá pra mais da metade do pão, me dei conta que fazia sentido pensar nisso e que isso justamente tinha a ver com o assunto que era considerado ou não sobre como e se seria abordado. Aí meu pescoço começou a doer, porque hoje é sexta-feira de noite e o cansaço acumulado dos anos e da semana faz ele doer mais do que devia. Levantei, troquei de blusa e me dei conta que isso também tinha a ver com o assunto a ser tratado. E aí, alimentado, de café tomado, aquecido e pronto, me dei conta que era hora de parar de enrolar e começar a escrever de verdade.

Ao longo da vida muitas mentiras sobre quem nós somos são contadas pra nós. Algumas por desconhecidos, outras pelas pessoas a nossa volta, por pessoas que confiamos e uma parcela significativa por nós mesmos. Essas mentiras fazem parte das coisas que compõe a nossa visão de como o mundo é e de como nós somos, de quem nós somos nesse mundo. Aí você sai pro mundo, pras coisas e cria um monte de expectativas, um monte de pré entendimentos de causas e consequências e sobre qual o seu papel nisso tudo. Antes do meio dia você se dá conta que reconhecimento nem sempre tem a ver com mérito e que existe uma parcela de sorte que te ajuda e que também te atrapalha.

Sou da opinião que temos uma tendência natural a sermos bons. Acredito mesmo que ter a capacidade de se colocar no lugar do outro é o padrão. Acredito também que temos um senso de justiça natural que pende tanto para que façamos o que é certo para os outros quanto para esperarmos que o certo seja também feito conosco.

E aí as pessoas não são iguais. Não tem habilidades iguais. Não funcionam iguais. E aí as pessoas são colocadas juntas e certas pessoas se destacam por isso, certas pessoas se destacam por aquilo e a partir de cada destaque os sensos de justiça, de merecimento, de empatia, de você saber quem é você, de você saber o que é o mundo, do mundo saber quem você é e de você achar que o mundo sabe que você é quem você é, portas se abrem e se fecham. Oportunidades são dadas e negadas. Alguns recebem atenção, outros são ignorados. Algumas vezes de forma justa, algumas vezes por puro acaso.

É muito bom quando as coisas fazem sentido, quando você trabalha, faz por merecer, tem uma oportunidade, entrega, faz e é recompensado e reconhecido. É muito confuso quando você passa por todos esses passos, mas não consegue nem recompensa nem reconhecimento. É muito ruim quando você passa por todos esses passos e vê recompensa e o reconhecimento ir para alguém que você sente que não fez por merecer. É péssimo quando você sabe como fato que apesar dos seus esforços, por motivos outros ligados a outras coisas fora do seu controle, o reconhecimento e a recompensa passam bem longe de você.

Acho que é certo também dizer que você ser a pessoa que faz, que tira a melhor nota, que entrega o melhor resultado, que sabe mais, que faz mais e etc, vicia. Perfeccionismo. O chato. O perfeitinho. O 100% no controle. O descontrolado.

E como é vício, pode ser que extrapole pra tudo, até para o que não importa. Até para o que pra você não tem valor. Em tudo você precisa ser o melhor, o mais foda, o mais “caralho”. Leva certo tempo pra saber parar e escolher as lutas que valem a pena. Leva certo tempo pra se dar conta onde é o seu campo de batalha, onde está o que realmente te importa, onde você é você de verdade e não de mentira.

É estranho olhar um dia quando um reconhecimento que um dia já foi seu ir para outra pessoa e ver aquela pessoa se encher de alegria sabendo equilibrar dentro de si mesmo que aquela não é mais a sua luta, que seu objetivo está em outro lugar e que o certo é ficar contente pelas pessoas que finalmente conseguem o que queriam, jogando o jogo do jeito certo, se esforçando, passando pelas dificuldades, esperando pela oportunidade certa até que finalmente ganham o jogo no campo que é o delas e que você por muito tempo achou que fosse também o seu.

Se nada desse texto fizer sentido pra você, não tem problema, leve apenas essa informação: Pão na chapa com manteiga e café = maior daora.

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