Game review: The Last of Us

Escrever sobre um jogo que já é bastante consagrado, “medalheado”, venerado e gostado por tantos é ligeiramente sem graça. Ao mesmo tempo, não é só porque o jogo é já tão reconhecido que não devemos falar sobre ele. Mais do que divulgar um pouco mais, mais do que fazer parte de mais um grupinho “eu também, eu também”, no final do jogo, a experiência foi tão significativa precisava falar sobre ele. E – saiba – será sem spoilers.

The Last of Us
Já muitas vezes falei aqui no site em como acredito que um jogo pode contar uma história, ou melhor, te colocar numa história, de tal forma que, quando você termina, você se sente modificado. A experiência é vivida de forma tão intensa que apesar do controle na sua mão e da tela nos seus olhos, você teve uma experiência de vida mais forte que um livro, mais forte que um filme.

The Last of Us, no papel, caso você nunca tenha jogado o jogo, vai lhe soar bem “video game”, veja só:

– Jogo de tiro em terceira pessoa com elementos de exploração, puzzle, RPG e sobrevivência;
– Mundo apocalíptico num futuro próximo com criaturas tipo zumbis
– Explore o mundo para melhorar suas armas e habilidades
– Proteja uma menina adolescente de personalidade forte
– E chega, sem spoilers!

Soa bem genérico, não? Soa bem simples, não? Soa bem “video game”, não?

Bom, tudo isso é verdade, você já ouviu algo assim antes, é mesmo um conceito básico bem simples e tem sim toda uma pegada de video game. Porém, tem algo a mais.

Algo a mais
Seria fácil dizer que é só por causa dos gráficos que os consoles conseguem ter hoje em dia que a experiência é tão forte. Com certeza os gráficos, além da trilha sonora (dá um play aí abaixo), tem um papel fundamental em criar uma atmosfera que te convence dos pontos e das coisas das quais quer falar, mas tudo isso só faz sentido se houver uma camada a mais. Ter ótimos gráficos e sons não vai te afetar se os personagens não te convencerem, se a história não te convencer e é justamente aí que The Last of Us faz algo a mais.

Quando a história te convence, quando os personagens te convencem, quando você embarca na jornada, você está motivado a saber onde aquilo vai dar, você se importa com o que vai acontecer a seguir. Não é o jogo pela mecânica do jogo, não é só a busca pelo próximo upgrade para a sua arma favorita, não é só como conseguir aumentar sua energia – ou sua super audição semi canina. A jornada faz sentido e você quer fazer a sua parte para que os personagens cheguem bem onde quer que eles tenham que chegar.

Caso tenha parecido pelo que escrevi até agora e você nunca tenha jogado, acho importantíssimo dizer que esse jogo não é uma espécie de The Walking Dead. The Last of Us fala de histórias pessoais com poucos personagens, lançados num mundo muito maior que eles, com um passado que justifica quem eles são e as decisões que vão tomar no futuro, tudo isso dentro de um jogo que apenas pela sua mecânica já seria um ótimo jogo.

Falando dos aspectos mais video game, importante dizer que esse não é um desses jogos que dá ao jogador o poder de “criar a própria história”, onde você faz as escolhas e se quiser ser bonzinho ou um gran babaca a escolha é sua. A ideia em Last of Us é te contar uma história, é falar de personagens que tem uma vida deles e eles não são você. A ideia é te colocar na perspectiva deles diante das coisas que acontecem desde a tela de início até os créditos finais. Você não é o Joel e o Joel não é você.

Pessoalmente, gosto mais de jogos assim. Gosto desses jogos que te fazem passar por coisas e fazer coisas que você talvez não fizesse. Gosto quando conseguem mostrar que é o personagem quem faz, que é o personagem que sente. Quando dá certo, o jogo contrói pra você porque essa pessoa que não é você age como ela age e não como você agiria.

Tecnicamente o jogo é muito bonito, apesar de não ser perfeito considerando jogabilidade e tudo mais. Alguns bugs pequenos aqui e ali, mas nada que seja um real problema. Nada que faça o jogo ser menos especial.

Concluindo
Existem certos jogos que poderiam passar na televisão e que possivelmente teriam mais conteúdo (e talvez até audiência) que certos programas que se propõe a contar história. Esse é um desses jogos.

The last os Us é recomendado para qualquer um (tem um modo easy, se você precisar!), incluindo o DLC. Não é só entretenimento. Vai tomar tomar horas do seu tempo e vai te dar algo de valor em troca. Entre e saia modificado.

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