Brothers – a tale of two sons

Brothers-A-Tale-of-Two-Sons

Acho muito legal poder dizer que vivemos numa época em que jogos de videogame conseguem ter mais ferramentas e mais portas. Mais gente tendo acesso faz com que mais gente tenha a oportunidade de criar jogos e aumentando a quantidade de gente com ideias novas e com riscos diferentes na hora de fazer um projeto, vemos uma quantidade enorme de jogos indies, feitos por equipes pequenas, indo contra tendências, contando histórias pessoais e fazendo coisas que muitas vezes acabam tendo um valor muito maior como experiência – e até como entretenimento – do que a grande maioria dos jogos AAA.

Dito isso, Brothers – A tale of two sons é um desses jogos indies. É um projeto menor, mais simples, mas nem por isso menos bem feito e menos ousado em sua proposta.

Como o nome diz é um tale, é uma história breve com ares de aventura e é exatamente assim que o jogo se desenrola. A premissa é bem simples, você controla 2 irmões (irmães!), um mais novo e um mais velho e precisa ir até um certo lugar buscar um remédio que pode curar o pai deles que está muito doente do tipo “vou morrer, me ajuda, me ajuda, me ajuda”.

A grande diferença no gameplay é que você controla os dois irmãos ao mesmo tempo, um com cada analógico, sendo os botões dos gatilhos usados, em seu respectivo lado para realizar ações com cada irmão.

Os dois irmãos não tem as mesmas habilidades, nem causam as mesmas reações nas pessoas ou mesmo interagem com os objetos da mesma forma. Sendo assim a idéia é ir seguindo em frente rumo a onde está o tal remédio, usando as habilidades de cada um para vencer obstáculos, quebra cabeças e outros mais num mundo muito bonito.

Os personagens do mundo usam uma língua inventada que me lembrou a língua dos The Sims, isso ajuda a dar um tom de fábula para a história já que as intenções e as interações acabam tendo que ser interpretadas pelo jogador de uma forma não literal.

Sem entrar em spoilers e entrarei em spoilers pesados abaixo – avisei! – é um jogo já não tão novo e por isso dá pra achar por aí por valores módicos e mesmo que o lado mais pessoal da história não se comunique com você, o jogo em si é muito bonito e divertido o bastante pra ainda assim valer sua jornada. Inclusive, vá até o final. Esse é um desses jogos que o final é um ponto a parte para se discutir e é justamente dele que vou falar a seguir.

Último aviso, spoilers pesados em 1, 2, 3!

Sério, se não jogou, só volta pra ler depois de ter jogado.

Teje avisado.

Ok.

Eu tinha já sido avisado que o final desse jogo era especial pelos podcasts da vida. Jogando eu achei que fosse o fato da aventura em si estar expandindo e indo para lugares cada vez mais diferentes, com coisas cada vez mais diferentes, fazendo do mundo do jogo algo maior e mais legal. Mas, como sabemos, não era só isso, tinha um final forte e que escolhe não ser um final que poderia ser mostrado como um filmezinho. O jogo te faz jogar os momentos, ele te faz pegar o corpo, os montes de terra, dar o abraço e fazer a jornada de volta.

O que foi mais surpreendente, mais forte para mim não foi nem essa cena em si e o partir, mas no momento em que você precisa atravessar o rio e fazer as outras coisas agora sem o outro irmão e você só consegue fazer quando você usa o botão de ação do irmão que morreu. Puta que pariu, na hora que eu fiz isso e que eu entendi isso e caiu em mim o sentimento do irmão que viveu estar agindo com o que morreu e ele ter que fazer isso porque ele é o que viveu e ele leva agora o irmão que não está lá, porque precisa, porque tem que voltar pra casa, porque tem que seguir no caminho, caralho, foi muito foda.

Daria pra fazer esse sentimento com um texto, com uma história em quadrinhos, com um filme, mas essa experiência, esse sentimento, essa realização de que o irmão que viveu agora vai ter que ser ele e o outro também, foi algo que me fez ter certeza que eu precisava escrever sobre esse jogo.

Gosto de ver jogos com histórias que realmente são boas e que realmente são algo que de outra forma não poderia ser vivido. Jogos como Brothers, como Last Of Us e outros, são exemplos poderosos de como a mídia de videogames pode ser usada para contar histórias. E histórias são coisa mó legal. É.

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