Plants vs. Zombies VS Plants vs. Zombies 2

Jogos free to play me incomodam. Pra ser sincero, na maioria das vezes, eu digo logo de cara que sou contra e por um motivo bem simples: as pessoas são gananciosas demais.

Desconsiderando aqueles RPGS massivos online, ou MMOs RPGs se você preferir, a impressão que eu tenho é que, hoje em dia, a maior parte dos jogos free to play são quase como armadilhas, criados pensando apenas em maximizar o lucro, sem se importar realmente o quanto esse objetivo pode quebrar a mecânica do jogo ou mesmo se o que eles vendem é um jogo. Analisando esses jogos, é possível notar que o sucesso não depende da sua habilidade de jogar, mas sim de:

1 – Sua sorte
2 – Quantos “itens pagos” você tem
3 – Sua falta do que fazer
4 – Sua sorte (de novo)

Só pra dar um exemplo, em um jogo como Candy Crush Saga, depois de um tempo de jogo, a menos que você pague por itens especiais e jogadas extras, ou que realmente não tenha nada melhor pra fazer e não se importe de jogar uma fase 100 vezes, até que dê finalmente sorte de sair um arranjo de doces que te permita avançar, é simplesmente impossível prosseguir no jogo. Em um jogo assim, sua sorte vale muito mais que a sua habilidade.

Ao lado disso, o preço cobrado por um item que vai no máximo te ajudar a passar de uma, duas, quem sabe, três fases, é o mesmo de alguns jogos completos e muito melhores.

Acho engraçado notar que essa definição de jogo onde a sua sorte é o fator principal pra avançar, é normalmente aplicada a jogos de azar, daí o nome inclusive, como aquelas maquininhas onde você coloca uma moeda, puxa uma alavanca e torce pra saírem 3 desenhos iguais.

Por tudo isso, quando fiquei sabendo que Plants vs. Zombies 2 seria lançado primeiramente pra iOS e depois para Android em formato free to play, fiquei bastante contrariado, vagando pelos corredores do castelo, de roupão e a barba por fazer, perguntando a cada um dos meus quatro gatos “porque?? porque? porque…?”. Mas, agora, depois de ter jogado, posso dizer que esse é um jogo free to play que poderia ser tomado como modelo, se não fosse um pequeno detalhe: Plants vs. Zombies 1. E pra isso fazer sentido, é por Plants vs. Zombies 1 que vamos começar.

Plants vs. Zombies 1

O ano era 2009, o Sol brilhava, e, de repente, hordas de zumbis invadiram o quintal da frente de casas virtuais no Windows e no Mac. Produzido pela estadunidense PopCap, conhecida principalmente por Bejeweled, Plants vs. Zombies 1 recebeu inúmeros elogios e, ao longo dos anos, foi portado pra quase qualquer plataforma que você pensar, desde o Nintendo DS, Playstation 3, tablets, smartphones e não ficaria surpreso em descobrir que talvez até pra algumas geladeiras.

O jogo é do gênero Tower Defense, nele você deve proteger sua casa, ou seus miolos, pra ser mais específico, de hordas de zumbis, gerenciando recursos e usando plantas de diversos tipos pra se defender. Você acumula raios de sol, posiciona as plantas, elas ficam imóveis e reagem sozinhas conforme os zumbis se aproximam.

Pode parecer simples, mas, na prática, a mecânica é bastante profunda quando consideramos na mistura a quantidade variada de tipos de zumbis e de plantas a serem usadas pra cada caso, conforme variações de terreno e da hora do dia em que os zumbis atacam.

Tecnicamente o jogo é muito bem executado, os controles funcionam, a trilha sonora tem personalidade e a direção de arte é, em geral, bastante carismática.

Vale ainda dizer que o jogo tem muita coisa pra fazer e muitos modos de jogo que vão além do modo aventura, garantindo um excelente custo benefício.

Se por acaso minhas palavras pífias e heteróclitas (vixi!) não fizeram você se interessar, saiba apenas que Plants vs. Zombies é um daqueles jogos que vale a pena ser jogado. Mesmo que ele não venha a se tornar o seu jogo mais favorito da última semana, certamente, vai te divertir.

Existe uma versão gratuita de demonstração, no próprio site da PopCap, que pode ser jogada no seu navegador de internet. Se quiser testar, é só clicar aqui.

Plants vs. Zombies 2

Continuando nossa aventura, o ano agora é 2013. Chegando primeiro no iOS e depois no Android, Plants vs. Zombies 2 pega o que seu antecessor foi e tenta encaixar tudo em uma mecânica de free to play, com inúmeras micro transações espalhadas pelo jogo, desde acesso a fases, a plantas, e a “facilidades” na forma de poderes especiais pra tornar muito mais feliz a vida do jogador menos adepto de uma planejamento estratégico.

Em Plants vs. Zombies 2 a temática é a viagem no tempo e, viajando no tempo (há!), o jogador vai parar em mapas temáticos, como o Egito antigo ou o Velho Oeste. Cada mapa tem um conjunto de fases que formam um caminho principal e, a medida que você vai passando essas fases, são liberadas novas plantas e mais caminhos paralelos.

Chegando até o final do caminho principal, são liberados, para cada uma das fases do mapa, desafios do tipo “vença sem usar mais do que tantas plantas”, “não gaste mais do que tantos sóis”, ou “não deixe os zumbis avançarem até tal linha”, entre outros. Vencendo os desafios você ganha estrelas que podem ser usadas para liberar novos mapas.

Outra opção para liberar mapas, caso o jogador não queira fazer tudo isso, é simplesmente pagar.

Essa lógica de oferecer as opções de pagar ou de exigir “uma demonstração de habilidade”, existe por todo o jogo, seja na maneira de conseguir os tais poderes que podem ser usados durante as fases, seja no acesso aos caminhos paralelos ao caminho principal e até pra liberar novas plantas.

Pagar é um meio de tornar mais fácil, ou mais rápido, algo que exigiria mais habilidade ou mais horas de jogo. Simples assim.

O equilíbrio entre pagar e demonstrar habilidade é bem feito. Dá até pra dizer que se você acabar se descobrindo como sendo o que a lenda chama de “um grande estrategista matador de zumbis usando plantas”, é totalmente possível jogar 100% do jogo sem pagar por nada.

Esquecendo um pouco essas coisas de pagar por isso e aquilo, esse design de um jogo com mundos, com desafios únicos para cara fase, com um avanço mais complexo e, especialmente, com super poderes, trás uma nova cara pra mecânica do jogo original. Nessa edição existem possibilidades de batalhas e estratégias antes impossíveis. O jogo consegue não apenas ser um free to play bem feito, ele também consegue se tornar algo novo.

E é aí que eu junto as duas pontas.

Por ser um jogo free to play e precisar fazer dinheiro com as transações de dentro do jogo, Plants vs. Zombies 2 acaba sendo um jogo muito mais difícil que seu antecessor. Enquanto o primeiro jogo consegue ter uma dificuldade desafiadora, fazendo isso dentro de uma curva de aprendizagem acessível, o segundo jogo é por vezes irritante e cansativo em seus desafios, especialmente se você teve a experiência do primeiro jogo como referência.

E é por isso que eu disse lá no começo que a existência de Plants vs. Zombies 1 faz com que Plants vs. Zombies 2 não seja um modelo perfeito de um jogo free to play. O mesmo preço que você vai pagar pra ter a experiência completa do primeiro jogo ($ 0,99 na AppStore e $ 1,19 na Google Play), no segundo jogo vai te oferecer muito, muito, muito, muito, muito, muito, menos.

Só pra dar uma idéia, considerando a versão pra iOS, apenas pra liberar um portão que te dá 1 nova planta e o acesso a um caminho paralelo com 3 fases, o jogo cobra $ 1,99, já, pra liberar plantas, algumas chegam a custar $ 4,99.

Por isso, na minha opinião de cara da internet, se você nunca jogou o primeiro jogo e vai começar suas aventuras nesse mundo com Plants vs. Zombies 2, se sentir que vai gastar seu rico dinheirinho, pare, respire fundo, volte e compre Plants vs. Zombies 1.

Vale a pena não apenas porque vai te garantir muitas e muitas horas a mais de diversão, mas porque a curva de aprendizagem dele vai te permitir voltar ao Plants vs. Zombies 2 com muito mais habilidades para impedir, imobilizar e destruir os terríveis zumbis.

Por fim

Plants vs. Zombies 2 consegue oferecer uma experiência de jogo free to play completa e com um nível de qualidade muito acima do que costuma ser feito em jogos assim. Dá até vontade de comprar qualquer coisa no jogo, apenas para recompensar o excelente trabalho do pessoal da PopCap. O jogo tem produção profissional, não é, digamos assim, só uma versão simplificada de uns doces caindo de cima pra baixo na tela, uns 90% do tempo, *cof*desculpe por isso*cof*. São inúmeros tipos de zumbis e plantas, com animação e personalidade próprias, num mundo vivo e carismático. Vale dizer também que o jogo está disponível em vários idiomas, inclusive em português do Brasil.

Plants vs. Zombies 1, se comparado com sua sequência, acaba ficando um pouco atrás em certos detalhes menores que nos lembram que esse jogo foi o primeiro, como a posição dos elementos na tela na hora de jogar ou o acabamento gráfico das plantas e zumbis, que são bem feitos e etc, mas não tão bonitos quanto em Plants vs. Zombies 2. Colocando esses detalhes de lado, o jogo oferece um pacote muito rico e que certamente vale a pena ser visitado por quem começar essa aventura de matar zumbis com plantas pela segunda edição.

Plants vs. Zombies 1 e 2 são jogos acima da média, feitos com cuidado, talento, respeito ao jogador e que valem a pena serem jogados por qualquer um.

Links
– Plants vs. Zombies 1, pra testar de graça no seu navegador
– Mais sobre a PopCap
– Mais sobre Bejeweled
– Pessoal do Candy Crush Saga fala que 70% das pessoas que chegaram a última fase não pagaram por nada (o que quer dizer que eles não tem nada melhor pra fazer?)

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