Sobre guerras e robôs

No que é definido neste planeta como “semana passada”, o robô do vídeo abaixo quebrou o recorde de velocidade para um robô que se mova com pernas, atingindo 29 km/h (ou 18 mph).

Mas o que me chamou mais atenção foi que a intenção da empresa que desenvolveu esse robô foi de “criar um robô capaz de melhor assistir soldados em um grande número de missões”. Ou seja, não foi feito pra ajudar pessoas em suas tarefas do dia a dia, ou quem sabe desenvolver novas opções de transporte (que tal ir trabalhar montado num desses, sim?), o robô foi feito para guerra.

Isso me fez querer saber mais sobre a empresa por trás do projeto (a Boston Dynamics), o que mais eles fazem e que outros robôs vamos ter que destruir se um dia os robôs façam a revolução das máquinas que tantos cientistas, filmes, livros e pesadelos já nós alertaram com tanta inspiração.

No site deles acabei conhecendo outros projetos de robôs, também criados com objetivos militares. Segue abaixo um pequeno resumo de cada um deles, com links pra vídeo e tudo mais, e um comentário sobre isso tudo no final. Bons pesadelos.

LS3 – Legged Squad Support System

Desenvolvido com o objetivo de acompanhar soldados a pé, onde quer que eles tenham que ir, é capaz de carregar 180kg (400 lbs) e com uma carga de energia é capaz de andar 32 km (20 milhas) ou operar por 24 horas. Ele opera sozinho, conta com um sistema de navegação por câmera que reconhece e segue um líder, além de um sistema GPS. Vídeo aqui. Mais sobre o LS3 aqui.

PETMAN

Talvez seja o projeto mais assustador deles. É um robô com forma humana, que anda, rasteja e faz até flexões de braço (não, não é sacanagem). O objetivo deles foi criar um robô para testar roupas que serão depois utilizadas por soldados, por isso ele tem corpo humano e faz movimentos humanos. Ahan, senta lá Cláudia. Clique aqui pra ver ele funcionando. Mais informações dele aqui.

BigDog

É um primo do LS3, a diferença é que ele foi feito com o objetivo de ir não apenas onde um soldado pode ir, mas também onde um animal, do mesmo porte que ele, conseguiria ir. Ele é capaz de correr a 6,5 km/h (4 mph), andar em terrenos que incluem lama, neve e areia e ainda é capaz de carregar 150 kg (340 lbs). Vídeo aqui. Mais informações aqui.

SandFlea

Pesando 5 kg (11 libras), esse robô tem como habilidade especial poder saltar 10 metros de altura (30 pés). Com uma carga de bateria ele consegue dar 25 pulos. Esse o vídeo está aqui, não só como link, porque vale a pena ver o tamanho do pulo que ele dá. Pra saber mais sobre ele clique aqui.

RHex


Esse se fosse transformado num brinquedo ia dar muito dinheiro. Ele é capaz de andar em praticamente qualquer terreno, além de conseguir nadar, porém o que faria dele um brinquedo de sucesso é o fato dele ser pilotado por um controle remoto e o piloto acompanha tudo por um TV, já que ele conta com câmeras, quase como um videogame. O alcance do controle é de 600 metros (2 mil pés) e só pra dar um comparativo, um carrinho, ou um avião, de controle remoto normalmente tem alcance de 10 metros (30 pés). Pra ver um vídeo do RHex clique aqui. Pra saber mais sobre ele clique aqui.

RiSE

Esse robô foi criado com objetivo de subir pelas paredes. É legal como ele tem mó estilo de inseto gigante, talvez colocando umas anteninhas e uma cobertura que deixe ele parecendo uma barata enorme ele já seja uma grande ameaça para multidões que fugiriam em pânico se vissem uma barata desse tamanho. Consegue imaginar a confusão? Vídeo aqui. Mais sobre o RiSE aqui.

LittleDog

Ele é pequeno, ele anda em qualquer terreno e parece um robô do Império de Star Wars. Acho que esse é o que vai dar mais trabalho pra matar quando as máquinas resolverem se rebelar, isso quando trocarem a bateria dele por uma maior já que no modelo atual ela dura apenas 30 minutos. Você pode ver ele em ação clicando aqui. Clique aqui pra saber mais.

Comentário

Apesar de tudo ter sido desenvolvido como arma de guerra, e isso quer dizer que entre outras coisas a versão final de todos os modelos vai certamente incluir uma metralhadora e uma função de auto destruição, é importante dizer duas coisas.

A primeira é que quase sempre desenvolvimentos científicos com propósitos militares acabam depois transformados e se tornam inclusive importantes ferramentas que mudaram pra sempre a forma a vida das pessoas. Só pra citar dois exemplos, um o GPS, que entre outras coisas, além de te ajudar a chegar ao seu destino, ajuda também mísseis a chegarem ao destino deles, e dois, a internet, que não foi feita pra civis ficarem vendo video de gatos fazendo coisas estranhas no Youtube.

A segunda coisa é que, apesar de me chamar atenção uma empresa fazer ciência com o objetivo de guerra, o que poderia nos fazer pensar inclusive que elas ficariam bem decepcionados se a paz mundial, sonhada por tantas misses ao redor do mundo, acontecesse, a tecnologia é uma ferramenta que oferece sempre muitas possibilidades e escolher qual possibilidade será abraçada depende muito da cabeça do mamífero em comando.

Da mesma forma que a energia nuclear pode ser usada para obter energia elétrica, ela pode ser usada para construir bombas. O curioso, no entanto, é que uma forma muito eficaz de se evitar um conflito é deixar claro pra qualquer pessoa que pense em entrar em conflito com você que ela não tem a menor chance de vencer e isso algumas vezes inclui ser a primeira pessoa a ter essas bombas, ou ter o maior exército do mundo, ou ainda um exército de robôs.

Seja lá como for, não sei até que ponto esse cabo de guerra de medo é mesmo saudável. Tem sempre um idiota morrendo de vontade de ver tudo pegar fogo, tem sempre alguém morrendo de vontade de “vingar aquela história que aconteceu 400 anos atrás” e a história mostra que eventualmente um idiota desses chega ao poder e faz bastante merda.

Imagine se uma empresa como a Apple fosse militar. Imagine esse tipo de poder intelectual focado em criar formas de fazer guerra e não em formas de oferecer produtos que facilitem sua vida. Lembre agora como produtos de uma empresa como essa são capazes de unir as pessoas, de como em qualquer parte do mundo esses produtos e essa filosofia representam alguma coisa. Pense também no citado YouTube e em como ele se incorporou a cultura mundial e como ele é também uma ferramenta que faz as pessoas saberem mais sobre elas mesmas e sobre o mundo.

O que eu quero dizer é que o desenvolvimento militar ajuda no desenvolvimento de coisas que acabam sendo importantes para a sociedade, mas que essa não é a única forma de se conseguir grandes avanços tecnológicos, ou mudança, e, mais do que qualquer coisa, um entendimento e união mundial, onde as pessoas aprendem e se conectam umas com as outras, tornando possível uma paz real e não uma paz baseada em medo.

Por mais utópico que seja, gosto mais de pensar em ciência visualizando um futuro onde a motivação pra qualquer estudo ser “uma possível guerra” fosse só uma piada sobre uma humanidade do passado, onde o GPS tivesse sido realmente desenvolvido pra guiar as pessoas pela cidade e o objetivo fosse sempre tornar a vida menos complicada.

Talvez uma mudança real na política internacional e na maneira que os líderes da nas nações realmente “buscam paz” só aconteça quando as pessoas pararem de ter tanto medo umas das outras e se lembrarem que ninguém quer entrar em guerra, que ninguém quer ter seu país ou cultura destruídos, que no fundo todo mundo só quer uma oportunidade de viver em paz. Ou será que não?

Bom, na pior das hipóteses, podemos dizer que tudo isso é só um preparativo para podermos nos defender se um dia acontecer uma invasão alienígena e esses alienígenas sejam irracionais e violentos, sim? hahaha

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