O Acaso de uma Amnésia

Foi muito forte. Tanto, que fiquei desacordado por 2 dias. Quando acordei, não lembrava quem eu era.

Amnésia.

Igual a dos desenhos animados, só que de verdade.

Fiquei no hospital uns dias e quando finalmente estava bem o bastante pra ir embora, fui com um senhor e uma senhora que os médicos disseram serem meus pais. Tinha meu apartamento do outro lado da cidade, onde morava sozinho, mas não era seguro me deixarem lá por minha conta. Meus pais me levaram pra casa deles, a mesma casa que um dia também tinha sido minha, mesmo que eu não lembrasse.

No carro, no caminho, eu olhava em silêncio a cidade pela janela e lembrava daquelas ruas, mas não sabia responder a mim mesmo qual era meu nome. Eu sabia o que era um nome, sabia que as pessoas tinham nomes, mas não sabia qual era o meu. Não sabia minha idade, não sabia onde tinha nascido, não era capaz de lembrar de algo ou alguém que tivesse feito parte da minha história, inclusive, qual era a minha história?

Contaram que a vida que eu tinha antes do acidente era cheia de conquistas e pessoas, exatamente como eu sabia que a vida de uma pessoa deveria ser. Tinha 27 anos e um emprego que quando me disseram qual era, não acreditei. Mas então, da mesma forma que acontece quando nos damos conta que o tempo todo estamos respirando sem notar que fazemos isso, pensei e vi lá dentro da minha cabeça que eu sabia o que eu deveria saber pra ter aquele emprego.

Disseram também que eu tocava piano e assim que pude me sentei em frente a ele pra ver o que acontecia. Eu sabia o que era um piano, o objeto, mas não conseguia ver uma história entre aquele objeto e eu. Mexi um pouco nas teclas e, quando já ia desistindo, vi quase que sozinhas minhas mãos tirarem som, movendo meus dedos de uma maneira que eu não imaginava que sabia. Eu sabia tocar e sabia agora que sabia, mas não sabia dizer como tinha aprendido.

Na minha vida de antes, tinha também uma mulher. Ela ia agora todos os dias até a casa dos meus pais pra me ver. Me olhava preocupada e de tempos em tempos eu podia ver naquele olhar que ela gostava de mim de um jeito diferente. Disseram que ela não era apenas minha namorada, mas minha noiva e iríamos nos casar no final daquele ano, se o acidente não tivesse acontecido.

Eu não lembrava de nada disso.

Eu não lembrava dela.

Eu via que ela ficava triste por isso, mas via que ficava feliz ao ver como eu ficava interessado nela, como ela me chamava a atenção, como eu olhava pra dela de um jeito que tinha ficado no passado, como se tivéssemos voltado no tempo, de volta pras nossas primeiras conversas. Conversar com ela era diferente de conversar com as outras pessoas.

Ao ouvir as histórias de quem eu era, do meu emprego importante, da mulher linda que eu tinha e de como eu gostava tanto daquilo tudo, aos poucos, me sentia menos perdido e, de um jeito estranho, até contente com a pessoa que eu era.

O médico dizia que ouvir essas histórias era bom, que eu devia conversar com pessoas conhecidas, rever lugares e assim que possível, tentar viver a mesma vida que eu vivia antes do acidente. Em breve a memória deveria voltar e antes que eu percebesse tudo iria fazer sentido de novo, não seria mais só uma história de alguém que apesar de dizerem que era eu, pra mim ainda não era. Ter lembrado das coisas do trabalho e do piano eram ótimos sinais. Não ia demorar tanto. Não tinha porque me preocupar.

Nas primeiras semanas que fiquei na casa dos meus pais conheci de novo muita gente. Primos, amigos, tios e até meus três irmãos. Eu ouvia, conversava, andava pela casa, abria a geladeira e por mais que não tivesse nenhuma memória de ter vivido ali, sentia uma familiaridade com tudo. Inclusive, algumas pequenas coisas, sem saber como, eu sabia, como o jeito certo pra puxar a gaveta dos talheres pra que não ficasse emperrada e a senha do meu computador.

Minha mãe ficou sentida com isso da senha, porque disso, ou da gaveta dos talheres, eu lembrava, mas dela não. Meu pai, por outro lado, não se importava tanto de eu não me lembrar dele, mas ficava o tempo todo me falando sobre como as coisas que eu tinha feito e conquistado na vida que eu não lembrava eram importantes, “de enorme valor”, e sobre como era fundamental que eu não me desviasse daquele caminho. Foi ele o principal incentivador pra que eu voltasse logo a trabalhar, a ir pro meu apartamento e ter de volta a rotina que eu tinha antes do acidente.

O médico disse que se eu me sentisse bem o bastante deveria sim voltar a trabalhar e a ficar no meu apartamento, mas que deveria visitar a casa dos meus pais com frequência e que qualquer problema que eu tivesse deveria procurar por ele.

E assim foi feito.

No trabalho, como eu lembrava do que precisava lembrar, só tive que aprender de novo o nome de todo mundo. E não foi tão difícil assim, sentia como se já soubesse aqueles nomes, apesar de não lembrar daquelas pessoas. Eles diziam que pra eles eu era a mesma pessoa, inclusive com certa frequência acontecia de eu dizer a mesma coisa, ou ter a mesma reação, diante de uma situação ou história que tinha já vivido na vida que não lembrava.

Eu fazia bem meu trabalho. Me dava bem com aquelas pessoas. Só que os dias passavam e eu não lembrava de nada.

Aquela mulher que eu achava tão linda e tão interessante também foi com o tempo me reconhecendo. Ela dizia que se o médico não tivesse um monte de radiografias mostrando que meu cérebro ainda estava cicatrizando, eu bem que poderia já ter lembrado de tudo e estar só fingindo. Eu não lembrava das coisas passadas com ela, mas assumia que elas tinham acontecido. Dentro de mim, tentava determinar o peso delas, por mais que não fizesse uma idéia completa do que elas tinham sido. Nos dávamos bem e era difícil não gostar de ter como companhia uma mulher bonita, que dizia gostar de mim e com quem era possível conversar sobre tantas coisas.

Conforme o tempo foi passando, meu trabalho e nosso relacionamento voltavam pras mesmas rotinas de antes do acidente.

Eu vivia essas rotinas. As coisas iam adquirindo “normalidade”, mas eu só tinha aprendido como as coisas funcionavam, ainda não lembrava de nada.

Nada.

Um dia sonhei que estava numa piscina e de repente, como se fosse uma descarga, toda a água e eu fomos sugados pra dentro do escuro. Parecia um túnel e no final dele tinha uma luz bem forte. Quando cheguei até a luz acordei e senti algo se mexer dentro da minha cabeça, quase pude sentir ser construído um conjunto de memórias lá dentro. Naquele dia, lembrei das memórias mais distantes da minha infância.

Me vi criança vendo desenhos. Me vi correndo. Me vi sujo de sorvete e areia numa praia. Me vi chorando porque um cachorro correu atrás de mim. Me vi vestido com uma roupa desconfortável numa noite de Natal. Lembrei que meus pais eram mesmo meus pais.

Depois, semana após semana, alguma memória voltava, mas sempre algo da minha infância. Reparei que apesar de todas as memórias serem dessa época, elas tinham uma lógica. Eu estava um pouco mais velho a cada nova memória. Por alguma razão que nem o médico sabia explicar, minhas memórias estavam voltando, só que em ordem cronológica.

E não era só isso.

A cada memória recuperada eu revivia aquele momento com grande intensidade, ficava dias pensando nele. Na minha cabeça, não era uma imagem pouco definida e já meio apagada do passado, como uma memória distante costuma ser. Era como se o que eu lembrasse tivesse acontecido logo ali, no dia anterior, talvez até no mesmo dia. Os traços, as cores e os sentimentos, eram todos bem definidos.

O tempo passou.

Meses passaram.

E depois um pouco mais.

Fui colecionando memórias e revivendo quem eu era. Eu lembrava agora daquelas primeiras experiências que tinham formado as bases da pessoa que eu poderia ser. Agora, já sabia até dizer quem era o adolescente que eu tinha sido.

E foi aí que as coisas começaram a dar errado.

Eu me dava bem com as pessoas do emprego, fazia bem as coisas que ele exigia e era sim um “emprego promissor, respeitoso e para alguém especial”. Só que eu estava lá agora, fazendo tudo isso, sendo tudo isso, mas não era mais novidade e fazer aquilo sem que fosse uma novidade não era algo do qual eu pudesse tirar alguma satisfação.

Não sentia felicidade em acordar pra ir e fazer tudo aquilo. Era como se estivesse errado e eu não entendia o porque. Aquela rotina não parecia certa pra mim. Eu esperava pelos fins de semana, eu esperava pelos feriados, eu, às vezes, me trancava no banheiro e dormia por alguns minutos pra sonhar, lembrar de outra coisa e ir de alguma forma pra um lugar distante, antes de voltar pra próxima tarefa do dia.

Ao mesmo tempo, aquela mulher linda não era mais um conjunto de ações sincronizadas visando me tratar de uma determinada forma, por causa do acidente. Ela tinha agora um caráter e intenções, que vez ou outra me faziam sentir uma enorme solidão, uma vontade de ir embora, ou de ficar calado. De vez em quando podia sentir até uma certeza de que jamais poderia dividir uma vida com aquela pessoa. Jamais.

Era difícil me motivar a sair da cama pra viver os dias. Era difícil viver os dias. Mas eu não podia perder o controle e jogar tudo fora, afinal de contas aquela vida não era minha, eu só estava ali temporariamente, só até que todas as memórias voltassem e eu fosse de novo a pessoa que era a verdadeira dona e construtora daquela vida. Naquele momento ela estava só emprestada pra mim, era só pra eu cuidar dela, até que o dono estivesse de volta. Eu não podia mexer e mudar, não tinha esse direito. Não era minha aquela vida.

Junto desses sentimentos, tinham as memórias. Eu olhava pra essa vida e pra pessoa das memórias que até então eu tinha, e não entendia como aquela vida podia pertencer a mim. Não fazia sentido. Como é que eu tinha parado ali? Porque eu tinha tomado aqueles caminhos? Como teriam sido as minhas decisões? Ou então, em que momento eu teria me tornado outra coisa?

Numa terça-feira de manhã, liguei pro meu médico, como ele disse que deveria fazer se tivesse algum problema. Se baseando em um monte de dados estatísticos de pessoas que tiveram amnésia, ele dizia que eu deveria ter calma e “não perder o controle”. Conforme mais memórias voltassem, as respostas que eu precisava chegariam também. A ponte entre o que eu sabia que era, por causa das memórias que tinha revivido, e a vida que eu tinha naquele presente, iria, cedo ou tarde, se construir. Eu só precisava continuar, aguentar um pouco mais. Logo haveria explicação pra tudo aquilo.

Concordei em tentar.

Passou o tempo. Depois mais tempo. E mais tempo. E mais um pouco. As respostas não vieram e as coisas pioraram.

Pioraram a ponto de se tornarem insustentáveis.

Eu me esforçava, mas não conseguia mais fazer as coisas que as pessoas diziam que antes eu gostava. Também não conseguia mais passar tempo com aquela mulher. Temendo o pior, o médico me deu uma licença de uns dias pra por a cabeça no lugar, pra me afastar de tudo, descansar das rotinas, das pessoas e das pressões.

Foram os dias mais longos da minha vida. Não consegui usar aqueles dias como férias. Estava longe, mas pensando em tudo e em todos. Minha cabeça trabalhou muito, só que ao contrário de como ela vinha trabalhando desde que tinha acordado naquela cama de hospital, não foi em coisas do passado, mas sim em coisas do futuro que ela pensou. Eu era quem eu era. Se aquela vida e aquelas pessoas não faziam mais sentido, e se eu estava infeliz daquela forma, tinha que tomar uma atitude séria. Tinha que tomar aquela vida, assumir como minha, e mudar o que fosse necessário pra que ela se tornasse algo que fizesse sentido.

Mas e se fosse um erro? E se depois que todas as memórias chegassem eu me arrependesse? Talvez no futuro eu visse sentido naquilo tudo.

Mas, e se minhas memórias nunca voltassem? Se uma resposta nunca chegasse?

Eu pesquisei, eu li, eu quis entender o meu problema e acabei descobrindo que o médico não estava me contando uma parte da história, uma parte que dizia que existia uma possibilidade de que eu nunca mais lembrasse de todas as coisas que um dia eu sabia. Eu precisava agir, ou quando o dono daquela vida chegasse, não teria mais vida pra ele assumir.

Voltei dos meus dias de descanso decidido e com planos.

Nos meses que se seguiram, juntei dinheiro e paguei tudo que estava pendente. Nesses mesmos meses abrir o jogo com a mulher que era minha namorada, contei e questionei tudo que achava que estava errado e que não podia continuar se fosse mesmo pra ficarmos juntos.

Coincidência ou não, foi exatamente no aniversário de um ano do acidente que terminei de juntar o dinheiro que precisava pra ficar por uns meses por minha conta e que tive com aquela mulher uma conversa final. No dia do aniversário do acidente, me demiti do meu emprego, pra tristeza do meu pai, e terminei meu relacionamento.

Durante aqueles meses em que me preparei, revivi mais memórias e elas me davam ainda mais certeza de que meus planos eram corretos. Essas memórias também me ajudaram a saber mais de uma coisa que eu gostava de verdade de fazer ou ter na vida.

Agora era a hora de fazer aquilo que eu sabia que gostava, quase como se soubesse que iria dar certo, sem nem pensar que poderia dar errado, com vontade e força. De repente, foi simples, foi rápido, foi natural, foi intenso, fez sentido. E deu certo.

Mudei minha vida. Realizei o que tinha que realizar. Conheci pessoas. Viajei, vi, fui e voltei. E passou o tempo. E mais tempo. E mais tempo. Depois um pouco mais.

Mais memórias iam voltando, mas ainda não aquelas que eu esperava. Foi assim até o dia do aniversário de um ano da minha mudança de vida, ou de dois anos do acidente.

Em uma manhã de domingo, as memórias que eu esperava, finalmente voltaram.

Foi logo que acordei. Entrava sol pela janela e foi como se tivesse sido puxado com força do fundo de uma piscina, na direção do céu. Minha cabeça finalmente se preencheu com as peças que faltavam. As respostas. A ponte. Estava tudo lá e era tudo bem simples.

Eu tinha ido parar naquele emprego porque tinha medo. Tinha medo das coisas não darem certo se eu fugisse da vida que todos diziam ser a correta, tinha medo de decepcionar meu pai, de ser diferente demais dos outros e não ser capaz de cuidar de mim, de não ter dinheiro. Tinha medo de ser um anormal e ficar correndo pra sempre atrás de planos e projetos que provavelmente nunca dariam resultado e eu jamais poderia fazer todas as coisas que no fundo sabia que queria fazer, mas não sabia se eram desejos corretos ou apenas expectativas infantis com relação a vida. Tinha medo de ser errado sentir saudades de coisas que nunca tinha feito.

Eu tinha entrado num relacionamento que não era o certo pra mim e quase transformado aquilo em casamento também por medo. Houve um tempo em que aquele relacionamento tinha sido mesmo bom, mas as pessoas crescem, as pessoas mudam e nem sempre elas vão pro mesmo lado. O casamento parecia uma saída, uma resposta, uma mudança que poderia forçar o todo pra uma nova condição que seria sim uma nova rotina, mas não traria uma nova alma ao que já existia. Eu continuava ali por medo de ficar sozinho, medo de não achar nada melhor, de nunca mais poder fazer sexo com uma mulher bonita. Tinha medo de ser anormal demais e acabar na solidão ou sendo sempre uma versão editada de mim mesmo já que se eu fosse 100% quem eu era, ninguém jamais gostaria de mim. Era medo de que talvez não houvesse nada lá fora e perder aqueles anos e o que tinha sido conquistado, seria irreparável, seria escolher envelhecer sozinho e em silêncio. Tinha medo de começar de novo e dar em nada outra vez.

Lembrar de tudo isso em um segundo foi bem forte. Sentei e olhei pra fora, pela janela, onde a luz ainda entrava. Respirei e tentei não pensar em nada, vendo os trilhos do meu pensamento me conduzirem pra peça final do quebra-cabeça, o dia do acidente, o acidente que eu não lembrava como tinha acontecido. Me disseram que estava chovendo e eu perdi o controle do carro numa curva, que ele devia ter derrapado por causa do asfalto molhado.

Mas não era bem essa a verdade.

A verdade é que meu outro eu não era outra pessoa e o acidente não tinha sido um acidente.

Tinha sido o fim de uma linha, o fim de algo que não podia continuar. Era eu dirigindo um carro, me deixando levar por pensamentos que pareciam ser bem maiores do que eu e qualquer força, lógica ou capacidade que eu pudesse ter. Na curva, na chuva, na pista molhada, quando o carro derrapou, eu perdi a direção, querendo perder. No dia do acidente, eu tinha o mesmo sentimento de que aquela vida não era pra mim, mas sem a motivação e a certeza de que o que eu sentia era o certo e que erradas estavam as coisas e os padrões que tinham me feito seguir. Dessa vez eu tinha sido capaz de ter essa força pra mudar porque tinha revivido as memórias que me diziam tão forte, tão bem e com tanta certeza, quem eu era.

Procurei olhar pra um ponto no céu da cidade e tentei ir bem longe no pensamento. Eu tinha sobrevivido a minha própria estupidez. Eu tinha sobrevivido ao meu próprio medo de ser quem eu tinha que ser.

Ali, agora, 2 anos depois, eu sabia a resposta, a resposta que teria mudado a minha vida se alguém tivesse me dito, a resposta que eu tinha descoberto sem querer, devido a um acaso do destino. Devido ao acaso de uma amnésia.

A resposta era que bastava esquecer de tudo e lembrar de quem eu era. De quem eu sabia que era, não como conceito, mas como fato. Era só lembrar quais eram as experiências que tinham formado a pessoa que eu era, o caminho que eu tinha vivido pra chegar até ali sendo quem eu tinha me tornado, acreditando no que eu acreditava, sentindo o que eu sentia e desejando o que eu desejava. Isso, sempre que eu precisasse, daria a força necessária pra tornar possível mudar e construir qualquer coisa que estivesse a minha frente e parecesse errada ou invencível.

Naquele dia finalmente lembrei de mim e, mais do que isso, finalmente me dei conta, de que na verdade, nunca tinha me esquecido.

3 Comments on “O Acaso de uma Amnésia

  1. gostei do final, cara
    acho q uma pessoa sempre é ela mesmo ateh qnd nem sabe

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