Mary e Max – Uma Amizade Diferente

Uma amizade geralmente surge quando duas pessoas tem coisas em comum, no jeito de ser, na maneira de ver o mundo ou sei lá o que. Nesses tempos de internet, de passagens de avião a valores acessíveis, do mundo cada vez mais unido com mídias sociais, lançamentos de filmes, jogos e até cantores pop de franjas estranhas, uma amizade entre duas pessoas que moram cada uma em um lado do mundo é cada vez mais possível e comum. Mas e se fosse nos anos 70? E se fosse entre pessoas que aparentemente não tinham nada em comum? E se blá de blá de blá blá blá?

Mary e Max é um filme que fala sobre uma amizade, dessas de pessoas que moram uma em cada lado do mundo e que acabam tendo mais coisas em comum do que esperavam ter, e como já deve ter dado pra adivinhar, tem alguma coisa nos anos 70.

Sem contar muita coisa, porque acho uma merda quando a pessoa tentando saber se um filme é bom acaba sabendo demais do filme, a Mary do título, com 8 anos, escolhe por acaso o endereço do Max do título, com 44 anos. Ela precisava do endereço de alguém dos EUA porque queria escrever pra tirar uma simples dúvida: se lá, da mesma forma que na Australia, os bebês nasciam do fundo de canecas de cerveja, como o avô dela tinha ensinado.

A partir da primeira carta, eles vão conversando e descobrindo tudo aquilo que têm em comum, seja no gosto por doces, ou algum desenho animado, mas especialmente sobre as pessoas a sua volta e sobre como um mundo, às vezes, parece confuso.

Vendo por essa idéia dava bem pra esse ser um daqueles filmes bem dramalhão foda, ainda mais se eu te disser que o Max é um cara solitário daqueles metódicos sem vida social e que a mãe da Mary é uma mulher maluca alcoólatra.

Só que não é nada disso.

O filme conta a história com sutileza e bom humor. É uma comédia, não um drama. Não que não trate de coisas dramáticas e assuntos sérios, principalmente conforme os anos passam e a Mary cresce, mas fica tranquilo (ou não) que esse não é um filme pra se ver com uma caixa de lenço de papel.

Esse é um daqueles filmes inteligentes, que tem detalhes por todos os lados que acrescentam profundidade a história e ao mundo, se você ficar prestando atenção e conseguir encontrá-los. Por exemplo, se um personagem está lendo um livro e você reparar qual é, vai ver que tem a ver com a história, ou com a cena, mesmo que nenhuma referência seja feita a ele. Existem outros exemplos mais visuais, que não exigem que você sei lá, saiba do que se trata o livro “Eu estou ok, você está ok”, como por exemplo os pregadores no lugar de botões da roupa da mãe dela na foto aí em cima. Se você já viu o filme, sabe o que eles querem dizer, se não viu, quando ver vai se lembrar deles.

Um detalhe bastante característico do filme é a direção de arte, especialmente a fotografia. A fotografia de cada lugar, as cores usadas, têm papel importante para criar o clima correspondente e de certa forma, acho que cria também o mundo como os personagens o percebem. Quer dizer, conhecendo a personalidade do Max, faz sentido o mundo dele ser noir, por exemplo.

Normalmente não cito nome de diretores ou atores quando falo dos filmes aqui, mas nesse caso, por tudo que eu falei da atenção aos detalhes e como ele é alguém que ainda está começando, esse filme tem direção roteiro de Adam Elliot. Guarde esse nome. Inclusive, a história na qual o filme é baseado (pois é, é baseado em algo real), aconteceu com o sr. Elliot, mas não achei maiores detalhes.

Eu vi a versão em inglês e, sem citar nomes dessa vez, a dublagem é muito boa, daquelas que você só reconhece quem são os atores dublando quando acaba e aparecem os créditos, me chamou atenção especial o ator que faz o Max, realmente não parece ele.

E depois de tanto falar e falar, digamos que Mary and Max fala sobre uma amizade diferente, mas que no fundo não é tão diferente assim de qualquer outra amizade verdadeira e com significado, lidando com o tempo e as coisas que acontecem ao longo da vida com honestidade e bom humor, mesmo que as coisas que acontecem na vida dos dois não sejam assim tão comuns de acontecerem com qualquer um. Esse não é o tipo de filme que vai entrar pra “lista dos melhores” de qualquer pessoa, mas acho difícil alguém ver esse filme e não, pelo menos, gostar.

Clique aqui se quiser ver trailer no YouTube

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