Projeto Webcoisas Tour – episódio 1: O Aeroporto

Antes de começar só um pequeno aviso, minha intenção é fazer algo que conte as histórias e bla bla bla, mas mesmo tempo eu quero que isso seja algo útil pra quem quer viajar um dia. Sendo assim, se o tom variar entre uma história e um tutorial, não liga não, eu não fiquei louco, nem me perdi, tudo ok.

Agora sim, comecemos.

Agosto de 2010, Aeroporto de Guarulhos

Eu sempre quis viajar, explorar o mundo, ver o que tinha em lugares distantes, costumes diferentes, histórias diferentes e coisas que teoricamente nunca vimos. Talvez seja culpa dos anos jogando Zelda, ou vendo Discovery Channel, ou dos sites de foto tipo Flickr, da Internet como um todo, ou só aquela sensação de curiosidade que todo mundo tem ou já teve um dia, ou quem sabe ainda é só aquela falta de um lugar que nós sentimos que é o nosso.

Minha viagem, já escrevi aqui algum tempo atrás, não foi apenas porque eu queria viajar. Foi tudo dentro de um esquema maior, dentro daquilo que eu faço que eu faço do meu tempo que é mais socialmente aceitável e que não envolve ficar contando historinhas, fazendo desenhozinhos e dando minhas opiniõezinhas. Pra ser bem breve, onde eu trabalho surgiu uma necessidade de que pessoas fossem para a Alemanha pra desempenhar um certo papel e retornar 4 meses e meio depois. Eu fui escolhido como uma dessas pessoas.

Até aquele momento o que impedia a meus planos de viajar para locais mais distantes, pra colocar de um modo bem simples, era o dinheiro e especialmente tempo. Viajar não é exatamente barato, mesmo que você vá ficar na casa de pessoas que conhece e etc, exige um certo planejamento. A gente trabalha e ganha dinheiro, mas curiosamente, se não tomamos cuidado dinheiro gera mais consumo de dinheiro e de repente a pessoa se vê com 50 anos de idade adiando planos e vendo a vida passar e apesar de ter salários maiores, os gastos também são. No mundo corporativo, existe uma coisa chamada “funcionário terceirizado”, que pode ser ótimo pra você que é um empresário que tem muita ambição e pouco respeito pelos outros, mas é uma merda não ter férias, nem décimo terceiro, ou sei lá o que mais.

Eu tenho hoje 24 anos, daqui alguns dias vou ter 25 e posso dizer que dediquei certa parte da minha vida a fazer aquilo que falam pra gente que é o que devemos fazer da nossa vida. Aquela coisa super uhu de se formar, entrar numa faculdade pública, se esforçar, se destacar, arranjar um estágio legal numa empresa legal e fazer coisas e ser pró ativo e saber conviver com ambiguidades (sim, são muitos “e”). Hoje, de certa forma, sigo com muitas dessas definições que passam pra gente como sendo as coisas “honradas e certas a se fazer dentro da sociedade moderna”, mas felizmente, pelo menos terceirizado, há algum tempo, eu não sou.

Eu tinha planos para as minhas primeiras férias, as primeiras que eu ia tirar em toda a minha vida socialmente aceitável (porque na vida dos projetos malucos nunca tem férias). Mas eis que surgiu essa oportunidade, viajar de uma forma diferente e de certa forma de uma maneira que eu queria mais. Eu explico melhor, é que eu acho que pra conhecer mesmo um lugar e as pessoas dele é preciso passar um tempo lá, o suficiente pra você saber o preço das coisas no mercado, pra conhecer o senso de humor, uns programas de TV, ver as estações do ano mudarem e tudo isso. Eu sabia que com 1 mês de férias, mesmo que eu me planejasse financeiramente pra viajar os 30 dias, dificilmente conseguiria fazer isso, mas ai estava minha oportunidade. 4 meses e meio. Alemanha.

Eu soube da viagem pouco tempo antes dela de fato acontecer. Tive que me preparar meio que correndo pra tirar passaporte, comprar tudo o que era preciso, mas no final deu tudo certo. Inclusive já vem aqui a dica 1ª dica, o passaporte em si não demora pra sair, o que demora é você conseguir agendar uma visita na Polícia Federal. Os prazos podem passar de 6 meses, ou seja, se você não tem passaporte, tome cuidado. Em caso de emergências você pode tentar tirar o passaporte em outra cidade, uma que tenha menos procura, aí tem prazos menores. Eu, por exemplo, não sou de Santos, mas tirei meu passaporte lá. No site da policia federal tem bastante informação e todo o processo de pegar o boleto que tem que pagar e o agendamento é feito por lá.

Outro detalhe que convém lembrar é que alguns países exigem visto pra poder entrar no país ou pra ficar mais que um determinado tempo, que em geral é de 90 dias. Procure a embaixada ou o consulado do país que você vai e se informe. Se não achar no site, use o telefone. No meu caso, foi preciso tirar um visto diferente, mas vou falar dele melhor em um outro texto, no futuro.

Estamos agora no aeroporto. É então, estamos, eu e você, se sinta lá. Todas aquelas pessoas indo em várias direções com suas malas e tudo mais. Chegou o grande dia. Espero que você tenha sido mais esperto que eu e não tenha deixado pra terminar de arrumar a mala no dia em que você vai viajar. No aeroporto a primeira coisa a fazer é o check-in, que é uma palavra bonita, em inglês, e que não diz nada sobre o que realmente é pra fazer (#neh?). O check-in é você ir até o guichê de embarque da sua companhia área, que é referente ao seu voo, pra despachar suas malas. Procure saber antes qual o número desse guichê e onde ele fica, mas não der, tem sempre alguém pra quem você pode pedir informação. É importante chegar com antecedência e verificar quanto tempo antes da hora do voo o check-in deve ser feito. Esse tempo depende do seu tipo de voo, da sua companhia aérea e do aeroporto. Eu até poderia ser mais especifico, mas como esse texto vai ficar preso no tempo e você pode estar me lendo no futuro e tudo pode ter mudado, a melhor fonte de informações mais precisas é o site da sua companhia aérea, mesmo no futuro eles provavelmente vão estar corretos e se eles não estiverem e isso ferrar você, sem problemas, você pode processá-los e ganhar milhões! (viva! \o/!).

Continuando, quem me lê aqui sabe de um fato muito importante: eu faço coisas imbecis de vez em quando. É, pois é. Ou seja, é claro que eu me atrasei e cheguei em cima da hora, mas nada sério. A mulher do check-in pediu meu nome, o número da minha passagem, um documento pra ver se eu era eu mesmo, deu um sorriso padrão e pediu que eu colocasse a minha mala numa espécie de esteira. Essa esteira pesa a mala e aqui mais uma vez, use a internet e pesquise qual o limite de peso pro voo que você vai fazer. Conforme o destino e a companhia área, varia a quantidade da malas e o peso máximo que elas podem ter. Se tiver tudo ok, ou seja, você não tá com a mala pesada demais, o que pode significar pagar uma taxa, ela etiqueta sua mala que vai embora pela esteira. Eles te dão um papel que tem o número da etiqueta. Guarde essa p*rra desse papel com cuidado, você vai precisar dele caso dê alguma merda com a sua mala ou se alguém tentar pegar a sua mala seja por engano ou guiado por intenções sombrias e malignas, quando você estiver no seu destino. Tem pessoas feia e boba no mundo, vai achando que é tudo mundo Disney, vai.

Na maioria dos voos dá pra levar uma mala de mão, mas é sempre bom pesquisar com a companhia área que você escolheu qual a política deles para o que pode levar na mala de mão e qual o peso máximo.

Ok, nós fizemos o check-in e como eu estava atrasado vamos correr direto pra área de embarque. Ah, caso você tenha pensado, se fizer tudo no tempo certo, não precisa correr como um idiota pelo aeroporto como estamos fazendo agora. Tem tempo o suficiente pra sentar, comer um lanchinho, talvez até meditar um pouco sobre a sua vida, ok?

Na entrada pra área de embarque é que as pessoas se despedem. Aqui só pode entrar quem vai viajar mesmo. Já tinha levado pro aeroporto algumas pessoas e era sempre aqui que eu tinha que dar meia volta. Mas não naquele dia (ha! toma essa, alguém!).

No aeroporto que eu estava, essa parte é isolada do resto do aeroporto por um muro. Quem fica não sabe o que tem do outro lado e eu nunca soube e nem quis pesquisar muito pra manter o “mistério”. O que não faz o menor sentido porque teoricamente a gente sabe que vai ter o raio X pra bagagem de mão e um pessoal que vai verificar sua passagem, seu passaporte e conferir mais uma vez se você é você e se você não é um fugitivo, terrorista ou algo assim. Em outras palavras eu tinha imaginado tanta coisa e no final das contas era só um monte de fila. Tsc tsc, que decepção.

Aqui me despedi dos meus pais (não sou filho de chocadeira e tal) da minha irmã e de um sobrinho meu que tinham ido junto. Minha dica aqui é “não seja um bixo do mato e se despeça das pessoas adequadamente”. Sério, não custa nada. E se você tiver chocolate pra fazer as pessoas ficarem comendo ao invés de dizendo coisas dramáticas como se você tivesse indo pra guerra, não pense duas vezes, chocolate na galera.

Ok, como eu não sou um fugitivo ou um terrorista estamos agora em um espaço enorme, com um monte de cadeiras, talvez umas lojas e umas TVs. Esse lugar é que tem as portas que vão dar pros aviões e em alguns aeroportos dependendo do seu voo você já vai pra uma área especifica, não é todos os voos juntos. Também é aqui nessas cadeiras que as pessoas cochilam e tem sonhos com aviões explodindo e gente morrendo, igual naquele filme, sabe?

Aqui é importante prestar atenção na voz que anuncia quando o embarque está liberado. Quando liberar, a porta vai se abrir (claro) e eles chamam para embarcar pelo tipo de passagem (classe econômica, executiva e etc) e pelos números de cadeira no avião. Sendo assim, não precisa ficar amontoando ou fazendo uma fila enorme, vai dar tudo certo. E é bom tomar cuidado especial com a voz dos anúncios, eles são feitos em várias línguas e possivelmente a pessoa que faz isso está cansada e dar esses avisos e muito provavelmente a voz dela não vai soar alta, clara e cheia de energia.

Aqui cabe dizer que eu não estava totalmente sozinho. Como eu disse, era uma viagem de trabalho e eu era uma das pessoas que iam. Junto comigo havia mais uma pessoa. Ficamos esperando. Conversamos uns 5 minutos com um cara que ia pegar o mesmo avião e como conexão pra China. Pra ser sincero, não lembro o que falamos com ele, lembro só que ele tinha uma cara de bebum foda.

Não demorou muito e chamaram meu voo, minha classe e minha cadeira. Aí, senhores e senhoras, finalmente, entrei no avião.

Fim do episódio 1.

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