Sobre Harry Potter e outras coisas

Alguns dias atrás fui finalmente ver o mais recente filme da série Harry Potter e bom, achei uma merda. É, desculpa aí a boca suja. E, antes que você tente adivinhar, não estou aqui pra falar exatamente sobre o filme, estou aqui pra falar sobre porque eu fiquei puto ao sair da sala do cinema.

Hum adaptação, é? ok

Não sou fanático por Harry Potter. Li os livros, gosto da história, acho original, criativo, recomendo e é isso. Simples assim. Inclusive sou um desses que só foi ler os livros por ter gostado dos primeiros filmes.

Quase sempre quando um livro é adaptado para cinema, o filme não consegue ser melhor que o original. Não estou dizendo que o filme não pode ser bom, estou dizendo que se o filme já é bom o livro quase sempre vai ser muito melhor. No livro tem mais espaço pra desenvolver os personagens, os conflitos e tudo mais e, além disso, no livro quem está contando a história é a pessoa que a inventou, não é uma adaptação, é o original. Lá no livro a história é contada como tem que ser contada, sem limitação de 2 horas e meia ou com a obrigatoriedade de uma cena de ação a cada 15 minutos.

Pra uma adaptação, não acho que seja tão importante ser fiel o máximo possível ao original, até porque nem dá, é outra mídia, é outra coisa. Acho aceitável cortar o que se quiser cortar desde que no final se tenha um filme bom e que faça sentido dizer que ele é baseado no livro. Não adianta cortar tudo e do livro o filme só ter o nome.

Quando vou ver um filme baseado em um livro que eu li, não vou lá porque não tenho o que fazer e aí acho legal perder meu tempo vendo uma segunda vez uma história que eu já conheço. Não, não é isso. A intenção é de viver de novo a história agora com imagem, efeitos especiais, música e se der umas explosões.

– Como assim as minhas mãos que estão segurando o jornal são um CG feio?

E agora a parte que eu fico puto

Já ouviu falar que ler é pensar com a cabeça dos outros? Acho que no mundo do cinema é parecido, mas quando vemos um filme a cabeça com a qual “nós pensamos” é a do diretor.

O diretor é o cara que junta todos aqueles nomes que aparecem subindo pela tela quando o filme acaba e fala pra eles qual é a visão que ele tem da história e como ele quer que seja a identidade visual, a atuação dos atores, a edição e tudo mais para que o filme conte a história da maneira que ele acha que é a maneira de se contar aquela história. É ele quem traduz, e de forma bastante pessoal, as palavras do livro em imagens e som.

Os filmes do Harry Potter passaram nas mãos de vários diretores e dá pra ver bem em cada um deles a marca de cada diretor. Os dois primeiros filmes são do Chris Columbus, o terceiro do Alfonso Cuarón, o quarto do Mike Newell e aí a partir do quinto filme quem foi chamado pra contar a história foi David Yates, conhecido também como “inimigo das boas adaptações e das edições que contam uma história”.

Até o quarto filme existia uma história contada de forma lógica, as ações dos personagens faziam sentido. Eram adaptações que não tinham tudo que estava nos livros, mas eram histórias fechadas que conseguiam levar pela história e pelo “mundo de Harry Potter”, o infeliz que decidiu perder duas horas da vida dele pra ver o filme.

A impressão que eu tenho é que desde o quinto filme, ao invés de contar uma história, os filmes passaram a ser uma filmagem aleatória de cenas do livro sem ter de fato uma preocupação em se construir uma trama que fizesse sentido por si só. Se você leu os livros, você consegue acompanhar a história, mas vai ficar puto porque a adaptação e as cenas são ruins. Por outro lado, se você não leu os livros, ou se leu e não lembra mais, a partir do quinto filme não é dada pra você a oportunidade de entender o que tá acontecendo ou porque o que tá acontecendo está acontecendo. A história é contada cortada, sem progressão lógica. Essa maneira de “contar” a história é tão mal executada que não é possível entender o que acontece se baseando apenas no que o filme fala.

Acho foda também como cenas importantes são mal mal executadas, como se fosse feita uma opção por mostrar tudo da maneira mais fácil e não da maneira que passa o significado certo do que está acontecendo. Exemplos disso tem aos montes, a escapada do Harry nesse último filme, a *atenção spoiler* morte do Dumbledore no sexto filme, a luta no Ministério da magia no final do quinto filme, a luta que deveria existir e não existe no final do sexto filme e eu podeira citar mais e mais coisas, mas acho que já deu pra entender.

E dá pra notar como o Sr. Yates foi “se soltando” ao longo dos filmes, piorando cada vez mais a cada um deles ao ponto de eu me sentir compelido a vir aqui reclamar pra internet como se isso fosse realmente fazer alguma diferença pro mundo (hahaha).

 
– Me diga Harry, quem contratou David Yates? QUEM FOI?!!

Mais puto e um pouco filosófico

Mas falando sério, incomoda ver uma boa história, com um orçamento pra fazer tudo com a mais alta qualidade, ser jogada fora. Quando eu era pequeno tinha uma mulher maluca na TV que contava várias histórias usando tipo uns lápis, uns grampeador e o que mais ela achasse na frente dela e usava eles como se fossem os personagens, e funcionava muito bem, porque a história era bem contada. Aqui temos todo esse dinheiro sendo usado pra fazer filmes que falam sobre magia, mas que de mágicos não tem nada. A história passa, ela não fica e isso acontece porque é mal contada nos filmes. Nos livros, ela fica com você.

Me ajudou a deixar ainda mais puto dizerem que o último livro tinha que ser dividido em 2 filmes pra não prejudicar a história. Que cara de pau foda, né? Será que alguém acredita mesmo que eles fizeram isso porque se importam em ter um filme de primeira qualidade, tendo em vista esses últimos 3 filmes, ou eles só estão tentando arranjar maneiras de espremer até a última gota todo dinheiro que for possível tirar da franquia Harry Potter no cinema? Ainda mais quando colocam esse Sr David Yates pra dirigir de novo e de novo, como se estivesse fazendo um bom trabalho. Não existe preocupação em se fazer uma boa história aqui e dizer isso é uma puta falta de sacanagem foda.

E acho que o pior é que esse não é um caso isolado, de certo modo é até uma tendência. Nos últimos tempos vários filmes ruins foram empurrados goela abaixo com muita propaganda e muita cara de pau. Depois reclamam que as pessoas baixam filmes, que não vão no cinema e que isso está destruindo a industria. Acho que o que “destrói a indústria” é que ninguém gosta de ser feito de idiota, pagar um ingresso que não é barato pra esperar por algo que não está lá, mas que as pessoas esperam tanto que esteja lá depois de tanto marketing, de tantas “pessoas especializadas” falando sobre como o filme é bom.

Sr. Yates, me desculpe por rir tão alto naquela cena que o Harry e a Hermione dançam. Mas a culpa é sua, não minha

Pra concluir

Se você leu os livros e quer ver o filme só pra falar mal, faça isso sem gastar dinheiro, espere passar na TV, sei lá. Se você não leu os livros e está contando com os filmes pra saber como vai terminar essa história, pega o dinheiro do ingresso, compra os livros, ou os áudio livros e descobre, vai ser bem melhor pra você e pro mundo.

– Hum, num gostei do que ele falou
– Não liga não, ele escreveu demais de novo, ninguém vai ler
 

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