GamesCom 2010 – eu fui!

 GamesCom é o maior evento de games do mundo e esse ano além de contar com a presença de 254 mil visitantes, 4400 jornalistas, mais de 500 expositores de mais de 30 países, contou também com a uma presença especial: a minha (aeh, palmas)… É, eu sei que não é algo que vai fazer pessoas se emocionarem e repensarem seu papel no planeta, mas eu tava lá, eu peguei fila, eu andei pela multidão e eu joguei um monte de coisa que será lançada no futuro e é sobre isso que eu vou falar.

Antes de começar, já vou avisando que eu selecionei as coisas que consegui jogar conforme o critério “passar a vida na fila ou não”, então se eu não falar daquele jogo que você queria saber, minhas sinceras desculpas *se curva igual um lorde se desculpando.

Colônia, a 4ª maior cidade da terra Alemanha, a cidade onde foi o evento
o ingresso

A primeira coisa que eu vi logo que entrei foram os estandes da Microsoft e da Nintendo mais ou menos um perto do lado do outro e uma multidão móvel vindo na minha direção pra sugar pra dentro daquele mar de pessoas. Respirei fundo, ajeitei minha mochila nas costas com um movimento de ombro, dei uma meia lua pra frente e apertei o A (?!) e mergulhei na multidão.

Batman – the Brave and the Bold

Esse é um daqueles jogos 2D onde você vai andando da esquerda pra direita socando um monte de gente que vem na sua direção, no final da fase luta contra um inimigo, aí vai pra outra fase. Tinha bilhões de jogos assim na época do SNES e do Mega Drive.

Na demo do evento estavam disponíveis 4 fases, eu joguei duas e em uma delas o companheiro do Batman não era o Robin, era o Lanterna Verde.

Os gráficos são bem legais, parece mesmo um desenho animado em movimento, no trailer dá pra ter uma idéia

Sobre os controles não tem muito o que dizer, a mecânica do jogo é tão simples, não tem o que dar errado. A única diferença é que ele usa o sensor de movimento do Wii para dar alguns golpes e algumas coisas assim.

Esse jogo não vai revolucionar o mundo dos jogos, mas tem grande potencial pra ser bem divertido, que é o que importa no final, especialmente no modo multiplayer. O jogo sai agora em setembro .

Enslaved: Odyssey to the West

É uma sensação ótima quando você não sabe nada de um jogo, passa por perto sem esperar muita coisa, mas acha muito legal o que acaba vendo.

Num futuro apocalíptico onde a civilização se destruiu numa guerra maluca e as máquinas de guerra estão loucas querendo matar todo mundo, você controla um cara e uma mina que estão tentando descobrir o que aconteceu. É um jogo de ação/plataforma, com gráficos bem legais, controles que respondiam bem e foi bem divertido.

Depois, eu pesquisei sobre o jogo e descobri que ele tá sendo produzido pelo mesmo pessoal que fez Heavenly Sword pra PS3 e ganhou um monte de prêmios e com aquele jogo.

Os dois jogos tem ser certa similaridade de gameplay, mas esse parece ter mais ação de plataforma, não sei. Seja lá como for o jogo tá em boas mãos e pelo que eu joguei pode ser bem legal se não acabar sendo repetitivo.

Ele sai em outubro pra PS3 e Xbox 360.

Pausa pra uma curiosidade

Num dos cantos do evento um estande até que bem movimentado chamava atenção não porque mostrava as grandes novidades do que está por vir no fantástico mundo dos jogos, não, respeitável público, não, não.

O que chamava atenção ali eram jogos antigos, clássicos, rodando nos consoles originais. Tinha fila pra jogar Mario Kart no Super Nes e no Nintendo 64, tinha uma galera também jogando Sonic no Master System e algumas outras coisas.

E falando em coisas retro, vamos ao próximo jogo

Sonic the Hedgehog 4

esse cara é que era um verdadeiro fã do Sonic, olha o cabelo dele

Sendo sincero, quando eu vi a apresentação do New Super Mario Bros pra Wii na E3 do ano passado eu achei legal, fiquei empolgado, mas não achei que eu fosse gostar tanto do jogo como acabei gostando depois. Então quando eu vi o vídeo do Sonic 4, fiquei empolgado também, acho que cheguei até a escrever aqui no site. Estou dizendo tudo isso só pra dizer que eu fui jogar esse demo com altas expectativas de que rolasse a mesma coisa, mas…mas… mas… não rolou.

Não me entenda mal, o jogo é bom, é bonito, é rápido é high definition. Mas nas duas fases que eu joguei e nas fases que vi as pessoas jogando na fila eu achei que o jogo era… como posso dizer… ahn… velho. É, velho.

New Super Mario Bros pegou uma maneira antiga de gameplay, da mesma forma que Sonic 4 está fazendo, mas lá foi feito algo novo, algo que acrescentava, que evoluía a fórmula, que trazia ela pros dias de hoje e eu não senti isso nesse jogo.

Talvez eu tivesse com muita expectativa e esse foi o maior problema. No final o jogo foi legal, foi divertido, mas simplesmente não tinha nada de novo ali, e a experiência não ficou comigo depois, algo bem diferente do que aconteceu quando eu joguei o próximo jogo que também é nessa idéia de pegar o retro e atualizar e um outro Sonic, do qual também já vou falar.

E só pra constar, Sonic sai em algum momento do começo do ano que vem pra todos os consoles, menos os portáteis.

Donkey Kong Country: Returns

Os 2 primeiros Donkey Kong pra Super Nes eu joguei muito. Eu tinha o primeiro e meus primos tinham o segundo e era tipo um evento, muitas horas investidas pra pegar tudo, todas as moedas douradas e tudo mais. A terceira edição eu só fui jogar pra valer mesmo recentemente no Virtual Console.

Então de novo, lá fui eu com altas expectativas, mas… dessa vez deu certo! E olha que o cara que jogou comigo era um alemão que tava meio bêbado (hahaha).

O jogo ainda segue aquele esquema de andar até o fim da fase, pegar as letras que estão escondidas pelo caminho pra formar ”KONG”, as bananas, os animais pra montar e tudo mais. Mas aqui, da mesma forma que foi feito em New Super Mario Bros, existe um cuidado pra fazer a experiência soar nova, seja nas mudanças de perspectiva, com barris que te jogam pro “fundo da tela”, no áudio, nos detalhes gráficos e até na jogabilidade. Na imagem abaixo tem um exemplo disso, o pôr do sol mudando o jeito que dá pra ver os personagens.

Os inimigos também receberam uma atualizada, da mesma forma que foi feito com os gombas e com as tartarugas no New Super Mario Bros.

Outra mudança, que inclusive dá até pra ver na imagem acima, é que agora os macacos tem energia e quando um dos personagens morre, se ele tiver vidas ainda, vem um barril voando carregado por uma bexiga que o jogador que tá vivo tem que estourar. Igual o esquema da bolha do New Super Mario Bros.

O jogo sai em 21 de novembro desse ano.

Epic Mickey

Ver esse jogo ao vivo, ouvindo o pessoal da própria Disney explicando os conceitos e as possibilidades que ele tem, dá pra entender porque ele chama “Epic Mickey” e não “Ganhando Dinheiro Fácil com o Mickey”.

 

O jogo tem “duas camadas” digamos assim. Na primeira é um jogo de plataforma e ação, onde você pula, anda, resolve uns quebra-cabeças e tem como ferramenta uma tinta mágica que consegue fazer surgir/desaparecer/transformar elementos do cenário. Tudo isso muito bem feito, respondendo certinho aos comandos e tudo mais.

A segunda camada é como você passa pela jogo. Além da apresentação ser muito bem feita, com muito cuidado na direção de arte e etc, o jogo não é somente uma sucessão de fases. Existe um mundo onde você interage com personagens e a maneira como você faz isso cria experiências diferentes na história e no jogo.

Na demo, por exemplo, você tinha que pegar três máscaras que estavam escondidas pelo cenário para entregá-las para um vendedor. Nesse caso você tinha 3 opções de desfecho:

1 – Pegar as 3 máscaras, tudo certinho, entregar pra ele e tudo bem.
2 – Pegar só 2 máscaras, entrar por trás da loja apagando uma parede, lá dentro roubar uma das duas máscaras que você já tinha dado e aí entregar pra ele, como se a máscara roubada fosse a terceira. Ficava tudo bem, mas o jogo vai “registrando o caráter” do seu personagem e isso poderia ou não causar alguma coisa depois.
3 – Fazer de novo o esquema de pegar só 2 máscaras e entrar por trás da loja, mas dessa vez pra roubar todas as máscaras. Por ter roubado todas as máscaras o vendedor percebia que tinha sido roubado e aí você era obrigado a achar a terceira máscara e por causa desse “incidente” todos os preços da loja seriam mais altos.

E esse é só um exemplo. No próprio demo ainda tinha mais coisas. Pra resumir tem um monte de personagens no mundo e você pode ajudar, ignorar ou sacanear (aeh!), conforme sua vontade e isso gera uma experiência de jogo diferente pra cada jogador, com missões, acontecimentos e tudo mudando conforme suas escolhas.

Pelo que eu vi e pelo que eu ouvi realmente dá pra dizer que estamos diante de uma aventura épica do rato preto orelhudo. Eu gostei bastante.

Epic Mickey sai exclusivamente para o Wii em algum dia ainda não anunciado do último quadrimestre desse ano.

O famigerado “mundo 3D” dos Jogos em 3D

A Sony tinha alguns jogos sendo mostrados rodando em televisores 3D, um deles era o Killzone 3, que não joguei porque esse era um dos jogos que tinha uma fila monstruosa e eu tinha que fazer render meu único dia de visita, como já falei.

O que eu consegui jogar em 3D, usando aqueles óculos beleza, foi uma compilação dos 3 jogos Sly Cooper, lançados originalmente para PS2 e que da mesma forma que foi feito com os dois primeiros God of War, tão sendo lançados em um único disco, em alta definição e, nesse caso, em 3D.

Sem muita enrolação, o efeito 3D é interessante, cria um algo a mais na experiência e tudo mais, mas não é algo que te dá aquele estalo tipo “p*ta que me pariu! Eu tenho que comprar uma porra dessa agora!”. Muito pelo contrário, quando você tira os óculos ou joga depois alguém jogo normal dá até um alívio nos olhos. Não sei se o que incomoda são as cores que ficam menos vivas, ou óculos mesmo que não chega a ser uma máscara de mergulho, mas não é uma coisa que você esquece que tá usando. É uma experiência estranha, que pode até ser divertida, dá pra ver que tem um potencial aí, mas eu não senti que era uma “evolução natural”.

Por outro lado, da mesma forma que tem ocorrido com cinema, onde muitos filmes usam 3D, mas uma fração mínima e ridícula faz mesmo o 3D valer a pena (pelo menos por enquanto), o mesmo deve ocorrer com jogos. Então talvez se eu tivesse ficado 3 horas na fila pra jogar Killzone eu tivesse saído de lá doido pra comprar uma TV 3D… ou não hehehe. Seja lá como for, o ideal seria um 3D sem óculos, em alta definição, com cores legais, que não ferrasse o olho de ninguém e que trouxesse a paz mundial (já que é pra sonhar hahaha).

E o tal do Kinect?

Vi as pessoas jogando, vi que não tinha fila pra maioria dos jogos, mas o que mais me chamou atenção foi a cara das pessoas que estavam jogando.

olha como ele tá se divertindo… ou será que não

Muitas pessoas do mundo dos jogos dizem que um jeito de saber se o seu jogo está legal é ver a cara das pessoas que estão jogando, sem olhar o que elas tão fazendo no jogo, só observando o jogo está causando na pessoa. A cara das pessoas tentando jogar alguns jogos do kinect era de frustração, às vezes até irritação, só vi gente se divertindo mesmo nos jogos de dançar e naquele jogo de descer no rio num barco pegando uns pins.

Testei um jogo de boliche e não funcionou muito bem, por causa de 3 problemas.

O primeiro é que jogar uma bola imaginária contra a televisão não é tão simples quanto parece. Como não tem nada na mão é meio estranho. Quando tem que mexer em menus, apontar aqui e ali, como se tudo aquilo fosse um mouse gigante e caro, é menos estranho do que quando você tem que realizar mesmo algum movimento de um jogo. Acho que isso é uma questão de acostumar, só que é difícil acostumar quando tem acontecendo o segundo problema.

O segundo problema é que o sensor de tempos em tempos ficava loco, não respondia ou respondia totalmente errado. Quando acontecia isso tinha que sair de frente da televisão, dar uns segundos, voltar e aí o sensor voltava a reconhecer, mas pouco tempo depois acontecia dele ficar doido mais uma vez. Eu vi isso acontecer também com outras pessoas, então podemos dizer que talvez seja só algo que ainda está sendo “ajustado” e que até o lançamento do Kinect (em novembro) já estará resolvido. Ou não.

O terceiro problema é que a identidade visual das coisas é muito “não temos identidade visual e somos uma cópia genérica descarada dos jogos casuais do Wii”. Acho que ser similar é aceitável e é inclusive uma ferramenta de mercado que ajuda as pessoas a reconhecerem e se familiarizarem com seu produto. O problema é que quando fica parecendo uma cópia genérica, o carisma vai lá pra baixo. Acho que a Microsoft tem dinheiro pra contratar algum designer capaz de sacar a idéia e fazer algo com uma personalidade própria. Ou será que não?

Falando ainda sobre o Kinect, rolaram uns boatos de que essa versão que vai ser lançada é na verdade uma versão simplificada, pra poder ficar mais barato. Teoricamente a original teria algum tipo de processamento interno ou algo assim, que permitiria mais coisas e é por isso inclusive que o Milo (aquele “menino jogo” do Peter Molinux) morreu.

Eu só espero que a versão que vai ser lançada, traga menos caras de frustração. O conceito do Kinect é bastante interessante e não seria nada legal ver ele ser jogado fora por conta de decisões apressadas e melomaníacas pra fazer tudo correndo, copiando ao invés de criar e entregando um produto final que é muito menos do que poderia ser. E acabei de perceber uma coisa, isso tudo é uma atitude típica da Microsoft mesmo: pressa, cópia, marketing e vamos aí. Espero estar errado.

Filas

Tinha um monte de filas absurdas, Modern Warfare Black Ops, Assassins Creed, Michael Jaskson Experience, Crysis 2, Final Fantasy XIV, Zelda SkyWard Sword e isso só pra citar algumas.

O que as pessoas ficavam fazendo nessas filas que levavam às vezes horas? Muitas jogavam DS, muitas comiam, conversavam, davam um jeito de se distrair. E é legal num ambiente assim onde as pessoas tem o que conversar sem muita dificuldade porque elas tem mesmo interesses em comum.

Além disso, os estandes não eram só povoados pelas pessoas na fila pro jogo. Tinham pessoas só vendo o estande, tirando foto com o Darth Vader, como eu fiz no estande do Star Wars: The Old Republic e coisas assim. Inclusive, falando sobre esse jogo, lá tinha um monte televisores gigantes passando em loop trailers do jogo. E além dos trailers serem bem legais, ver com todas aquelas pessoas que também se empolgavam o trailer e tal, era bem divertido.

Se você ainda não ouviu falar desse jogo, nem viu nenhum dos trailers, aí abaixo tem um, mas no YouTube que tem mais.

Sonic Colors

Sim, mais um Sonic, mas nesse aqui vou tentar ser breve. Joguei, gostei, e pode não ter sido animal, mas foi divertido e não foi velho (aeh!).

Já falei aqui no site outras vezes e continuo dizendo que eu acredito que é possível sim fazer um jogo 3D do Sonic sem ficar inventando um monte de coisas, sem simplesmente deixar a agente correr do começo pro fim das fases. Nada de correr “preso num trilho”, nada de usar uma espada, nada de virar lobisomem, nada de passar a mesma fase mil vezes só que dessa vez mais rápido que uma bolinha branca, ou qualquer coisa assim.

Então, antes de qualquer coisa, não vou mentir, esse jogo tenta também inventar alguma coisa bizarra pra não deixar a fórmula” pura”. Esse “colors” do nome diz respeito a umas criaturas estranhas que você encontra durante as fases e aí pode usar uma habilidade especial que dura alguns segundos.

Felizmente não é nada muito bizarro, e como é rápido acaba servindo como um “tempero” para no ritmo do jogo, pelo menos foi assim nas fases da demo. Só pra dar uma idéia, em uma das fases um dos poderes era de perfurar o chão ou qualquer coisa que tivesse no caminho, você pegava o bicho colorido, usava o poder pra passar daquele ponto e pronto, continuava a correr. Em outra fase o poder era tipo um foguete que te levava lá pra alto.

o Sonic num momento “furadeira” e em perspectiva 2D

Como eu disse o legal era que eram só 10 segundos de bizarrice e o resto do tempo, só o Sonic correndo, pulando e matando uns inimigos aqui e ali, pegando anéis do começo pro final da fase e ainda de vez em quando rolava uma mudança de 3D ora uma perspectiva 2D.

Se o jogo todo for assim, esse pode ser o Sonic que estávamos esperando. E só como provocação, tinha mais gente na fila pra jogar esse jogo do que tinha na fila pra jogar Sonic 4 hehehe.

Sonic Colors sai em Novembro exclusivamente para Wii. Tem também uma versão pra DS que só segue a mesma idéia, mas é toda em 2D e também sai em Novembro.

E foi isso

Sai feliz do Koelnmesse (o nome do centro de convenções onde foi o evento), não só porque na saída ganhei uma latinha de coca-cola de graça e um cupom de 50% de desconto no Burguer King, é que foi mesmo uma experiência muito legal.

Alguns alemães ficaram tirando sarro, achando um absurdo eu ter ido até a bela cidade de Colônia pra ir num evento de jogos de videogame. Enfim, quem gosta de videogame mesmo já tá acostumado com isso e sabe, ainda mais pra gente que mora no Brasil, o quanto vale ir num evento desses, com 250 mil pessoas que entende porque é legal estar lá, com um monte de jogos e tudo mais. Se eu pudesse teria ido mais de um dia.

Se alguém quiser me patrocinar, ou se até lá eu tiver ganhando milhões com meus projetos malucos, ano que vem, certamente estarei lá de novo.

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