Avatar – minha carta pro Sr. Cameron

Como todos vocês sabem eu gosto de idéias malucas, então, ao invés de escrever uma análise normal, que tal escrever uma carta para o James Cameron pra falar do Avatar? É, foi o que eu fiz.

” Olá senhor Cameron, como vão as coisas com você?

Por aqui as coisas estão naquela correria de sempre, sabe como é, ainda não consegui chegar no seu patamar de poder fazer as idéias malucas que eu quiser, mas aos poucos chego lá.

Estou escrevendo pra falar sobre seu filme mais recente, o Avatar. Inclusive que boa sorte você teve por ter escolhido esse nome, bem quando estão fazendo aquela adaptação daquele desenho que tem o mesmo nome, né? hehehe Mas tudo bem, esses projetos ousados que a gente leva anos pra fazer tem sempre esses contratempos do destino que tentam fazer agente pensar duas vezes, ou desistir, ou sei lá o que. Tenho certeza que isso do nome foi muito mais uma piada do que um problema dentro de todas as dificuldades que você deve ter tido para fazer esse filme.

– Como assim a velocidade da internet contratada é diferente da real…?

Indo direto ao ponto, gosto muito dos seus filmes, o único que ainda não vi foi aquele das piranhas voadoras, mas um dia vou ver, pode deixar. Mas com o Avatar não sei direito o que aconteceu, não é que eu não tenha gostado, mas não sai dele da mesma forma que eu me senti ao ver seus últimos filmes. Vou contar melhor como foi.

Quando começou eu fiquei tipo travado na cadeira, observando aquela coisa toda, o 3D, a apresentação do mundo, entrando no clima da coisa mesmo. Achei muito legal aquilo de quem era o cara de onde ele vinha, a chegada dele em Pandora e tudo mais. Estava divertido, estava empolgante, ele pegando ao avatar, lutando com os bichos, ele chegando na tribo. Aí de repente quando começa aquela parte dele aprender as coisas da tribo o filme começou a me cansar. É, desculpa inclusive dizer assim sem meias palavras, mas começou a me cansar mesmo.

Só voltei a me sentir conectado com a história quando vieram lá pra derrubar a árvore gigante, mas foi uma conexão já diferente, uma conexão que agente faz porque está vendo algo grande sendo destruído e não mais uma conexão ligada a história do filme e o destino dos seus personagens. Mas apesar disso, achei que aí o filme deu uma mudada pra melhor no ritmo e na fotografia.

– Chefe, e se agente deixasse pra atacar depois da novela?

E por falar na fotografia, antes de eu continuar, cara, parabéns pela identidade visual desse filme. Aquele mundo, aquelas plantas, as naves, os detalhes de partes do corpo dos animais criando uma fauna que conversa entre si, como se fosse tivesse uma lógica evolutiva e tudo mais, achei tudo sensacional. Parabéns mesmo, sério. É um mundo bastante vivo, dá pra acreditar que ele existe. Inclusive, a mitologia criada é também muito legal, aquilo das conexões, do espírito mãe e tudo mais. Enfim, mesmo pra alguém que já jogou Final Fantasy VII, todo o conceito base do universo de onde se passa a história é muito legal.

Continuando, apesar desse ritmo novo a conexão só volta mesmo na sequência final, que é sim, muito bem montada, muito interessante e tudo mais, mas me desculpe mais uma vez, não acho que dá pra dizer que é a sequência mais empolgante dos últimos anos. Tecnicamente ela é incrível, mas como cena, ela é apenas boa. Por favor, não me leve a mal, eu não estou dizendo isso como alguém que esteja cobrando de você “porra, você é o James Cameron, você tem que revolucionar o universo do cinema com cada peido que você dá!”, não, eu estou analisando do ponto de vista da diversão mesmo, do quanto aquilo me prendeu ou me entreteu. Ainda falando sobre essa parte do final, a sequência da luta do Jake no chão com o robô sozinha é mais legal que a seqüência toda.

Acho que você mais deve ter ouvido muitos comentários sobre o CG e essa evolução que você quis dar com esse filme. Eu tenho um pouco de pé atrás com essas coisas porque não me sai da cabeça o dia que eu fui ver Matrix Reloaded e aquela cena do Neo lutando com aquele monte de agentes Smith naquela quadra depois de falar com a oráculo, sabe? No cinema era mó super uau, mas depois quando eu vi em casa, dá pra ver bem quando tudo vira um mundo CG. Não acho que vai ser assim com Avatar, primeiro porque eu conheço seu perfeccionismo e o quanto você esperou pra fazer esse filme do jeito que você queria e o quanto o CG era importante, segundo porque é visível nas expressões dos personagens, em como eles se movem e na interação deles com o ambiente que houve uma evolução.

No geral, cara, acho que esse filme me impressiona pelo mundo que você criou mesmo. É um mundo muito rico, não acho que chega a ser uma coisa tão grande quanto Star Wars, mas com certeza é uma mitologia tão grande quanto uma outra que é sua mesmo, a da série Exterminador do Futuro.

– Spartaaaaaaaaaaaaaaaa!

Acho que um mundo mega legal, super bonito, com personagens carismáticos e tudo mais são elementos muito importantes pra se fazer um grande filme. Mas o que faz o filme mesmo é a conexão que ele cria com as pessoas que assistem, a maneira como somos levados mesmo pela história, como passamos a nos importar com os destinos daquelas pessoas, ficando tristes com os fracassos delas e comemorando suas conquistas. Esse ano teve aquele filme do J.J. Abrams, o Star Trek, que é um mega exemplo de história idiota, que não faz sentido, mas que consegue ser muito divertida por causa da maneira que é conduzida. Acho que o meu problema com esse filme foi mesmo na maneira de contar a história mesmo.

Bom, cara, acho que isso é tudo, sei como você é ocupado. Só quero deixar claro que o filme não é ruim, que ele tecnicamente é perfeito, mas como cinema, eu senti que faltou alguma coisa pra que eu pudesse mesmo me importar com os Na’vi ou acreditar na história de amor dos dois lá com aquela frase do “Eu vejo você, você me vê” e todo o resto.

Continue trabalhando, você cria coisas realmente únicas e incríveis, mas, por favor, não esqueça que elas não são só universos, elas são filmes, afinal você á um cineasta.

Abraços de um grande fã e até outra vez. “

– E aí doutura?
– Esse putinho é todo cheio de ideiazinhas, provavelmente não mamou quando era criança
– Eu achei legal
– Ainda bem que ele não fez crítica do Velozes e Furiosos

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