Lua Nova – bla bla bla um monte de coisas

Ver um ator como Robert Pattinson andando enquanto um vento falso faz sua camiseta voar ou observar a velocidade com que uma camiseta pode ser removida pra estancar um corte na testa, ou mesmo como ela pode ser simplesmente dispensada do vestuário, não é o problema desse filme. O maior problema desse filme é a história em si que é quase um atentado contra a inteligência das pessoas. Mas será que isso é um problema mesmo? Ou melhor, será que esse filme é tão culpado mesmo? Olha só eu colocando perguntinhas no parágrafo de introdução pra ficar interessante.

Continuando, esperei pra falar sobre esse filme porque acho mais legal falar sobre algo que todos viram, dando pensamentos a respeito, ao invés de sair correndo e escrever uma crítica sobre algo que ninguém ainda viu. Qualquer site de cinema pode fazer isso e eu não quero fazer algo que qualquer um pode fazer. Pois é, rumo à dominação mundial hehehe.

Sendo assim, agora posso falar o que eu quiser sem medo de revelar nada. Inclusive, se você não viu o filme e não quer que eu estrague a sua diversão, não continue a ler, vai lá, assiste, se diverte, mas volta pra ler o resto, ok?

Aquele resumão beleza
A história toda começa quando o Sr “vampiro com cara de eu sei que eu tô atuando” (aka Edward) resolver ir embora da vida da menina com cara de pé de alface (ou Bella) antes que seja responsável pela morte dela. Ele chega a essa conclusão depois de empurrá-la na parede como se ela fosse um pacote de merda depois do “vampiro da família ainda não treinado” ter perdido o controle quando a queridinha corta o dedo. O amor do Sr vampiro era tão grande, tão uau, tão “meu deus, como eu amo” que a coisa toda pode ser resumida assim “vou sair fora porque sou um babaca do caralho que agiu como idiota e seu agir assim de novo pode ser que eu mate você com a minha força de brutamontes vampiro e meu cérebro de feijão”, porque como todos sabemos da próxima vez que der uma merda dessa é só usar a cabeça e não empurrar a menina, né? Mas tudo bem, continuemos.

– er… cabaço, olha que se fez…
– Porra, taca a mãe agora. Eu que não vou limpar essa merda

Aí o vampirão se manda com a família dele dando como desculpa uma historia de que estão desconfiando que o “papai” da família que é médico na cidade não envelhece. Porra, que historinha, heim? Ele não envelhecer é o de menos, pela cara dele você sabe que tem algo errado, sério, que porcaria de maquiagem é aquela? Mas beleza, ok, voltemos ao drama do cara de 110 anos que ao invés de ficar de boa em casa ou tentar viver uma vida mais construtiva, gosta de ir pra escola se interessar por meninas alfaces que tem quase 10 vezes menos vivência que ele. Assim que ele se manda a menina alface fica no maior sofrimento do caralho, olhando pela janela a câmera rodando e os meses aparecendo escrito na tela enquanto uma musiquinha indie semi depressiva toca. É, o cara leva ela pra dar uma volta, fala que vai embora e se manda, e a besta quadrada não sabe nem argumentar, nem perguntar porque ele se vai e ainda acreditar na atuação do Robert Pattinson dizendo “eu não te gosto blá blá blá” com aquela cara habitual de “eu sei que estou atuando”.

– De boa, véi… o problema sou eu, firmão…?

Aí, a menina sem vida, sem ação, sem argumentação e com carisma duvidoso resolve que quer ser motoqueira, que quer realizar atividades onde arrisca sua vida e começa a dar mole pro cara índio que parecia um cara do metal, mas que de repente revela 2 fatos sobrenaturais a seu respeito. O primeiro é que ele tem 16 anos (É! Pois é!) o segundo é que ele é um lobisomem da espécie sem camisa. Aí fica uma melação foda do lobisomem querendo o amor da menina alface e um mistério idiota que mostra que um cara que parecia ser um lobo malvado que joga os colegas de precipícios pra cair no rio lá em baixo na verdade era o senhor gente fina protetor da região contra vampiros malvados do outro filme que aparecem da mesma forma sem sentido que todo o resto dos outros personagens.

Quando finalmente parece que a menina pé de alface vai ficar com o lobo sem camisa, ficamos sabendo que o vampiro sem cérebro resolveu que vai se matar, porque devido a um pequeno mal entendido acha que a queridinha se matou. Num piscar de olhos a menina alface larga o pobre lobo e está na Itália com a irmã visionária do vampiro suicida que foi lá ver se ela tinha morrido mesmo (tá vendo? Ela é mais espera que o Edward). Ela chega numa cidade misteriosa onde mora a família real vampiresca, bem a tempo de impedir que o vampiro mirradinho que teve mais de 100 anos de vida pra ficar bombado igual ao lobo que só com 16 já conseguiu, fizesse merda.

Antes de poder voltar com seu lindo pra casa, entra em cena mais um conflito sem sentido. Na hora que os caras bizarros da família real viram a menina alface, é claro que quiseram conhecê-la, como toda criatura bizarra que cruza o caminho dela ( : D ). Aí rola uma lutinha, uma discussão sem sentido de que “temos que matá-la porque ela é uma humana que sabe demais sobre nós vampiros” e no final todos se salvam por causa de uma visãozinha horrível do futuro feita pela vampira visionária que mostrava a menina alface correndo com o vampiro mirradinho, os dois como vampiros brilhando no sol, igual o Ronaldo no Corinthians. E aí, muito lógica, deixam ela ir embora com a promessa de que no futuro (sabe-se lá quando) ela vai deixar de ser uma humana que sabe demais pra ser uma vampira que sabe demais.

Eles voltam pra cidade deles e rola um encontro do lobo sem camista, o alface e o vampirão. O lobo que ainda estava na esperança de alguma coisa é obrigado a ouvir a queridinha falar que sempre gostou daquela merda de vampiro. Em outras palavras, a filha da puta só tava brincando com os sentimentos dele o filme inteiro. Aí o filme acaba com a promessa de que ela vai virar vampira quando terminar o colegial e o vampiro e a sua família de vampiros voltam a morar na cidade como se nada tivesse acontecido. Lindo, né?

– Porque não?
– Porque no fundo eu sei que você tem um lado cachorro…

Declarações Finais e Importantes
Não quero discutir a questão fã service e aspectos de visual e estilo e o que as pessoas vêem tanto no cara que faz o vampiro ou no cara que faz o lobo. As mulheres gostam, elas estão felizes, uhu, viva, isso acaba sendo o de menos porque no final toda forma de entretenimento tem que entreter (?!). É claro que eu acho que tem saber fazer esse tipo de coisa e eu realmente não acho que esse filme sabe fazer isso forma sutil. Em muitos momentos que não deveria dar vontade de rir, dá.

Pelas minhas singelas palavras utilizadas para contar o resumo da história acho que deu pra ter uma noção dos problemas que a história em si tem e como eu já disse lá no começo esse é meu maior problema com esse filme (na minha opinião, claro). O que faz todos esses caras que são legais se apaixonarem pela menina? O que ela tem de especial? Porque todos se apaixonam por ela apenas olhando pra ela e já gostam dela antes mesmo de conhecê-la? É macumba? Essas são perguntas importantes, mas tenho outras mais sérias, olha só o próximo parágrafo.

É mesmo aceitável deixar que uma geração de meninas cresça achando que elas não precisam ter nada de especial para que meninos com qualidades fantásticas se interessem por elas? É mesmo aceitável que uma geração de meninas ache que é certo não ter ação nenhuma e ficar tentando praticar atos de quase suicídio ou chorando no quarto por meses porque um cara covarde e idiota que não sabe conversar dá um pé na bunda dela? É mesmo aceitável saber que alguém gosta de você e se deixar levar pelo conforto desse sentimento sabendo desde o começo que você nunca vai retribuir? É mesmo aceitável deixar que as pessoas acreditem que sentimentos são coisas mágicas que se constroem sem a participação direta das ações e medos delas?

Eu não acho que as histórias tem que ser mega profundas e blá blá blá, mas não acho que elas possam ser irresponsáveis naquilo que passam como certo pras pessoas ou que elas possam ser ilógicas por uma decisão de quem escreve a história.

Geralmente quando alguém aparece com uma história assim naturalmente as pessoas rejeitam isso e não engolem mesmo. Porque aqui as pessoas aceitam? Eu tenho uma teoria de que tem a ver com essa mística em torno do amor incondicional, da imagem de príncipe que sempre está lá, mas que esteve bastante escondida nos últimos anos no consciente coletivo das pessoas.

Não importa se a história é ilógica. Não importa se a Bella e o Edward não fazem sentido como um casal, não importa se não tem mesmo um enredo redondinho e tudo mais. Importa é que no final eles ficam juntos e de certa forma é isso o que as pessoas mais precisam hoje em dia. Uma história, um exemplo, que mostre pra eles que aquela história de “uhu vamos curtir e pegar vários, galere” não é que o realiza de fato ninguém. E essa coisa da Bella ser um personagem que é uma menina comum sem nada especial também ajuda nisso, ajuda nas pessoas se sentirem parte daquilo, sentirem que elas também poderiam ser a Bella. No fundo, no fundo mesmo, as pessoas querem um alguém com o qual não se sintam sozinhos. E acho que isso tem a ver inclusive com o sucesso que a historia consegue fazer com mulheres mais velhas, já mães e tudo mais.

Por causa disso, apesar de eu ter tirado sarro do filme com um monte de coisas, acredito que se a história motivar as pessoas a buscarem um amor pra elas e não uma coisa covarde do tipo “uma curtição sem compromisso e desafios”, ou ajudar elas a se sentirem melhor diante das coisas que elas querem pra vida ou com quem elas são, acho aceitável tudo isso. Como cinema, como história, como arte, como atuações brilhantes, o filme é ruim, é só passável, mas acho que isso não é um problema. Mas é claro que eu ficaria mais feliz se fizessem tudo isso, que passassem toda essa mensagem com uma história artística e coerente, mas tudo ok, vai, quem sabe isso não serve de porta pra alguma coisa?

– Eu não concordo com esse idiota…
– Olha, eu até que gostei
– Eu nem li, achei que ele escreveu demais…

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