Peter Pan

Alguns nomes em alguns idiomas podem servir tanto para homens quanto para mulheres. Em inglês, por exemplo, o nome Wendy, até que a história de Peter Pan surgisse era predominantemente um nome masculino. Essa é uma das coisas que um livro pode fazer, mas Peter Pan, em sua época fez mais do que criar um geração de meninas Wendy. Ainda hoje, ler o texto original de Peter Pan mostra porque o personagem ainda vive.

Não sei se essa foi a primeira história infantil que era também relevante para adultos, mas sei que um personagem que não quer nunca crescer e se tornar um adulto atinge muito mais um adulto do que uma criança, afinal de contas um adulto sabe o que é ser um adulto e sabe como foi ser uma criança, já a criança só sabe metade da história e no final não entende o que uma coisa ou outra quer dizer. Sendo assim, a primeira coisa que percebemos ao ler essa história é existem duas formas de se olhar pra ela, como um adulto e como uma criança.

Para as crianças o que vale é a fantasia e as aventuras, piratas, crocodilhos, indíos, sereias, lutas com espada, pessoas que voam e fazem coisas fantásticas e se fossemos querer considerar o livro apenas por isso já seria o bastante para que ele fosse alguma coisa em alguma lista de livros infantis que as pessoas adoram fazer.

Para os adultos o livro mostra uma imagem de como o tempo passa e de como as coisas mudam, de como com o tempo esquecemos de certas coisas e passamos a nos importar com outras nem tanto importantes. Acho que o mérito maior é que Peter Pan consegue ser uma daquelas histórias que agente escuta quando é criança e guarda pelas coisas de criança que ela tinha, mas a medida que vamos crescendo e a história permanece em nossa memória começamos a lembrar dela e entender aquelas partes que não entendíamos e de repente temos uma visão totalmente diferente do que aquela história foi.

Pra quem nunca teve curiosidade de ler o texto original, não é difícil encontrar, já que ele é publicado até hoje. Por mais que seja um livro publicado em 1911 (tendo sido primeiro uma peça lançada em 1904) possui uma linguagem moderna e um estilo de escrita diferente onde o narrador sabe que aquilo é uma história e conversa com o leitor conforme vai contando tudo. O tom do livro acaba tombando para algo mais surreal do que fantasioso e apesar de ser bom, para os dias de hoje não tem um impacto tão grande, já que hoje esse estilo e esses universos grandiosos não são uma novidade e às vezes pode ser cansativo.

Em 2006 foi publicado o livro Peter Pan Escarlate que é tido como uma sequência oficial da história. Na verdade o aconteceu foi que o hospital infantil “Great Ormmond Street” que ganhou os direitos do original doados pelo autor, realizou um concurso para criar uma continuação da história já que em 2007 esses direitos se encerraram, o que quer dizer que Peter Pan hoje é de domínio público, enquanto que os direitos dessa continuação oficial não, de modo que podem continuar a ajudar a sustentar o hospital. Há quem diga que apesar de ser bom, esse novo livro, escrito por Geraldine McCaughrean mas não se iguala ao original, preciosismo de gente chata que só valoriza o trabalho de quem já morrei ou não, particulamente não li, então não sei, mas parece interessante.


O autor Sir James Matthew Barrie, nascido em 9 de maio de 1860, em
Kirriemuir, foi também jornalista, e escreveu um monte de outros livros e peças.
Naquela época os bigodes eram muito importantes.

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