Eu sou o Mensageiro

Existem um monte de maneiras de se escrever um livro e dependendo da maneira que o escritor escolher, seu livro vai ser julgado, pré-julgado, chutado ou aclamado, independente da história. Além da maneira “normal” que é aquela daqueles livros da escola, temos livros surrealistas, livros que parecem filmes, livros que parecem poemas e muitos outros. Markus Zusak é um desses escritores que não escreve de maneira convencional. Não que seja assim uma grande revolução, mas a maneira que as palavras aparecem nas páginas dão o tom da história que “Eu sou o mensageiro” conta, e por não seguir o padrão normal de escrita algumas pessoas podem virar a cara. Aqueles que não se importarem com isso vão encontrar uma história sem pretenção, um texto simples e direto, dinâmico, verdadeiro e original.

O livro conta a história de Ed Kennedy, um cara de 19 anos que não sabe ao certo qual é seu papel na vida. Eis que então ele começa a receber mensagens misteriosas sobre locais e pessoas as quais ele deve encontrar. E em cada uma dessas “missões” ele deve aprender alguma coisa seja sobre si mesmo, sobre as outras pessoas ou sobre vida. Paralelo a isso somos apresentados aos amigos dele, a garota por quem ele é apaixonado e ao seu cachorro (que é um dos personagens mais legais do livro). Todas essas coisas que ele vai aprender vão mudar sua vida e a vida das pessaos a sua volta até que finalmente ele descubra quem é que lhe mandou essas “missões” e porque.

A verdade é que tudo isso poderia ficar um saco se não fosse contado da maneira que é. O estilo de escrita do autor segue um fluxo de pensamento, assim o livro acaba não sendo um desses livros que exije que você “se concentre” pra ler. O ritmo é rápido, pontuado por díalogos e personagens que tem uma profundidade que fica escondida por trás das coisas que eles dizem.

Além do humor sútil e irônico presente durante todo o livro, existe também filosofia aqui e ali, mas construída e desenrolada de tal modo que não parece que os personagens estão filosofando, e sim que eles estão apenas conversando sobre as coisas e se perguntando o porque delas. Um filósofo poderia dizer que perguntar o porque das coisas e filosofar é a mesma coisa, mas quando falamos de um livro não é bem assim. Por algum motivo os escritores acham que pra falar de filosofia precisam criar frases complexas com inversões de período e mil e uma referências a um monte de coisas. Esse livro não.

Uma característica interessante é que a maneira que o texto se distribui nas páginas. De certo modo lembra alguém desenhando com areia. É como se tivessemos um monte de areia dentro de uma mão fechada e fossemos abrindo só um pouco pra cair só um pouco de areia em algumas partes, em outras abrimos mais e aí cai mais areia. Isso quer dizer, por exemplo, que alguns parágrafos têm apenas uma frase ou até só uma palavra.

Algo importante numa história de auto-conhecimento é saber se a maneira que a história se desenvolve e como os personagens evoluem é convincente. Felizmente, na maioria do tempo sim, mas é possível perceber uma certa falta de coesão na maneira que certas coisas são tratadas, como de repente tudo fica fácil. Outra crítica, que na verdade não é bem uma crítica, é que apesar de carismáticos, nem sempre os personagens parecem reais, e não que eles tenha que ser, é uma história, é um livro. O autor pode e deve fazer o que quiser com eles. Além disso, o final do livro de certo modo justifica esses fatos e independente deles o livro é bom o bastante pra se sustentar como uma leitura recomendada.

Antes que eu me esqueça, apenas para constar, “Eu sou o mensageiro” foi o primeiro livro do autor a ser publicado internacionalmente. O maior sucesso dele, no entanto, foi o livro que veio depois, A menina que roubava Livros“.


o autor, Markus Zusak, nascido em 1º de janeiro de
1975 em Sydmey, na Austrália


Eu sou o mensageiro” não é o melhor livro do mundo, provavelmente não é também o mais original, mas é bom, é relevante e é verdadeiro. Se você gosta de histórias de auto-descobrimento ou gostou de livros como “O apanhador no campo de centeio” é bem provavel que você goste desse. Mas se você é o tipo de pessoa que prefere uma narrativa mais clássica talvez esse livro não seja pra você.

2 Comments on “Eu sou o Mensageiro

  1. ESSE LIVRO É SENSACIONAL. NÃO É UM CLASSICO, MAS SUA HISTÓRIA É BOA E OBJETIVA, SEM ENROLAÇÕES. GOSTEI MUITO E RECOMENDEI A VARIOS AMIGOS QUE TAMBÉM GOSTARAM. NÃO SOU MUITO FÃ DE LEITURA, MAS ESSE ME PRENDEU DO INICIO AO FIM… DEI MUITAS GARGALHADAS COM O ED KENNEDY E SEU CAGASSO KKKK…. SEM CONTAR QUE O PORTEIRO SE PARECE COM MEU BICHINHO DE ESTIMAÇÃO… VELHO E VICIADO EM CAFÉ…KKKK

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