Aula de História


Eu não sei se felizmente ou infelizmente, mas nós não vivemos para sempre. Nosso tempo de vida é muito curto comparado com o tempo de vida do nosso planeta. Nós não realizamos toda a História da humanidade. Vivemos o resultado dela e teoricamente contribuimos com uma pequena parte da história que se forma a cada dia. Não vimos todos os fatos históricos, mas aprendemos na escola como é que as pessoas saíram das cavernas e foram parar nos apartamentos. Ou pelo menos achamos que aprendemos.

O papel é um dos caras mais submissos e fofoqueiros do mundo. Você pode escrever o que quiser nele, ele não se importa, tudo ele aceita, tudo ele guarda e tudo ele conta para próxima pessoa que o olhar, do jeito que você registrou, ele não dá opinião, nem acrescenta a visão dele. Podemos então falar sobre acontecimentos colocando um monte de detalhes para fazer parecer ao máximo que tudo que estamos inventando aconteceu. Se anos depois da nossa morte, acharem o que escrevemos, talvez não possam saber se o que escrevemos aconteceu mesmo ou se era só uma história.

A maioria dos fatos históricos que supostamente tem evidências escritas, chegaram pra nós dessa forma. O autor do texto morreu há muito tempo e simplesmente não é possível saber se o que ele escreveu aconteceu mesmo, ou era uma história, ou um misto de verdade com mentira, ou qualquer outra coisa. As intenções das pessoas que contam as histórias se perdem no tempo.

Nós sabemos que toda história é importante, pois a criatura humana mamífera pensante precisa de um propósito, de uma razão, de um entendimento do seu papel. Ele tem a necessidade de saber quem é e de onde veio. Esse conhecimento influencia naquilo que ele irá acreditar, fazer ou se sentirá capaz de fazer. “Se meu pai era bom nisso, então eu também posso ser”, “aquele povo é ruim” e etc.

Então, se um grupo de indivíduos quisesse, eles poderiam criar um passado histórico, um passado que fizesse uma população agir e acreditar em coisas que seriam do interesse de alguém? Sim, eles poderiam.

A história é contada, não é vivida. E ela nós é contada pelo que está nos papéis, em livros e documentos. Como já sabemos que o papel aceita qualquer coisa, se quisermos escrever que Napoleão ia pra guerra vestido de ursinho, nós podemos, podemos inclusive falsificar “pinturas históricas” de pintores que sejam contemporâneos a ele retratando esse seu traje másculo, já que ninguém também viveu na época dessas pintores pra saber se eles pintaram ou não o tal quadro. Na verdade, se quiséssemos, seria possível até inventar um pintor, ou vários deles, todo um movimento artístico. Poderíamos criar episódios, filhos que nasceram e morreram e o que mais quiséssemos, afinal toda a informação, toda a fonte de pesquisa seria dada por nós.


qual dos dois quadros é o verdadeiro? Existe algum verdadeiro?

Se tivessemos meios de controlar o que é colocado no papel, de plantar evidências ou de anunciar a descoberta de evidências que não sejam necessáriamente verdadeiras, o que nos impediria de fazer isso?

A História é sempre contada pelos vencedores. O lado que ganhou a guerra, que fez a revolução, que tomou o poder da mão do dono do poder anterior, são eles que vão publicar os livros, são eles que vão criar uma nova realidade se quiserem, um novo passado e uma nova origem pra um novo povo que vai estar totalmente dispostos a seguir com as suas supostas tradições.

A realidade é que nós não podemos acreditar com absoluta certeza que existiu um Julio César, mesmo que existam as ruinas de Roma, na verdade, não podemos nem acreditar nas próprias ruínas. Não podemos também ter certeza que fomos mesmo descobertos por portugueses, 500 anos atrás. Não podemos também acreditar em história sobre a origem do homem, afinal nós não achamos o esqueleto primitivo, nós não fizemos o teste pra ver sua idade, nós apenas ouvimos tudo isso, lemos essa história, esses resultados, num papel. Pode ser verdade, ou pode ser algo diferente.

Quando estudamos História a melhor forma de saber a verdade dos fatos é sempre conversar com quem viveu os fatos e só quer te dizer o que aconteceu. Acabamos acreditando no que está escrito muito mais porque os livros, as novelas, os filmes, as séries e etc dizem do que porque realmente entendemos a ordem cronológica e lógica do desenvolvimento da nossa sociedade ao longo dos tempos. Estudar História, mesmo em tempos de internet, acaba sendo um processo lógico, estratégico e altamente influenciado pela cultura, intenção e índole de quem estuda e de quem conta. As coisas podem ter acontecido exatamente daquela forma que ouvimos, mas nada impede que elas não tenham acontecido, e essa é pode ser a base fundamental de uma aula de História.

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