A televisão e sono

Quando alguém convida outra pessoa pra fazer alguma coisa que essa outra pessoa acha chata, é bem possível que ela não aceite o convite, ou que pelo menos invente uma desculpa para não ter que comparecer ao chamado. Já quando existe a possibilidade de perder o seu precioso tempo com algo que ela considera legal, pode haver frio, sono, chuva, maldições milenares, o que for, é bem provável que ela aceite.

Você, em toda a sua saga existêncial, já teve algumas noites mal dormidas, então, você sabe que ter que passar o dia com sono não é muito bom. A cabeça não funciona direito, as idéias têm dificuldade para fluir, temos problemas de atenção, de concentração e a preguiça cresce forte em nós. É fácil cair no sono a qualquer chance de conforto, silêncio, leitura e etc. Num dia assim, fazer coisas simples como pegar do chão o papel que você jogou no lixo e errou por alguns centímetros, parece o fim do mundo.

Se fossemos presidentes, ou imperadores, ou líderes populistas, ou sei lá, sindicos de prédio e fossemos também megalomaníacos, iríamos querer manipular as regras do poder para o nosso próprio bem. O problema é que as pessoas em geral não costumam achar muito bom quando alguém passa elas pra trás ou faz elas de idiotas, ou seja, cedo ou tarde iriam perceber nossas atividades de pouca ética, iriam se unir e pronto, nosso reino de luxúria estaria, infelizmente, desfeito. Precisamos então de um jeito de deixar as pessoas desatentas ao que estamos fazendo e dificultar qualquer atividade que não nos interesse.

Como líderes do governo, se tivéssemos o controle das concessões de emissoras de televisão, por exemplo, poderíamos gentilmente pedir para elas que a programação fosse montada de modo que os programas mais interessantes, ou pelo menos aqueles que teriam a imagem de serem mais interessantes, sendo “interessante” aquilo que trará mais audiência, passassem em horários depois das dez da noite.

Um programa desses que começa as dez horas deve no mínimo terminar as onze, lembrando que coisas como Big Brother, e filmes, costumam acabar depois da meia-noite. Por um mistério da natureza as pessoas não dormem instantâneamente, então até a pessoa estar efetivamente dormindo já é ainda mais tarde do que a hora que o programa terminar. Como a maioria das pessoas acorda por volta das seis da manhã para as atividades do dia, são dormidas em média 6 horas por dia. O recomendado para que o cérebro descanse totalmente é de em média 8 horas. Lembrando que é durante um sono de 8 horas que o cérebro vai realmente processar as informações que absorveu durante o dia, descansar o corpo e tudo mais. A conclusão disso é que, com esse nosso acordo, as pessoas comuns dormíriam a cada dia cerca de 2 horas a menos do que deveriam, pelo menos de segunda a sexta.

Essas duas horas a menos de sono por dia iriam se acumular durante a semana, provocando um efeito avalanche até o fim de semana (o que poderia explicar os números de acidentes de trânsito nas sextas-feiras no nosso reino imaginário).

As pessoas sempre cansadas, daquele jeito que falamos lá em cima, terão dificuldade pra estudar, pra criar, se desenvolver, ou pra desenpenhar qualquer atividade que dependa de um estímulo interior. Poderíamos usar esse artifício como elemento importante em nosso exercício de controlar a massa conforme nossos interesses. Desse modo muito simples poderíamos continuar com nossas ações de cunho duvidoso sem qualquer preocupação ao colocarmos a cabeça no travesseiro a noite.

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