Juno

Lembra aquela história do alfaiate que precisava fazer uma roupa para o rei e aí quando aparece para mostrar a roupa não leva nada dizendo que a roupa é feita com um tecido especial, um tecido que só as pessoas inteligentes podem ver? Na história, como ninguém quer ser burro, todo mundo diz que está vendo a roupa, que ela é linda e tudo mais, quando na verdade não tem nada ali, era só um truque, uma jogada com a suposta inteligência dos outros. Juno é um filme assim.

Por precaução, eu costumo duvidar de tudo que é unânime até que se prove o contrário. Eu ouvi muita coisa sobre esse filme, até que era o novo “Little Miss Sunshine“, inclusive, se você tiver a chance veja esse, esse não é feito com tecido que “só-os-inteligentes-podem-ver”, vai valer a pena.

Sentei, comecei a ver. Comecei a perceber que tinha algo errado. Institivamente comecei a sentir vontade de ir embora logo nos primeiros minutos. Me forcei, fiquei um pouco mais, gosto de dar uma chance as coisas. Não aguentei. Vi o suficiente. Saí e senti alívio ao sair. Tinha um rei pelado lá dentro e aparentemente ninguém percebia.

Os problemas do filme vão desde um roteiro pseudo inteligente, que tenta parecer ser alguma coisa, sem de fato ser, se baseando em frases de efeito sem profundidade. Já os personagens não tem evolução coerente, não parecem ser eles mesmos que dizem as próprias falas, se levarmos em conta suas próprias ações durante o filme. Além disso a edição extremamente repetitiva, com esses “incríveis” díalogos sendo disparados em velocidade, como se tivessem vergonha de si mesmo e quisessem passar rápido, são a cada 5 minutos interrompidas por uma canção indie genérica, dessas compostas por 3 notas de violão e uma voz de quem acabou de acordar, falando sobre como tudo é “mó barra”, e ao fundo temos uma tomada em movimento.

Acabei vendo o final depois, já que pra poder escrever aqui era bom saber se no final o rei mostrava que estava pelado, mas não mostra. A história enverada por mais elementos “mó barra”, ainda mais incoerentes, tornando a coisa um dramalhão desnecessário. E o que mais me decpciona é esse filme ter sido indicado para Oscar de melhor filme, melhor direção e melhor atriz e ainda ter vencido o de melhor roteiro original. Cada vez mais parece que hoje em dia é muito melhor você parecer ser do que realmente ser.

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