Idiocracy

Filmes de comédia inteligentes não costumam fazer sucesso hoje em dia, não sei se é porque as pessoas talvez não gostem de pensar muito ou ficar reparando em ironias, detalhes e tiradinhas rápidas, ou se é porque esses filmes tem azar. Um enorme azar. Seja como for, Idiocracy, a última empreitada cinematográfica do criador de Beavis e Butt-head, Mike Judge é mais uma dessas comédias.


Sr. Mike Judge, o poster do cinema e a capa do DVD

O filme tem uma pegada que lembra o “Guia do Mochileiro da Galáxia”, com uma narração um tanto irônica que nos ajuda a acompanhar a história. Segundo ela, os humanos ficaram espertos porque pra sobreviver tinham que fugir de feras e tempestades e tudo mais, e para sobreviver a essas coisas era necessário ser inteligente, para bolar planos mirabolantes, abrigos, armas e tudo mais. Ou seja, nesses primórdios da humanidade somente as pessoas mais inteligentes conseguiam se reproduzir, o que acabou tornando a espécie mais inteligente a cada geração, até chegarmos nos dias de hoje, quando as coisas mudam.

Segundo a história, atualmente as pessoas menos inteligentes têm mais filhos que as inteligentes. Seja porque as inteligentes usam camisinha, ou porque planejam mais ter um filho, além é claro do estereótipo “pessoa-que-passa-a-vida-toda-estudando-e-não-constitui-família”. O resultado é que a espécie tende a ficar mais burra a cada geração, com crianças que tem uma tendência genética, somada a uma maneira de criação e assimilação de valores.

O enredo nos apresenta um homem e uma mulher que foram escolhidos para uma experiência militar de congelamento temporário, aquela coisa de congelar a pessoa e descongelar depois de um tempo e ela continuar viva, lembra daquele filme do Stallone? Então, aquele esquema. Eis então que coisas acontecem e eles não acordam 1 ano depois conforme o esperado, mais 500 anos depois, numa sociedade do futuro que sofreu esse “emburrecimento”. Essas duas pessoas que tinham sido escolhidos por representarem o cidadão mediano de sua época acordam agora num mundo onde eles são os maiores gênios vivos.

Houveram sérios problemas de lançamento, não foi feito nem sequer um trailer, nenhum comercial, nem mesmo uma seção para a crítica especializada. A estréia ocorreu em pouquissímas salas, no Brasil, inclusive foi direto para DVD. Tendo em vista a crítica pesada que o filme faz a sociedade, empresas, canais de televisão e governo americanos, surgiram um monte de teorias sobre o que teria “sabotado” o sucesso do filme. Tem teorias que falam até que foi tudo armação pra tornar o filme cult.

No geral, Idiocracy consegue ser divertido. Como eu já disse, é uma daquelas comédias que tentam ganhar pela inteligência no roteiro que em alguns momentos é realmente bom, mas nesse caso não chega a ser brilhante. A impressão que se tem é que se poderia ter extraído algo mais de uma premissa tão boa. Ainda assim vale a pena dar uma conferida. E não se surpreenda se achar que o mundo que o filme mostra pode muito bem ser real em menos de 500 anos, o programa do cara que fica levando porrada no saco que o diga (veja esse vídeo).

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