A Febre dos Remakes

Ter uma boa idéia não é assim tão simples, ainda mais quando quem decide se ela é boa mesmo são os outros e não seu autor. Existe aí uma armadilha de se achar que uma boa idéia é simplesmente satisfazer o que as pessoas querem, o que é um problema porque se fizermos exatamente o que as pessoas querem o jogo será previsível e por consequência menos interessante. Então, não seria muito bom se pudessemos reaproveitar uma idéia já aceita e torná-la rentável? Eis aí o recurso do remake.

Fazer outra vez algo que já fizemos é sempre mais fácil e quando falamos de criações artísticas a tendência é que a cada nova tentativa a obra fique cada vez melhor. Quando olhamos para um trabalho concluído e já lançado somos capazes de notar certas coisas que durante o processo de criação não conseguimos ver. É claro também que entra aí um processo natural de amadurecimento tanto técnico quanto artístico. No caso dos jogos nós ainda temos críticas especializadas e o próprio retorno dos fãs que podem dizer que gostaram, o que não não gostaram, o queriam mais ou menos. Tudo isso contribui para que o remake seja relevante.

O legal disso é que ele não passa a ser apenas relevante, mas fazer de novo um jogo dá uma segunda chance de finalizar um trabalho, o deixando melhor, repensando coisas, corrigindo erros de roteiro e ligação e muitas outras coisas.. O melhor exemplo disso é a série Resident Evil. As versões saídas para GameCube possuem uma unidade que consertou e melhorou a história da série como um todo que tinha surgido até Resident Evil 3, com exceção do Zero, para Playstation 1. Os remakes deram uma nova visão a série.


do lado esquerdo o remake de Resident Evil 1 para GameCube, do lado direito
a versão original de Playstation 1

Uma outra vantagem dos remakes é que eles são muito bons em combater paradoxos do tipo “jogos bons e originais que simplesmente não vendem”. Existem vários deles. Em um remake, os personagens do jogo já são conhecidos e aceitos, a marca já tem fãs, quebrar a barreira de se chegar “novo e pelado” é mais fácil quando já se “nasceu uma vez”. Pensando de forma mais megalomaníaca, as pessoas têm tendência de imaginar o passado melhor do que ele realmente foi, então muita gente aceita um remake simplesmente pela nostalgia da coisa. Algo parecido é quando pegam marcas do passado e tentam revivê-las, coisa que acontece também no cinema quando pegam aquelas séries dos anos 70 e 80 e fazem filmes de baixo orçamento. Eu ainda espero ansiosamente por um filme remake do Macgyver, dá uma olhada depois nessa fuga sensacional de jet-sky dele aqui.

Do ponto de vista econômico os remakes são então ainda melhores. Como já dissemos o risco do investimento é bastante reduzido já que basicamente o que vai ser feito é pegar um sucesso, ouvir quais foram seus problemas, sumir com eles, repaginar e atualizar a coisa toda para quem sabe fazer lucro para mais 10 anos com produtos derivados. O risco é pequeno. Além disso o gasto é muito reduzido já que o tempo de produção cai consideravelmente porque o mais difícil, a criação do conceito central do jogo, já está feita. Podemos até em alguns casos reaproveitar linhas de código inteiras, cut-cenes, sons, dublagens e muito mais.

Sendo assim não xingue tanto as produtoras por ficarem criando um monte de remakes. Eles são economicamente viáveis, “gamecamente” interessantes, na maioria dos casos, e apesar de perdermos um pouco no quesito noviddade, em geral os remakes conseguem ser bons o bastante para chamarem a atenção do jogador uma vez mais. Cito mais uma vez o exemplo de Resident Evil 1. É preciso apenas tormar cuidado com os exageros e com projetos sem vergonha que se aproveitam desse recurso para ganhar dinheiro fácil.

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