Mentiras explicativas: Porque o céu é azul?

A cabeça cabeçuda pode gostar com a mesma intensidade de regras, disciplina, improvisação e liberdade. Sou babaca e acho muito interessante me enfiar em caixas que eu mesmo crio e a partir daí achar uma ou mais soluções pra sair dali, ou transformar aquilo ali em um mundo e não em uma prisão. Não faço questão, claro, mas reconheço que existe certa diversão em rituais. Bom, parando de divagar e indo direto ao ponto, terças-feiras estão dedicadas a um post sobre um podcast e sextas-feiras, a partir de hoje, deverão estar dedicas a mentira. Os outros dias que se cuidem.

E de que tipo de mentiras estamos falando? Ora, mentiras que importam, mentiras que explicam e revelam os mistérios da universo. Hoje, por exemplo, vamos explicar….

Porque o céu é azul

Motivo 1 – O curto
O céu é azul porque a entidade conhecida como “deus” é menino. Se fosse menina, seria rosa. Se fosse uma planta, seria verde. Óbvio.

Motivo 2 – A história
O céu se tornou azul como resultado de um acordo entre duas espécies primitivas já extintas, num dia entre o fim dos dinossauros e o nascimento da internet. Os parentes mais próximos destas espécies que estão vivos até hoje são as tartarugas e carpas.

Naquele tempo era comum que os animais tivessem poderes, falassem e gostassem de fazer apostas sobre duas vidas pessoais. Foi assim que um dia o parente distante da carpa disse ao parente distante da tartaruga. “Hey, tenho certeza que você não vai tomar jeito na vida, que essa sua nova namorada certinha, esse novo emprego e essa sua nova religião que você achou são tudo uma enganação. Logo, e bem logo, você vai voltar a boemia e a sua já conhecida vida de herege. Repito, logo e bem logo”.

A tartaruga ficou furiosa, estava tão convencida de si mesma, que se levantou, ajeitou sua bermuda e e disse assim: “Aé? Aé?! Aé?!? Pois se você tiver certa eu vou pintar o céu inteiro! Vai deixar de ser branco e vai ser verde! E o farei em um único dia!”.

Passou o tempo e, claro, o parente primitivo da carpa estava certo, já que carpa é bicho esperto. E se rimou, está correrto.

A tartaruga, de orgulho ferido foi então pintar o céu de verde. Havia um problema, porém. Naquele tempo primitivo, o verde ainda não tinha sido inventado em grandes quantidades, então era necessário fazer em etapas, misturando as cores primárias azul e amarelo, ingual na enscolinha.

A tartaruga, bicho orgulhoso e agitado, estava cheia de energia pra pagar a aposta, pra mostrar que tinha perdido, mas que tinha perdido com orgulho, pois, como dito, era bicho orgulhoso — e agitado. Aí, logo de manhã, ela chegou e subiu bem lá no mais em cima do céu e veio pintando e colorindo tudo a partir do topo, em círculos, descendo, pintando em círculos cada vez maiores, descendo, descendo e pintando, até chegar no horizonte. Naquele tempo a terra ainda não tinha engordado até ficar redonda, era ainda plana, sem graça e um pouco enjoadinha.

No fim do dia a tartaruga tinha conseguido pintar muita coisa, mas não tudo com a primeira cor e, como tinha começado pintando do topo do céu, a medida que foi chegando no horizonte, a tinta foi acabando e agora, nas últimas horas do dia, perto do por do sol, tinha ainda pedaços inteiros sem pintar. Foi aí que a carpa, bicho esperto, resolveu ajudar e sugeriu que a tartaruga começasse então a pintar com a tinta amarela, já que essa ela ainda não tinha usado nenhuma, disse que se pelo menos tudo que estava em branco fosse pintado antes que o dia acabasse, aceitaria a aposta como paga.

A tartaruga, bem cansada, aceitou a mudança no acordo e começou pintando pela linha do horizonte. Foi aí que o Sol, que estava ali em silêncio o dita todo resolveu intervir. Ela tinha gostado da mudança do céu branco para o céu azul. Mas quando viu o amarelo e quando parou pra ouvir a conversa de que a carpa e a tartaruga queriam fazer um céu verde, ele não ficou muito contente com isso.

O Sol não gostava nenhum pouco da ideia de ter que circular por um fundo verde. O Sol, assim como muita gente hoje em dia, achava que “essas coisa de verde e amarelo junto pode dar muito problema”. O Sol, era badernista. Aí, sem que a tartaruga visse, lá foi ele jogando aqui e ali um pouquinho de vermelho e laranja por cima do amarelo, enquanto ia passando. O Sol sabia que o laranja era cor complementar do azul, o Sol conhecia dessas coisas de cores, paletas, pantones e RGB antes mesmo de tudo isso ser inventado. O Sol foi o primeiro designer, mas isso é uma história pra outro dia.

Quando os parentes primitivos da carpa e da tartaruga perceberam o que estava acontecendo não ficaram nada contentes. A carpa, bicho esperto, quis argumentar com o Sol, bicho badernista, que já estava quase terminando de se por. O Sol, só não quis discutir como espirrou na carpa, que até aquele dia tinha sido branca, a tinta laranja e vermelha que ele usava para bagunçar o trabalho da tartaruga. É por isso inclusive que as carpas tem manchas vermelhas e laranjas até hoje.

A tartaruga ficou muito chateada com tudo aquilo. Estava cansada demais pra continuar e já era o fim do dia, a tinta azul tinha acabado e ainda lhe doía pensar que no final tinha ficado sem o emprego, sem a namorada e sem uma filosofia religiosa que lhe apaziguasse a alma. Decidiu que iria mudar, que precisava mudar, que iria passar a ser outra coisa. Que ia passar a viver a vida com mais calma, com menos correria, que iria ser o animal conhecido por ser lento e sábio e não orgulhoso e agitado.

A tartaruga tirou então sua bermuda e percebeu que por ter pintado com a tinta azul e depois pintado com a tinta amarela, ela agora era verde, coisa que todas as tartarugas depois dela vieram a ser. Além de lentas. Além de sábias.

O céu ficou então assim, azul na sua maior parte, mas sempre que o sol se aproxima do horizonte, que foi colorido de amarelo, laranja e vermelho, dá pra ver que ali faltou o azul e é por isso que o por do sol é como é. Muito bonito, badernista e sempre convidativo a se tirar a bermuda.

Lost At Sea

Bryan Lee O’Malley ficou conhecido pelo quadrinho Scott Pilgrim, mas antes disso (e também depois disso) ele criou outras histórias que tem parte das características de Scott Pilgrim, ao mesmo tempo que são outra coisa. Lost At Sea, foi sua primeira publicação profissional, sendo lançada no distante ano de 2003 e fala sobre sobre uma menina de 18 anos que tem certeza que não tem alma e que um gato roubou a alma dela.

A tal menina se chama Raleigh e a história é se passa numa viagem de carro, numa viagem de volta pra casa. A menina não viaja sozinha, ela vai com outras pessoas que tem mais ou menos a idade dela e a medida que a viagem acontece, vamos conhecendo quem ela é e porque ela acredita que não tem alma.

É uma história sobre estar perdido na vida, sobre não saber os próprios rumos, sobre olhar pros outros e ter a impressão de que eles sabem muito bem o que estão fazendo. É sobre se ter a impressão de que todos estão bem, todos exceto você.

Esse é um quadrinho autoral, é uma história fechada em um volume. Escrita e desenhada por uma mesma pessoa. Ao longo das páginas, algumas vezes, o quadrinho virá livro ilustrado, com grandes blocos de texto descrevendo os pensamentos de Raleigh. Em outros momentos o quadro por si só passa a mensagem. É um estilo diferente e próprio. Tem um tom meio poético adolescente que se você foi também um adolescente confuso, que não sabia seu lugar no mundo, vai se vai comunicar com você.

E esse é um quadrinho divertido, não é algo com tom depressivo. Existe humor no traço e nas ideias. O estilo do sr. O’Malley varia um pouco de publicação para publicação e aqui, mesmo sendo seu primeiro trabalho, já tem um carisma e um estilo próprios. Os traços são limpos, são mais próximos dos mangá japonês do que do quadrinho ocidental.

Por algum motivo esse quadrinho não saiu traduzido por aqui ainda, mas nossa velha amiga amazon vende a versão em inglês e a linguagem é simples o bastante pra que até você que não é um grande fluente nesse idioma possa ler.

Lost At Sea não é um quadrinho que vai mudar sua vida, mas o que falta de qualidade narrativa, sobra de coração. Talvez o final te decepcione e talvez no meio do caminho você ache que é divagação demais, maluquice demais, pretenção demais, drama demais por coisa nenhuma, pra rir e e esquecer, depois lembrar de novo como se nada tivesse acontecido. Talvez você veja, que de um jeito não intencional, ser assim é justamente como pode ser — ou foi pra você — ter seus 18 anos e não entender nada de coisa nenhuma.

Se interessou? Só clicar na imagem para ir até a amazon e talvez, quem sabe, comprar o quadrinho. E tem pra kindle, se quiser ler um preview sem pagar nada.

NaNoWriMo update

E aí? Em dia? Atrasado pra um car*lho? Escreveu tuas 24900 palavras que eram esperadas para esse dia 15 seguindo aquele plano?

Se sim, fico feliz por você. De verdade. Toca aí o/

Se não, fico também feliz por você. De verdade. Toca aí o/

Só não fico feliz e não tem “toca aí o/”, se você não começou, se deixou pra próxima vez, se ficou naquelas de “não sei se devo”.

Veja, essa não é uma indignação/mensagem/demência para todo mundo. Esse é um daqueles posts lançados ao acaso e que eventualmente vai chegar pra aquela pessoa, que por acaso veio parar aqui, que por acaso está lendo isso agora e que se encaixa nisso tudo.

Sim, eu sabia que você vinha. Toca aí o/

O NaNoWriMo, além de ser um exemplo de algo que precisa de um nome melhor, serve pra colocar para se expressar pessoas que tem algo a dizer.

Eu entendo que hoje em dia, onde qualquer um, semi analfabeto ou não, tem como jogar no mundo suas ideias, de merda ou não, sem muito esforço. Existe inclusive muito incentivo pra se faça isso, pra que se diga isso, pra que a pequena pessoa sem rumo na vida, sinta que deve dizer o que gosta, o que não gosta, o que quer, o que não quer, como se alguém que importa estivesse realmente dando real atenção. Na verdade, muito da informação das redes sociais servem pra criar padrões de analise comportamental que servem pra te vender mais coisas, sejam produtos, bens de consumo, discursos políticos e entretenimento.

Tem gente que percebe esta porra. Tem gente que não percebe. Tem gente que percebe e fica enojado e prefere se calar. Tem gente que acha que o facebook inteiro está lendo tudo o que ela posta.

Entretanto, existe um consumo da timeline, do share, do post, do “olha só, esta merda!”, feito de forma silenciosa. Os que leem e não postam. Os que tem que a dizer, mas não dizem.

As pessoas que tem algo a dizer estão aí no mundo, dentro dessas redes sociais, dentro das conversas em copas desgraçadas em empregos robóticos e de pouca satisfação pessoal. As pessoas que tem algo a dizer pegam trânsito, pegam ônibus, pegam metro, pegam gripe, pegam raiva, pegam o que tem pra dizer e engolem, se censuram, deixam quieto, guardam pra outro dia, pra outro público, pra outro palco, pra uma próxima vez.

Isto, senhores e senhoras, é o que muitos sábios e analistas de grande renome chamam de “merda”.

Quando tudo o que os outros dizem vira uma nuvem de estupidez e essa estupidez é amplificada, idolatrada, elevada a mil, carregada de lá pra cá (e de cá pra lá) alguém que não tem coisas idiotas pra dizer se sente excluído, compelido a se calar, a não dizer. A menor tentativa de dizer, tende a causar desconforto e talvez reações cheias de paixão e ódio.

As pessoas que tem o que dizer não vão discutir coisas estúpidas. Elas não precisam. Já tem gente demais fazendo isso. Elas vão discutir coisas que realmente importam, que realmente fazem as pessoas pararem com o pé no ar antes de dar o próximo passo. Numa cena, numa roda, num grupo de pessoas, quando algo de real valor é dito e é dito do jeito certo, o som após a fala é de silêncio e junto com o silêncio uma expressão facial que mostra que o que foi dito é sério e é importante. Causa desconforto e causa reação. E não é só de coisas sérias e discurso duro que isso se trata. Pode muito bem ser algo engraçado, uma observação clara sobre nossa própria maneira (muitas vezes babaca) de ser.

Escritores tem um papel importante no mundo. Não é só sobre histórias, não é só sobre jornada. Acho que a função principal é a de ser um espelho. As histórias que um povo conta mostram como as coisas estão, como as coisas eram, como as coisas podem ser pensando no hoje como ele é. Mostra como as pessoas podem ser, os tipos de pessoas, os tipos de sonhos que elas tem ou que não tem. As histórias mostram os valores, os desejos, o que as pessoas almejam e o que elas desprezam. As histórias dão amparo, dão significado, dão identificação.

Como cada pessoa tem sua própria vida, com suas próprias experiências, verdades e mentiras, se elas tiverem o que dizer, cada voz tem valor porque ninguém vai contar a história que você vai contar, do jeito que você vai contar.

Resumindo, novembro é o mês da escrita. Se esse recado faz sentido pra você, vai escrever.

De Podcast: Kotaku Splitscreen

Continuando com nossa aventura semanal pelo mundo dos podcasts, estou aqui uma vez mais para indicar outro podcast. Essa semana, porém, faremos algo ligeiramente diferente, já que até agora não tinha indicado nenhum podcast em inglês, antes de indicar o podcast em si, acho que vale a pena gastar umas linhas justamente pra falar sobre porque indicar algo em inglês, já que “aqui é a Brasil, seu colonizado de merda!”.

Primeiramente, calma, aí com essa coisa de “colonizado de merda”. Acho que antigamente, fazia sentido essa ideia de que aprender a língua do país de fora e divulgar as coisas do país de fora num contexto de “veja como esse outro é melhor” era mesmo uma coisa meio de colonizado de merda. Hoje em dia, porém, o inglês não é só a língua dos ingleses e dos súditos do chanceler Trump, o inglês é uma ferramenta de comunicação internacional, usada pra que uma pessoa da Alemanha fale com um cara do Brasil, usada para que um cara da Polônia fale com um Chinês e etc, etc, etc. A língua é uma ponte que te permite buscar conhecimento — ou o que você quiser buscar, por exemplo, pornografia — pelo mundo todo, te dando acesso a culturas, histórias e visões de mundo.

É uma coisa óbvia e de conhecimento geral, mas mesmo assim, vale dizer. Aprender inglês é algo importante pra caralho (olha essa boca!) pra sua vida. Especialmente se você se preocupa em saber mais, em conhecer mais sobre o mundo e — indiretamente — sobre si mesmo e sabe que a internet vai além do Facebook, saber inglês abre um mundo de possibilidade de conteúdo. Curioso como a própria possibilidade é também a ferramenta pra te ensinar a falar melhor o idioma e isso quer dizer que se o seu inglês não é tão bom e você se meter a baixar podcasts em inglês e insistir, e aprender, e continuar, eventualmente você vai aprender mais e um dia vai até esquecer que teve uma época que você não entendia 100% do que estava ouvindo.

Meu ponto principal com isso não é nem fazer aquele discurso escolar pra convencer o pai a “instalar o kit multimídia no Microcomputador do Juninho”, meu ponto principal é que você se permitindo ouvir podcasts em inglês se abre um abre um mundo enorme de possibilidades de conteúdo. Mais do que isso, de um conteúdo de qualidade, seja ele entretenimento, jornalístico, humorístico ou o que você quiser.

Sendo assim, não se reprima, tente escutar, tente buscar podcasts de algum assunto que você gosta, tente buscar podcasts com artistas, escritores, músicas, personalidades em geral, que você gosta. Dificilmente você vai buscar em inglês esse tal “algo da sua escolha”+“podcast” e não vai achar o que está buscando. Na dúvida, o Google tradutor pode ser um bom amigo, sempre que necessário.

E agora, já que lidamos com essa questã vamos a indicação dessa semana. Eles são um exemplo justamente de jornalismo e de conteúdo. Não, não é a BBC, não, não é a CNN, é um dos podcastas da Kotaku e eles falam sobre video games, da cultura de video games, com cultura pop e o que mais lhos der na telha. O nome do podcast é Kotaku Splitscreen.

A proposta do podcast é falar sobre os assuntos correntes do mundo dos games, falando dos jogos lançamento, além de notícias e polêmicas do mundo dos games. Ocasionalmente, tem convidados e entrevistas, mas o grande valor desse podcast pra mim está na linha editorial, na escolha de como analisar cada tema, de como dar cada opinião.

O tom é descontraído, mas cuidadoso. Eles tem bagagem pra associar, nomear jogos antigos, tem uma visão cultural pra entender diferenças entre os jogos japoneses e os americanos (ou de outros países) e tem sensibilidade com o momento das coisas. Não é um podcast alienado, não é um podcast que fala de games como adolescentes empolgados pelo próximo jogo que vai satisfazer suas insatisfações pessoais, ao contrário de muitos podcasts de games por aí. Se um babaca for eleito presidente, eles vão comentar, se uma empresa foi desrespeitosa, se um colega jornalista se envolveu em alguma polêmica, se um estúdio fechou. Tudo é conversado com um tom leve, mas com conhecimento de causa.

Essa mesma visão com um embasamento mais maduro existe na hora de analisar os jogos, sejam eles lançamentos ou não. É legal ver como eles desenvolvem certos pontos de vista e como a experiência deles acaba sendo algumas vezes bem diferente da de outras mídias.

O Kotaku Splitscreen é um podcast semanal e você pode ouvir no próprio site da Kotaku, mas, se você preferir ouvir por aplicativos, eis o feed no itunes e no android.

Outubro passado no everyday1music

Além de escrever opiniões idiotas e desabafos dignos de vergonha alheia por aqui, e de postar desenhos e rabiscos por ali, eu também cuido do site everyday1music.com. Lá, eu posto uma música por dia e todo dia 10 de cada mês eu posto por lá (e agora também aqui) uma lista com as músicas do último mês.

Segue abaixo a lista deste mês. Pra escutar qualquer uma das músicas, é só clicar na canção da sua escolha.

01.out – ♫ AIRWAYS – Ghost Town  A mais ouvida 
02.out – ♫ Parks, Squares and Alleys – Soft Clouds
03.out – ♫ Silver Sun – High Times
04.out – ♫ Thunder Dreamer – You Know Me  3ª mais tocada 
05.out – ♬ Kraftklub – Alles wegen dir
06.out – ♫ Jules Not Jude – Pathetical lover  2ª mais tocada 
07.out – ♫ Miike Snow – Paddling Out
08.out – ♪ Tender – Belong
09.out – ♪♪ Moon Taxi – Rooftops
11.out – ♫ Joe 90 – Drive  4ª mais tocada 
12.out – ♫ Naguetta – Eu vou seguir
13.out – ♬ Suzi Quatro – Rock hard
14.out – ♫ The Struts – One Night Only
15.out – ♫ The Assist – Love
16.out – ♫ Oh Wonder – Midnight Moon
17.out – ♫ Allah-Las – Catalina  5ª mais tocada 
18.out – ♫ The Darkness – All The Pretty Girls
19.out – ♫ Peach Pit – peach pit
20.out – ♫ Catholic Action – Propaganda
21.out – ♫ Bedroom – In my Head
22.out – ♫ My Chemical Romance – Disenchanted
23.out – ♬ Jason Isbell And The 400 Unit – Go It Alone
24.out – ♬ Le Couleur – Voyage Amoureux
25.out – ♫ Girls Against Boys – She’s Lost Control
26.out – ♪♪ The fin. – White Breath
27.out – ♪ Cigarettes After Sex – Nothing’s Gonna Hurt You Baby
28.out – ♫ Aivi & Surasshu – Dance Of Swords (Steven Universe OST)
29.out – ♫ Kansas – Dust in the wind
30.out – ♬ blink–182 – First Date
31.out – ♪ Porcupine Tree – Lazarus

Big Little Lies

Há quem diga que sucesso tem a ver com o momento certo, mais do que com a qualidade ou o merecimento. Mas, quando pensamos em criações artísticas, é bastante normal que o próprio momento inspire o que é criado. Big Little Lies é uma série baseada no livro de mesmo nome (que por aqui chama “Pequenas Grandes Mentiras”) da autora Liane Moriarty. A autora, além de ser arqui-inimiga de Sherlock Holmes (cof cof cof), tem alguns outros livros que são também bastante elogiados.

Começo já falando da autora, do livro, que ela tem outros livros e etc, porque essa é uma dessas séries que deve muito todo o peso que tem ao material que tem como referência. Existe peso na apresentação dos personagens, numa construção de história que mostra um evento, levando em conta que esse evento é só momento um na vida de personagens que tem um passado distante e recente e esse passado não necessariamente é mostrado na série. Existe uma linguagem que não nivela totalmente a profundidade das cenas e dos diálogos. Existe muito silêncio, existe muito fluxo de imaginação, existem muitas mensagens na entre linhas, corridas na praia ao som de música, olhares pro horizonte, expressões faciais ao invés de palavras. Só é explícito o que precisa ser explícito pra que a narrativa da história faça sentido.

Falando na narrativa — e falando como alguém que também cria histórias — a premissa principal da série é uma dessas que é bem divertida de escrever e também de desenrolar. Resumidamente, em uma cidade de pessoas de alto poder aqui$itivo, em uma festa, alguém foi atacado e morreu. Não sabemos quem foi e a partir desse evento e do depoimento das pessoas que conheciam os envolvidos, a história volta dias antes e vai construindo as tramas que fariam alguém atacar alguém ao ponto dessa pessoa morrer. É uma contagem regressiva, numa dança de pessoas que se toleram, que mentem, que seguram as coisas dentro de si, até o ponto em que uma delas vai perder a cabeça e outra vai morrer.

Não gosto muito do título por achar que ele vende mal a história. Parece uma história mais leve, pertencente a outro gênero. Ainda assim, o título tem bastante sentido com a história, porque são mesmo mentiras pequenas, mas que ocultam coisas grandes.

Quando eu falei lá no começo da história se comunicar com o momento de agora, um lado disso é justamente esse jogo de aparências. Pessoas teoricamente bem sucedidas, com passados pesados, com merdas na cabeça, com atitudes de aparência, com a tentativa frustrada de tentar buscar pra si mesmo uma justificativa de vida. Nem tudo é exatamente o que parece, ao mesmo tempo que é justamente o que parece, mas revestido de pequenas mentirinhas que escondem o quão real e profunda uma impressão pode ser.

Outro aspecto da história que se comunica com o momento é que a história tem como protagonistas personagens femininas, ou, como dizem os antigos, mulheres. Sim, mulheres, mulheres mesmo, não uma versão masculinizada, ou hiper sexualizada da coisa. Por colocar mulheres como protagonistas existe um lado forte da história relacionado a criação dos filhos, mas de um jeito mais realista, não é só o clichê de “virarei uma leoa para defender minha cria”, mas levando em conta essa discussão de uma forma mais adulta, mais real, envolvendo questionamentos do tipo “mas será que meu filho não faria mesmo isso? Será que ele é mesmo bom? Porque meu filho não fala comigo? Porque meus filhos me odeiam?” e coisas desse tipo.

Existem ainda outras questões do universo feminino que eu prefiro não abordar, porque existe um limite pra minha capacidade de empatia e porque entraríamos em spoilers. Inclusive, imagino que essa seja uma série, justamente por contar a história do fim pro começo e depois de volta pro fim, que saber o final afeta sua experiência. Se puder fugir de spoilers, fuja, pois.

Por fim, devo dizer que gostei muito da série e espero que tudo que eu escrevi até aqui possa lhe dar vontade de querer assistir. Contudo, devo dizer que, minha atitude de querer citar a autora Liane Moriarty, lá no começo, aqui de novo e no final vou por link pra livros dela, inclusive, é que essa é uma dessas adaptações que faz um ótimo trabalho no sentido de criar uma obra que perceptivelmente tem uma base anterior que serve de alicerce pra criar o que é visto, mas, além disso, mesmo sendo tão bom, tão belo, tão justo e necessário, como alguém que escreve histórias, ver a série me deu vontade de ler o livro, pra poder ver o aprofundamento completo das personalidades dos personagens e de cada uma das suas pequenas mentiras (ha!).

A srta. Liane Moriarty tem alguns livros lançados na Brasil, se lhe apetecer, veja que conveniente (!), clique abaixo para ir lá no site da amazon, talvez comprar um deles (ou mais de um) e gentilmente me dar uma comissão (há! – 2). Lo agradeço-no.

Um monte de “será?”

A proposta é escrever todos os dias pelo exercício de escrever. É uma necessidade. É a necessidade de se expressar. É a necessidade de desligar o julgamento alheio, se permitindo ser ridículo, dizendo o que você precisa dizer, sem se preocupar com o que os outros vão dizer ou qual cara vão fazer quando você terminar de dizer o que está afim de dizer.

É uma conversa solo. É uma missão solo, é uma busca sua por uma reflexão, por um entendimento, por um motivo pra querer continuar vivo. Não é de verdade pra ninguém além de você mesmo. Não tem problema estar na internet, na verdade, faz parte que esteja. É preciso que esteja. É pra ser ridículo, é pra ser algumas vezes errado e arrogante, é pra ser sincero.

Não faz diferença se alguém vai ser ler ou não. Não tem a ver com vaidade, tem a ver com coisas muito mais internas e muito mais fortes. Tem a ver com dar voz aos seus próprios pensamentos deixando eles no ar pra que outros além de você possam te corrigir e se identificar com você. Tem sempre alguém pensando a mesma coisa, sentindo a mesma coisa, buscando a mesma coisa. Na verdade não estamos mesmo todos felizes e estamos todos buscando um jeito de estar. Vamos comprar isso, vamos fazer aquilo, vamos fingir, vamos refazer, vamos imitar, vamos nos esconder, vamos nos diminuir, vamos nos calar, vamos não nos calar.

Já passou pela sua cabeça quais as possibilidades que você tem na vida? De forma real, de forma contundente, levando inclusive em conta que você venha a se tornar uma milionário — caso você já não seja — ou que você seja um revolucionário que mude o mundo. Eu digo de você ver e conseguir se colocar na situação hipotética de ter o que você almeja ter de tal forma que você consegue, mesmo que de forma errada e incompleta, saber como você iria realmente se sentir? Como se você conseguisse provar o gosto da vitória antes da vitória, os resultados da vitória, as implicações e a nova rotina trazida pela vitória e tudo isso lhe parecesse idiota?

Você quer mesmo comprar esse celular novo? Você quer mesmo ter essa casa? Você quer mesmo essa viagem? Você quer mesmo esse corpo, esse sexo, essa noite? Você quer mesmo aquela promoção, aquele aumento, aquilo tudo? Você quer mesmo continuar trabalhando de segunda a sexta? Você quer mesmo ter que casar, ter que ter filhos, ter que ficar velho, ter que viver as coisas de velho? Tem graça mesmo isso? Te empolga mesmo isso? Essas possibilidades da vida, essa rotina da vida, por mais que você estique os parâmetros, te dando o melhor companheiro(a) no amor, a maior conta bancária, os melhores filhos, o melhor emprego, as melhores férias, será que isso vai ser a coisa certa ou será que vai ser melhor do que uma mera especulação pode dizer?

Será que não é um problema químico? Será que não é um caso de depressão de verdade, dessas que precisam mesmo de remédio e não dessas de merda de palavra da moda usada pra se limitar e se diminuir e brincar de “nossa, gente, não é horrível?”?

Será que não é uma noção de consciência diferente, uma percepção de que tem que existir outras maneiras de viver a vida, de ser a vida, de existir em si. Algo que não seja nesse ritmo de produção e reprodução, algo que não seja só escambo, algo que te cale a voz dizendo que está errado, que é bobo, que é vazio, que tem como fazer mais e perceber mais?

Será que é mesmo impossível fechar os olhos e sentir o planeta girando, rodando em si e em torno do Sol, e o Sol e os planetas vizinhos, rodando na galáxia e a galáxia rodando por aí? Será que é mesmo tão difícil ver os detalhes simples do significado das coisas, da improbabilidade caótica da existência da vida, do encontro de duas pessoas, de um momento no espaço tempo em que você chega no balcão de algo chamado McDonalds, pega um lanche, morde e sente uma explosão química que é outra coisa? O McDonalds é um exemplo, pode ser sorvete, pode ser água num dia de sol, pode ser um xix aliviado depois de estar apertado, a idéia é ter algo simples, que é causado pela combinação de muitas coisas e que te causa uma resposta que não é uma coisa, mas que é um momento, um momento que te ajuda a definir o que é estar vivo, quais as possibilidades de estar vivo.

Eu fico mesmo pensando nos sentimentos de vazio quando encerramos um conflito, quando completamos uma suposta conquista, quando chegamos lá onde supostamente deveríamos estar e as coisas ainda assim parecem erradas. E você dorme e você sonha e você vai pra mundos onde as coisas são outra coisa, com regras malucas, em trechos de momentos que lhe convidam a viver a vida de outra forma. Fodam-se os prédios, os metros, os wi-fis, os iphones, os mcdonalds, os empregos, os dinheiros, os filhos, os amores, as vaidades, os políticos honestos, os políticos corruptos, os médicos, os engenheiros, os padres, os músicos, os filósofos. Foda-se eu, foda-se você.

Fica uma sede por algo de verdade. Fica uma sede por outras coisas da vida. Fica um vazio de dúvida se essas outras coisas existem mesmo ou se a única maneira é essa aí. Pelo menos nesse universo, pelo menos nessa vida, pelo menos por 0 a 100 anos de uma faísca de consciência que fez parte do acaso de existir e questionar num universo em movimento completamente alheio a ela e qualquer outra coisa. A ironia é que a própria faísca também é parte do universo.

Enfim. Depois passa. Depois outras vozes, outros desejos, outras tentativas.

Depois outro dia.

De Podcast: Mamilos

Mais uma semana e aqui estamos de novo para falar de podcasts. Pra você que está vendo isso pela primeira vez, a ideia é que eu venha aqui uma vez por semana para indicar algum podcast. Porque? Porque as vozes na minha cabeça mandaram! Porque o céu se alinhou por sobre o Sol na nossa Terra! Porque é justo e necessário! Porque sim!

Não, sério.

Porque podcast é uma mídia que precisa ser mais conhecida, que merece ser mais conhecida, porque deixa o mundo um lugar melhor, mais tranquilo e mais, ahn, digamos, engraçado. Isso sem falar que certas pessoas precisam aprender a ouvir mais e falar menos. É! Baderna! Ofensa gratuita! Polêmica!

E, falando em polêmica, o podcast que vou indicar hoje é justamente sobre isso, seu nome é Mamilos.

Volta e meia aqui, de forma irônica e breve, eu jogo na tela a frase “porque o mundo está uma merda”. A fala acaba sendo irônica e breve, mas não é mentirosa. Existe muita coisa erra acontecendo, muita coisa que tem impacto na sociedade que queremos ser hoje e na que poderemos nos tornar amanhã. Vivemos um tempo de intolerância, de discussões feitas não com argumentos, mas com escolhas feitas por paixão onde o objetivo não é que vença o melhor, mas que vença o que você escolheu.

Nas time lines, nas buscas ajustadas para o perfil individual, as distâncias aumentam, o conhecimento puro e simples de que a pessoa do outro lado é também uma pessoa e que as ideias dela são construídas com argumentos e experiências é jogada fora. Existe uma coisificação do outro, um “nós contra eles”, uma troca de busca por sabedoria por uma busca por palmas, por likes, por números, por aparência, por realidades de mentira.

O Mamilos não é um podcast da, digamos, primeira geração, nem da segunda geração de podcasts no Brasil. Isso quer dizer que desde o primeiro episódio, apesar de ajustes de formatos e experiência das pessoas envolvidas, existe já bem claro qual é a ideia, qual a alma do negócio e isso já é feito e entregue com um padrão de qualidade.

A ideia do podcast é ser um ponto de encontro para debater temas polêmicos com empatia e respeito.

Engraçado pensar que a palavra “respeito” é até presente de muitas formas no vocabulário das pessoas, apesar de muitas vezes ser confundida com “obedecer a autoridade” ou simplesmente “obedecer”. Etimologicamente, respeito significaria algo que merece respeito seria algo que como “uma coisa que merece ser observada uma segunda vez”, no sentido de reexaminar, no sentido de ouvir de novo e digerir de novo, no sentido de ouvir a dita coisa pela qual se tem respeito porque na segunda olhada pode ser que você veja algo que você não viu na primeira. Respeito é entender que num raciocínio de impulso, de análise corrida, é fácil julgar errado algo ou alguém.

Empatia, por outro lado é uma palavra que grande parte das pessoas nem faz ideia do que quer dizer, o que é bem curioso considerando o quanto as pessoas não conhecerem essa palavra mostra muito do próprio mundo de hoje. Empatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro buscando entender e sentir o que ele sente. É curioso que, se você fizer o exercício de tentar, você realmente consegue sentir o que o outro sente.

Colocando de lado questões de vocabulário (não sou especialista, só dei uma pesquisada no Google, ha!), o Mamilos entrega o que ele se propõe. As discussões giram em torno de temas correntes com eventuais programas com temas que não tem nada a ver com a notícia do momento. Eles buscam sempre trazes pontos de vistas diferentes, inclusive pontos de vista que não são tão populares, deixando que cada lado tenha seu espaço pra dizer o que pensa, porque pensa, o que é e como não é.

Os temas são bem variados e existe uma riqueza de pontos de vista em cada episódio. Esse é um podcast com potencial para abrir seus horizontes como pessoa, pra fazer você expandir sua compreensão de como é passar por certas coisas, de quão complicados certos problemas realmente são, de como é ser alguém que você não é. Nesses tempos em que falta diálogo, onde falta as pessoas serem sinceras nas coisas que elas sentem, pra muita gente, e talvez você esteja incluso nisso, esse tipo de podcast — e esse em especial — preenche um vazio dos tempos modernos, mostrando que não estamos tão sozinhos assim, que tem mais gente pensante que sabe que as coisas são foda e que é legal fazer as coisas do jeito legal, que é legal se esforçar e conquistar as coisas e que existem coisas boas no mundo que valem a pena serem defendidas e reverenciadas.

O mais legal é que acaba mesmo sendo um ponto de encontro. É divertido. É aconchegante. Às vezes bem engraçado. Não é blá blá blá teórico. Não é um conjunto de discursos definitivos. São opiniões em movimento, são sentimentos expressos e pontos de vista que em algum momento se encontram e no final, mesmo quando as discussões não chegam a alguma conclusão, existe um sentimento bom.

E por hora é isso. Temos um post *pisca

Para ouvir, você pode usar seu aplicativo de podcast favorito, eles tem feed (itunes, android), além de uma página no soundcloud (aqui) e do próprio site (aqui). Divirta-se!

Os nudibrânquios parecem ser, mas não são alienígenas

Os nudibrânquios são criaturas muito interessantes visualmente e evolutivamente. São aquáticas e parecem vindas do fundo do mar de outro planeta. Eu gastei 1 hora olhando fotos desses bichos, sério, muito interessante.

Ainda no aspecto alienígena eles te algumas adaptações muito curiosas, do tipo ter brânquias em torno do ânus, então, aquela coroazinha que você vê atrás deles é mesmo o bumbum. E eles não tem olhos, eles andam por aí sentindo a química do ambiente, a temperatura e o toque das coisas.

Se quiser uma informação mais embasada biológica com imagens muito boas, veja o vídeo, se não, apenas dá uma olhada nas fotos abaixo que é muito legal. O vídeo inclusive é a parte 18 de um documentário que está completo no Youtube.